quarta-feira, 30 de junho de 2021

Soberano

 


o peito estufado

soberano no jardim

reina o sabiá 


Foto: AVianna, jun 2021

Gavião-branco

 

“O Gavião-branco (Leucopternis albicollis) é uma ave accipitriforme da família Accipitridae. Também conhecido como gavião-pombo-da-Amazônia. Mede cerca de 49,5 cm. É branco, com o dorso manchado e asas negras. Sua voz é um assobio fino e longo.

Sua alimentação é constituída principalmente de invertebrados, lagartos pequenos, pequenos mamíferos e anfíbios.

Normalmente vive sozinho em florestas densas.

É encontrado nas florestas do México, toda a América Central, Colômbia, Venezuela e Guianas. No Brasil da Amazônia até Mato grosso e norte do Maranhão estendendo-se ao sul até Goiás.”

 

Pois não é que o bicho veio parar em nosso quintal!

 

Fotos: Mercêdes Fabiana, jun 2021.

Nikon D7200







https://pt.wikipedia.org/wiki/Gavião-branco

 

Coruja à meia-noite

Fotografia 


Foto: Mercêdes Fabiana


Por estas bandas, sem dúvida, esta é a melhor foto do ano até agora. Foi tirada por volta de meia noite, em frente à nossa casa. Talvez pudesse ser enquadrada na sessão Fotominimalismo.

Parabéns à fotógrafa!

Nikon D7200, Lente Nikkor 18-300mm.

Jun 2021.


Exigência

Charge do dia


 Nando Motta

Cataclismo cósmico



Representação da fusão entre um buraco negro,
no centro, e uma estrela de nêutrons.
Instituto Max Planck

 

 

“Dois detectores de ondas gravitacionais na Europa e nos Estados Unidos captaram o sinal de um cataclismo cósmico que nunca havia sido observado: a colisão entre buracos negros e estrelas de nêutrons.

Os dois eventos detectados ocorreram há centenas de milhões de anos. Desde então, as ondulações que produziram no espaço-tempo estão viajando em direção à Terra à velocidade da luz. Há muitos anos, os físicos utilizaram as equações da relatividade geral de Albert Einstein e calcularam o tipo de onda gravitacional que um evento como esse produziria. Os dois sinais captados agora pelos detectores LIGO, nos Estados Unidos, e Virgo, na Europa, coincidem com as previsões feitas pelo físico alemão há um século.” 

Reportagem de Nuño Domínguez para El País (29 Jun 2021) .


                     Isso é fantástico!

 

https://brasil.elpais.com/ciencia/2021-06-29/captado-um-sinal-de-ondas-gravitacionais-nunca-visto.html

segunda-feira, 28 de junho de 2021

Artur Xexéo deixa saudade



Artur Xexéo / Foto: Fernando Lemos

 

 

Já não bastasse a tristeza em que vivemos, causada pela pandemia, na noite de ontem, noite de domingo, recebemos a notícia da morte de Artur Xexéo, aos 69 anos. Escritor, dramaturgo, jornalista, presença marcante na televisão, em particular no Estúdio i, sua morte nos deixou ainda mais tristes. 

Estreou no jornalismo no Jornal do Brasil, em 1978, chegando a editor do famoso Caderno B, suplemento que marcou época no jornal carioca. Lembro-me bem das saborosas crônicas do Xexéo, também por uma razão muito pessoal: minha mãe adorava o cronista!

Xexéo se especializou em jornalismo cultural. Mais recentemente ele se tornou comentarista da Globo News. Suas participações nas coberturas do Oscar tornaram-se uma tradição.

       Grande cronista, homem inteligente, culto, de humor fino, Xexéo possuía um sorriso encantador. Que tristeza a morte dele.

Peixe-pedra

A foto do dia 



“Já viu um mangangá ou peixe pedra? 
Ele ganhou esse nome popular porque fica camuflado
nas pedras. Apesar de venenoso, eu acho lindo.”

 

                                                           Paula Vianna

                                   Búzios, RJ

sábado, 26 de junho de 2021

Solitude

 

Primeiro, foi a necessidade imposta pela pandemia. Depois veio o prazer de estar só.


Jade

As fotos do dia




 

Uma pétala da jade


Suíte brasileira de André Mehmari

 


 


 

Merece toda a nossa admiração o álbum intitulado AM 60 AM 40, lançado pelo Selo Sesc em 2017, apresentando dois virtuoses nossos compatriotas, o violoncelista Antonio Meneses e o pianista André Mehmari. 

O título do CD faz referência aos 60 anos de Meneses e aos 40 anos de Mehmari. O primeiro nasceu no Recife e foi criado no Rio de Janeiro; o segundo é pianista, compositor, arranjador e produtor musical, nascido em Niterói e criado em Ribeirão Preto. 

O álbum, produzido pelo pianista, traz peças de Johann Sebastian Bach (1685 – 1750) e do argentino Astor Piazzolla (1921 – 1992). Inclui ainda a parceria de Antonio Carlos Jobim com Vinicius de Moraes.

O ponto alto de AM 60 AM 40 é a Suíte brasileira para Violoncelo e piano, música de altíssima qualidade, composta por André Mehmari. Ela é composta por cinco movimentos, cujos títulos se referem aos ritmos empregados; são eles Prelúdio, Choro-canção, Frevo, Valsa e Baião, aproveitando-se da riqueza da música brasileira. 

Ouso dizer que temos entre nós um outro gênio da música, ainda desconhecido da maioria do povo brasileiro, gente ocupada em ouvir sertanejo universitário, funk, etc. Ele se chama André Mehmari!


Homem Dragão





A descoberta do crânio do ‘homem dragão’ pode adicionar espécie à árvore genealógica da humanidade. Esta é a manchete do artigo de Carl Zimmer, para The New York Times (26 jun 2021), com tradução de Augusto Calil.

“Cientistas anunciaram nesta sexta-feira, 25, que um grande crânio fossilizado de pelo menos 140 mil anos pertence a uma espécie humana ancestral desconhecida anteriormente, uma descoberta com capacidade de transformar a visão científica a respeito de como - e mesmo onde - nossa espécie, Homo sapiens, evoluiu. 

O crânio é de um hominídeo adulto, que tinha um cérebro enorme, testa proeminente, olhos profundos e um nariz bulboso. O fóssil ficou escondido em um poço abandonado por 85 anos, após um operário encontrá-lo em uma construção na China.” 

“Os pesquisadores batizaram a nova espécie como Homo longi e lhe deram o apelido de "Homem Dragão", em homenagem à região do Rio do Dragão, no noroeste da China, onde o crânio foi descoberto.”  

É possível que o Homo longi seja a espécie humana mais próxima à nossa, e não os neandertais, como se pensava até agora. Vários especialistas discordaram desta hipótese.

"É lindo", afirmou John Hawks, paleoantropólogo da Universidade de Wisconsin-Madison. "É muito raro encontrar um fóssil como esse, com a face em boas condições. A gente sonha em encontrar algo assim." 

“O crânio do Homo longi parece de um adulto de porte grande. Suas bochechas eram achatadas e sua boca, larga. A mandíbula inferior está faltando, mas com base no aspecto da mandíbula superior do Homem Dragão e de outros crânios humanos fossilizados os pesquisadores inferiram que ele tinha pouco queixo. Os cientistas afirmam que o cérebro dele era aproximadamente 7% maior do que o cérebro dos humanos atuais.” 

            E as descobertas que reafirmam a Evolução das Espécies prosseguem!

 

 

https://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,a-descoberta-do-cranio-do-homem-dragao-pode-adicionar-especie-a-arvore-genealogica-da-humanidade,70003759800

 

sexta-feira, 25 de junho de 2021

Autoengano


“Agora tem corrupção? Já posso escutar o bolsonarista obstinado afirmando que prevaricação não é corrupção.” Este o título da crônica de hoje de Hélio Schwartsman para a Folha de S. Paulo (25 jun 2021); transcrevo aqui pequeno trecho: 

 

“O escândalo da Covaxin complica as racionalizações. Não são mais familiares nem auxiliares que aparecem no turbilhão das suspeitas, mas o próprio presidente. Não estamos mais falando dos “trocados” das rachadinhas, mas de um esquema bilionário, que rivalizaria com os desvios do PT.

Não acredito, porém, que haverá uma debandada nas hostes bolsonaristas. Uma das características mais fascinantes do cérebro humano é sua capacidade para o autoengano. Já posso escutar o bolsonarista obstinado afirmando que prevaricação não é corrupção. Preciosismos jurídicos à parte, num país mais decente, o capitão já teria sido deposto e estaria sendo julgado, com chance de parar na cadeia.” (Os grifos são meus.)

 

            São tantos e tão variados os tópicos levantados por Schwartsman nesse pequeno texto que não resisti à tentação de destacá-los em negrito: são as racionalizações diante dos erros que não queremos ver, a corrupção no tempo do PT, o possível envolvimento do atual presidente também em corrupção, mas se destaca mesmo aquilo que ele chamou de “capacidade para o autoengano”. 

            O fenômeno é complexo. Auto-Engano é o título do interessantíssimo livro escrito por Eduardo Giannetti (Companhia das Letras, 1997), assim resumido pelo próprio autor:

 

“Este é um livro sobre as mentiras que contamos a nós mesmos. Mentimos para nós o tempo todo: adiantamos o despertador para não perder a hora, acreditamos nas juras da pessoa amada, só levamos realmente a sério os argumentos que sustentam nossas crenças. Além disso, temos a nosso próprio respeito uma opinião que quase nunca coincide com a extensão de nossos defeitos e qualidades. Sem o autoengano, a vida seria excessivamente dolorosa e desprovida de encanto. Abandonados a ele, entretanto, perdemos a dimensão que nos reúne às outras pessoas e possibilita a convivência social.

O problema é que as mentiras que nos contamos não trazem seu nome verdadeiro estampado na fronte. É preciso, por isso, analisar os caminhos que nos levam até elas: encontraremos aí a origem de grandes conquistas e alegrias, mas também dos sofrimentos que muitas vezes causamos a nós mesmos e às pessoas que nos cercam.”

 

            O autoengano é uma espécie de mecanismo de defesa, a nos poupar da crueza da vida; é mais que desejável, portanto. O cuidado que precisamos ter é para que ele não nos afaste muito da realidade, e por consequência, das outras pessoas. Autoengano é primo irmão do fanatismo, do fundamentalismo religioso ou político.

            Diante do risco, é preciso pensar.

 

  

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2021/06/agora-tem-corrupcao.shtml

 

 

 

 

 

Papel dos escravizados

 



“Os africanos escravizados não eram apenas commodities, mercadorias como outras quaisquer, cujo valor e preço dependiam somente do vigor físico ou da força dos músculos definidos pelo sexo, pela idade e pelas condições de saúde (como poderia sugerir, por exemplo, a balança de pesar escravos descrita na introdução deste livro). Além de seres humanos acorrentados e marcados a ferro quente, os porões dos navios negreiros transportavam conhecimentos e habilidades tecnológicas desenvolvidas na África que seriam cruciais na ocupação europeia do Novo Mundo.” (p. 83)

 

                        Laurentino Gomes

                        Escravidão, vol.II

quarta-feira, 23 de junho de 2021

Poder de síntese

 

Professor de literatura e oratória, prescrevia a escrita de microcontos para tratamento de prolixidade e verborragia.

domingo, 20 de junho de 2021

500.000 mortos

 

Este Louco por cachorros é um blog que fala de Arte, muito de Literatura, Pintura, Fotografia, alguma coisa sobre Educação, Política, Psicanálise, Humor, e outras coisas mais, com ênfase em microcontos, poesia, romance, evolução das espécies, com a leveza que meus pouquíssimos leitores exigem, se é que exigem alguma coisa – nunca me pediram nada, me aceitam como eu sou. Escrevo, portanto, com liberdade. Escrevo mais para mim mesmo, quase sempre sobre amenidades.

            Impossível permanecer indiferente diante do meio milhão de brasileiros mortos pela Covid-19. Difícil é expressar os sentimentos diante da tragédia.

            Tristeza.

            Abatimento.

            Raiva.

            Perplexidade.

            Frustração.

            Ódio mesmo.

            Inconformismo.

            Indignação.

            Todas as palavras correlatas serão insuficientes, nem é preciso consultar o dicionário analógico. Porém, em branco o fato não pode passar. Sou grato por ter sido vacinado e até agora poupado da doença. Não é medo da morte, é pavor diante do isolamento de uma UTI gelada, distante de todas as pessoas que compõem e sempre compuseram minha vida. Não desejo morrer assim, e sinto muitíssimo pelas famílias que perderam entes queridos dessa trágica maneira. Choramos todos – quase todos –, por eles.

            A outra face da tragédia reside exatamente nesse quase todos. Estamos divididos, radicalmente. Irmãos se desentendem com irmãos, filhos com pais, amigos entre si, o dissídio generalizou-se, apartando as pessoas. Em razão de quê? Todos têm razão e ninguém tem razão, pois o diálogo se perdeu. Foi-se a capacidade de pensar. Ninguém tem razão, mas, penso eu, alguns têm menos razão ainda.

            O mais triste é que ainda não chegamos ao fundo do poço.

Franqueza

 

Habituado com o silêncio da casa, no segundo dia de férias da mulher, perguntou:

– Quando você volta a trabalhar?


Gastronomia

 

1.    Questão de educação

 

Enquanto a chef aguçava o espírito ao criar novos pratos, os comensais apenas enchiam a pança.

 

 

 

2.    Questão de gosto

 

Para K, trabalhar na cozinha era o mesmo que quebrar pedras. Para B, era estar no paraíso, com tantos cheiros e gostos.

 

 

 

3.    Estraga-prazer

 

Para J, não fosse a chef a cozinha seria o paraíso.



       4. Encheu


Cansado de descascar batatas, mudou-se para Piracicaba.

Gabriela

"Essa é a Gabriela, quinta tartaruga de pente identificada pelo @projetoaruana em parceria com a @buziosdivers no Santuário das Tartarugas, na ilha de Âncora, em Búzios/RJ. Linda, né?" 


                                    Paula Vianna





É Campeã!

“Wow, ganhei primeiro lugar em três categorias no concurso de foto subaquática do Nautilus Scuba Club, de Cairns, na Austrália, incluindo a categoria portfólio, pelo conjunto da obra! 

    Muito feliz, obrigada aos juízes, aos patrocinadores @prodiveaustralia, Rum Runner e @tamarabuddle por me representar. 

    Austrália, aqui vamos nós (assim que a pandemia deixar).” 


                                                       Paula Vianna






Parabéns, querida Paula!


sábado, 19 de junho de 2021

Sina 2

 

Iniciou na cozinha cortando cebola. Morreu cortando cebola.

Sina

 

Foram muitos anos como servente de cozinha, depois aprendiz, por fim auxiliar. Morreu sem ter chegado a Chef.


Balança de pesar escravos






 

Na Introdução de Escravidão – Vol. II (Ed. Globo Livros, 2021), Laurentino Gomes apresenta ao leitor, como símbolo de uma atividade da qual devemos nos envergonhar até hoje, uma balança de pesar escravos, agora exposta no Museu de Artes e Ofícios de Belo Horizonte. 

 

“O objeto foi trazido de Salvador, na Bahia, outrora um dos maiores territórios escravistas do mundo, e ostenta as insígnias da Coroa portuguesa, indicando que teria pertencido a uma fazenda real, até hoje não identificada. Com cerca de três metros de altura, é um entre muitos outros artefatos similares, de diferentes formatos e tamanhos, que na exposição contam a história do comércio no Brasil colonial, todos usados para definir o valor da “mercadoria” a ser negociada entre compradores e vendedores: balanças de pesar bois e vacas, balanças de pesar porcos, balanças de pesar galinhas, balanças de pesar cereais, balanças de pesar farinha de mandioca, balanças de pesar queijos, balanças de precisão e balanças de ourives, destinadas a calcular quantidades de ouro em pó, pedras e outros minerais preciosos.”

 

            Belíssima descrição do homem-mercadoria! 

            Louvo aqui, além do precioso conteúdo, o estilo literário de Laurentino Gomes, elegante, preciso, agradável de se ler. 

Pedro artilheiro

 

Desde muito cedo Pedro experimentou a severidade familiar. A humildade, como virtude inegociável, constituía o pilar central da educação imposta aos três filhos do casal. A palavra Orgulho possuía apenas um significado, o de Soberba, e por isso mesmo era palavra impronunciável no ambiente familiar.

            Elogios não havia na vida de Pedro, as críticas sobravam. A exceção ocorreu quando sua mãe pediu que ele, menino de seis anos, limpasse e lubrificasse a máquina de costura Singer, equipamento indispensável para a economia doméstica, pois com ela Ophélia cortava e costurava calças, camisas, uniformes da escola para os três filhos. Findo o minucioso trabalho, Pedro rejubilou-se com o resultado: Muito bom, Que habilidade, Ficou ótima, Obrigada!

            Tempos depois o menino desenhou na capa de um caderno escolar a palavra Geografia, e o fez com tamanha perfeição e arte que, inesperadamente, recebeu elogios de ambos os pais, Veja isso, Álvaro, que perfeição, É mesmo, teremos aqui um artista? E ficou nisso, essas foram as únicas vezes em que Pedro recebeu algum elogio durante toda a sua infância e adolescência.

            Pedro nasceu com forte constituição psíquica, se é que existe esse tipo de coisa; possuía aguçada capacidade de observação e senso crítico extraordinário. Desde cedo percebeu que os pais tinham enorme dificuldade em lidar com a palavra Orgulho. Ambos tinham medo de que os filhos se tornassem pessoas arrogantes, vaidosas, fúteis, insolentes, enfim, mal-educadas, costumavam dizer. Pedro desconfiava que aquilo tinha a ver com preceitos religiosos rígidos, que nunca se tornaram explícitos. Ele apenas desconfiava, pois não podia imaginar que religião, mal interpretada, pudesse causar algum transtorno.

            Daí que, quando certo dia voltou para casa à tardinha, orgulhoso da façanha – seu time de futebol de salão havia vencido por 10 a 1 e ele marcara 7 gols –, nada disse à família. Guardou bem fundo em seu espírito o orgulho de ser artilheiro.

            Pedro cresceu, casou-se com Julieta, tiveram dois filhos, que nas tardes de domingo pediam ao pai que repetisse pela milésima vez a história da partida que terminou 10 a 1, com 7 gols do pai. Sentiam-se todos muito orgulhosos, como se tivessem participado do jogo.

            Tendo escolhido a profissão de professor, Pedro desempenhou-a com entusiasmo e competência ao longo de quarenta anos, até que se aposentou. Ao longo de seu trabalho ouviu críticas, menosprezo – Quem não sabe fazer, ensina! Os elogios foram raríssimos, porém nunca duvidou da importância da carreira que abraçara. Mais que tudo, guardou dessa experiência o orgulho de ter sido professor. 

Hoje, em tempos de pandemia, Pedro tem medo de perder o orgulho de ser brasileiro. 

quarta-feira, 16 de junho de 2021

Casal de carcarás



 


Casal de carcarás em nosso quintal


"O carcará, caracará ou carancho (nome científico: Caracara plancus) é uma espécie de ave de rapina da família dos falconídeos. Mede até 60 cm de altura e sua envergadura chega a 123 cm. Habita o centro e sul de toda a América do Sul.

"Carancho" vem do tupi ka'rãi, "arranhar, rasgar com as unhas".

 "Caracará" e "carcará" vêm do tupi karaka'rá

O carcará é facilmente reconhecível, quando pousado, pelo fato de ter uma espécie de solidéu preto sobre a cabeça, assim como um bico adunco e alto, que se assemelha à lâmina de um cutelo; a face é vermelha. É recoberto de preto na parte superior e tem no peito de uma combinação de marrom claro com riscas pretas, de tipo carijó/pedrês; patas compridas e de cor amarela."

 

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Carcará



Fotos: Mercêdes Fabiana, jun 2021

 

segunda-feira, 14 de junho de 2021

Hora da sesta




terminado o almoço
as companheiras me esperam
é a hora da sesta 


Foto: Mercêdes Fabiana, jun 2021

Mapa topográfico da África




Interessantíssimo! Assim fica mais fácil aprender Geografia.
    Esta é uma preparação para a leitura de Escravidão - volume II (Ed. Globo Livros, 2021), de Laurentino Gomes, que acaba de ser lançado.

Número 1 do mundo

A foto do dia 


Novak Djokovic

Campeão de Roland Garros 2021

Boas notícias

 

Interessado nas últimas notícias sobre o novo tratamento da doença, perguntou:

– O que é mesmo Alzheimer?


sábado, 12 de junho de 2021

Dono da verdade


Diante de uma tertúlia, desferia a palavra final, sem saber que aquela era apenas, tão somente, sua opinião pessoal.

sexta-feira, 11 de junho de 2021

Símbolo


Ele trazia no pescoço uma cruz de madeira. Pensava que ela talvez sugerisse humildade.


São Roberto Belarmino, padroeiro dos negacionistas

 


Roberto Belarmino (Roberto Francesco Romolo Bellarmino), cardeal jesuíta italiano, foi uma das mais importantes figuras da Contra-Reforma; por suas obras, foi canonizado em 1930 e proclamado Doutor da Igreja. 

Belarmino nasceu em Montepulciano, filho dos nobres empobrecidos Vincenzo Bellarmino e Cinzia Cervini, que era irmã do Papa Marcelo II. Tornou-se noviço em 1560, mas foi em Pádua que Belarmino iniciou seu sistemático estudo de Teologia.

Clemente VIII tinha grande confiança em Belarmino e fez dele reitor do Colégio Romano em 1592, examinador de bispos em 1598 e cardeal no ano seguinte. Logo depois, Clemente fê-lo cardeal-inquisidor e foi nesta função que Belarmino serviu como um dos juízes de Giordano Bruno, concordando com a decisão de queimá-lo na estaca como herético

Em 1616, por ordem de Paulo V, Belarmino convocou Galileu Galilei, notificou-o sobre um vindouro decreto da Congregação do Index condenando a doutrina de Nicolau Copérnico de que a Terra se movia e que o sol era imóvel, ordenando-o que a esquecesse. Os arquivos do Vaticano preservam uma cópia não assinada de uma injunção formal muito mais dura que teria sido entregue a Galileu logo após a admoestação de Belarmino ordenando-o a "não manter, ensinar ou defender" a doutrina condenada"de forma nenhuma, seja oralmente ou por escrito" e ameaçando-o com a prisão se ele se recusasse a obedecer. Galileu obedeceu. 

Certa feita Belarmino escreveu ao heliocentrista Paolo Antonio Foscarini:

 

“Eu diria que, se existisse uma verdadeira demonstração de que o sol está no centro do mundo e que a terra está no terceiro céu e que o sol não circunda a terra, mas é a terra que circunda o sol, então teríamos que proceder com grande cuidado ao explicar as Escrituras que parecem dizer o contrário afirmando ao invés disso que nós não as entendemos e não que o que elas demonstram é falso. Mas eu não acreditarei que existe uma demonstração assim até que uma me seja apresentada.”

 

Já idoso, Belarmino foi nomeado bispo de Montepulciano, depois do que ele se aposentou no Colégio Jesuíta de Santo André, em Roma, onde morreu em 17 de setembro de 1621, aos setenta e oito anos. 

 

Aceitei a sugestão do meu amigo Dr. Leopoldo dos Santos Neto, médico e professor cultíssimo, estudioso da Vida dos Santos, que declarou São Roberto Belarmino o padroeiro dos negacionistas! Perfeita sugestão pela façanha: o homem queimou Giordano Bruno e calou Galileu!

 

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Roberto_Belarmino

 

 

Menosprezo

Política sem palavras 



Paula brilha outra vez

A foto do dia 


Paula Vianna, Búzios - RJ


Mais fotos em www.paulaviannaphoto.com


quinta-feira, 10 de junho de 2021

Saudosista

 

Entre reclamar que não se fazem mais rolhas como antigamente, e a maravilha que é a Internet, ele ficou com a primeira opção.


Mentira e verdade

 

Ao comentar as mentiras que são ditas CPI da Covid, Hélio Schwartsman (8 jun 2021) traz informação importante sobre a natureza humana: 

 

“Meu intuito hoje é desmitificar um pouco a carga moral negativa que pesa sobre o engodo. Por mais doloroso que seja reconhecê-lo, a fraude está inscrita em nosso DNA. Mais até, está inscrita na natureza. Camuflagem, mimetismo e tanatose (fingir-se de morto) são alguns dos mecanismos pelos quais seres vivos tentam ludibriar predadores e presas. ”

 

            O que há de mais interessante no comportamento humano com relação à mentira diz respeito aos bebês e crianças:

 

“Como ensina o psicólogo Robert Feldman, bebês com só seis meses já simulam choro para atrair a atenção dos pais. Entre os três e sete anos, crianças submetidas a experimentos em que se comprometem a não espiar às escondidas um objeto que precisam identificar desobedecerão à regra em 82% das ocasiões e mentirão sobre isso em até 95% das vezes.”

 

            É evidente que Schwartsman não faz a apologia da mentira, apenas reconhece o fenômeno, e conclui:

 

“Existem vários tipos de mentira. Há desde as socialmente necessárias — você não deve falar mal da comida de seu anfitrião mesmo que ela esteja intragável— até as assassinas. Não vamos acabar com as mentiras, que são parte do mundo, mas devemos nos esforçar para bani-las ao menos dessas esferas mais estratégicas.”

 

            A Psicanálise trata do tema Verdade e Mentira desde Freud, quando na interpretação dos chistes ele assinala a existência do “mentiroso que fala a verdade”. W.R.Bion destaca em Cogitações(Imago Editora, 2000), em texto intitulado Necessidade de verdade e necessidade de reajustar constantemente os desajustes (1959), aspecto fundamental:

 

“Os procedimentos psicanalíticos pressupõem que haja, para o bem-estar do paciente, um constante suprimento de verdade, tão essencial para sua sobrevivência quanto o alimento é essencial para a sobrevivência física. Além disso, pressupomos que uma das precondições para sermos capazes de descobrir a verdade, ou pelo menos para procurá-la na relação que estabelecemos conosco e com os outros, é descobrirmos a verdade sobre nós mesmos.”

 

            Quão longe dessas ideias estão nossos políticos que mentem descaradamente, em público, em defesa de interesses escusos. Eles não sabem que a Verdade é o alimento do espírito.

 

 

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2021/06/mentiras-na-cpi.shtml

 

 

quarta-feira, 9 de junho de 2021

Safado esperto


 

 

Como não se indignar com a notícia publicada na primeira página da Folha de S. Paulo no último domingo (6 jun 2021)? Em plena pandemia que assola o país, com mais de 15 milhões de desempregados, o auxílio emergencial representa a precária tábua de salvação para tantos brasileiros desvalidos. 

            Surge então o safado esperto, a se aproveitar da boa fé dos que creem, e promete a recompensa na outra vida em troca do auxílio. Talvez ele espere mesmo que, vivendo mal, alimentando-se mal, em péssimas condições de moradia, sem saneamento básico e água encanada, o safado esperto talvez espere que seja breve a sobrevivência do fiel. E que, até a morte, tudo seja doado à igreja. Sua única preocupação é o dinheiro que pode arrancar do semelhante. 

            Aqui não há Teologia alguma. Até mesmo um ateu pode reconhecer que Religião não é isso. Isso é crime.