sábado, 25 de setembro de 2021

A Darwin o que é de Darwin

 

Em sua crônica de hoje (24 set 2021) para a Folha de S. Paulo, Na vacinação, a Darwin o que é de Darwin, Hélio Schwartsman encontra resposta para um enigma que tenho sido incapaz de decifrar, desde o início dessa pandemia. Por que algumas pessoas – e são muitas pessoas, no Brasil e no mundo! – não aceitam se vacinar contra a covid-19?!

            O país desfruta de reconhecida capacidade para vacinação em massa contra várias doenças, das quais se destaca a poliomielite, afecção gravíssima erradicada graças à imunização. Nos primeiros anos da Faculdade de Medicina aprendíamos que uma boa anamnese deveria conter o registro das chamadas ‘doenças comuns da infância’, que se tornaram cada vez menos comuns. Naquela época não se ouvia falar em recusa de vacinação.

            A imunização anual contra a gripe tornou-se rotineira entre nós, com resultados espetaculares, igualmente com pouca ou quase nenhuma recusa.

            Por que agora, diante de vírus altamente contagiante e muitas vezes mortal, considerável número de pessoas, mesmo em países ditos civilizados, com altos índices educacionais, esse tal negacionismo e a inaceitação da vacina? Dizem que a razão é ideológica. Que ideologia é essa, que mais parece suicídio? 

            Os judeus ortodoxos são contra a vacinação, mas não posso compreender que o D`us deles seja contra uma medida que vise preservar a vida. Soa mais como certo tipo de fundamentalismo, o religioso.

            No Brasil, tal ideologia parece estar ligada à extrema direita; igualmente me é incompreensível que determinada posição política seja contra a vida. Talvez se trate mesmo do fundamentalismo político, tão burro quanto o religioso. Em tempo: Todo Fundamentalismo É Burro.

            Antes que minha irritação aumente, vamos ao Hélio Schwartsman, que nos oferece brilhante explicação para tanta insanidade. Ao comentar o papel do Estado, que não deve utilizar de violência para obrigar pessoas a se vacinarem, ele assim termina sua crônica:

 

“O Estado deve oferecer e convencer. Na emergência, pode pressionar. Mas, a partir de certo ponto, a recusa obstinada deve ser interpretada como um autossacrifício darwiniano pela melhoria da espécie.”

            

            Portanto, a Darwin o que é de Darwin!

 

 

 

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2021/09/na-vacinacao-a-darwin-o-que-e-de-darwin.shtml