segunda-feira, 16 de abril de 2018

Quatro portas





As quatro portas na entrada



As casas mais antigas, mais tradicionais de Pirenópolis, além dos belos janelões, apresentam na fachada um aspecto peculiar, a porta de entrada - ou as portas de entrada! Aberta a porta principal, o visitante depara-se com um corredor de 2 a 3 metros de comprimento, pouco mais de 1 metro de largura, estreito portanto. O piso é quase sempre forrado com quartzito, a chamada pedra de Pirenópolis; nos que já sofreram reformas, o visitante pode ver belos ladrilhos; nas antigas, o assoalho era de madeira de lei, bem como o forro do teto.
            Ao fundo vê-se uma porta que ocupa toda a largura do corredor. Porém, o que é mesmo de intrigar são as duas portas laterais, à esquerda e à direita de quem entra, uma frente à outra. Assim, o conjunto compõe-se de quatro portas, geralmente pintadas da mesma cor, às vezes bicolor, com um crucifixo pregado na porta da frente ou na do fundo do corredor.
            Os de casa vão direto à porta do fundo, e por lá têm acesso ao interior da moradia. Se alguém da família, ou mesmo um viajante, hospeda-se por alguns dias, haverá de ocupar o quarto de hóspedes, cuja entrada é a porta da esquerda. Se é visita de gente importante e de cerimônia, ela é recebida pela porta da direita, que se abre para uma sala pequena – todos os cômodos são pequenos – mas bem decorada, com jogo de sofás, enfeites de toda natureza, retratos antigos da família nas paredes, alguma pinturinha tosca de paisagem local. (Na mesinha de centro, imagino, é servido ao visitante ilustre o licor de pequi ou jabuticaba, ambos a exibir os dotes culinários da dona da casa.) Por esta sala o visitante também pode ter acesso a todo o interior da casa, aos quartos de dormir, à outra saleta menor que se abre para o jardim interno, e se a curiosidade faz com que ele continue explorando a interessante arquitetura, sempre em direção ao fundo, a casa agora estreita e ladeada pelo jardim, o visitante chega à cozinha mais nova, recente, com fogão a gás, e se continua caminhando, chega à cozinha primitiva, com seu belo fogão a lenha, e que também se abre para o jardim. O último cômodo é o banheiro.
            O pé direito sempre altíssimo areja perfeitamente o interior da residência. 
            Fica assim explicado o mistério das quatro portas nas casas mais antigas, mais tradicionais de Pirenópolis.


Tosca planta baixa 
a ilustrar o texto acima


Lampiões

Fotominimalismo




Foto: AVianna, Pirenópolis, abr 2018
Nikon D7200, Nikkor 18-300mm

Moinho

Fotominimalismo





Objeto visto na pousada Pouso, Café e Cultura, em Pirenópolis.
Foto: AVianna, abr 2018
Nikon D7200, Nikkor 18-300mm

Passeio a Pirenópolis

“Pirenópolis é um município histórico, sendo um dos primeiros do estado de Goiás. Foi fundado com o nome de Minas de Nossa Senhora do Rosário Meia Ponte pelo minerador português Manoel Rodrigues Tomar (alguns historiadores denominaram-no como Manoel Rodrigues Tomás). As minas da região foram descobertas pelo bandeirante Amaro Leite, porém foram entregues aos portugueses por Urbano do Couto Menezes, companheiro de Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera Filho, na primeira metade do século XVIII. Segundo a tradição local, o arraial foi fundado em 7 de outubro de 1727
Foi importante centro urbano dos séculos XVIII e XIX, com mineração de ouro, comércio e agricultura, em especial a produção de algodão para exportação no século XIX. Ainda no século XIX, com o nome de cidade de Meia Ponte, destacou-se como o berço da música goiana, graça ao surgimento de grandes maestros, bem como berço da imprensa em Goiás, já que ali nasceu o primeiro jornal do Centro Oeste, denominado Matutina Meiapontense
Em 1890, a cidade teve seu nome mudado para Pirenópolis, o município dos Pireneus, nome dado à serra que a circunda. Ficou isolada durante grande parte do século XX e redescoberta da década de 1970, com a construção da nova capital do país, Brasília. Hoje, é famosa pelo turismo e pela produção do quartzito, a Pedra de Pirenópolis. 
Pyrenópolis (ortografia arcaica), posteriormente Pirenópolis, significa "a Cidade dos Pireneus". Seu nome provém da serra que circunda a cidade que é a Serra dos Pireneus. Segundo a tradição local, a serra recebeu este nome por haver na região imigrantes espanhóis, provavelmente catalães. Por saudosismo ou por encontrar alguma semelhança com os Pirenéus da Europa, cadeia de montanhas situada entre a Espanha e a França, deram então a esta serra o nome de Pirenéus, mas mais tarde, devido à pronúncia da língua portuguesa no Brasil, surgiu a grafia sem acento.”










Fotos: AVianna, abr 2018
Nikon D7200, Nikkor 18-300mm e Iphone 8S