As fotos do dia
quinta-feira, 11 de maio de 2017
quarta-feira, 10 de maio de 2017
Ele voltou!
A foto do dia
Biólogos avistaram um mico-leão-dourado na Estação
Biológica Fiocruz Mata Atlântica, município do Rio de Janeiro, o que não
ocorria há mais de cem anos.
O animal foi avistado pelos biólogos Iuri Veríssimo e
Monique Medeiros.
O mico-leão-dourado está na lista de animais ameaçados de
extinção.
terça-feira, 9 de maio de 2017
Cena de infância
A mãe pedia ao menino pequeno para limpar e lubrificar sua máquina de costura, o que lhe proporcionava reconhecimento e enorme prazer.
segunda-feira, 8 de maio de 2017
domingo, 7 de maio de 2017
Portugal sai na frente
O título da reportagem de
Giuliana Miranda, jornalista radicada em Lisboa e autora do blog OraPois, diz
tudo: “Animais deixam de ser coisas perante a lei em Portugal”.
A partir de 1º de maio os animais ganharam um novo status
em Portugal: eles deixaram de ser coisas e passaram à classificação “seres
vivos dotados de sensibilidade”. O objetivo principal é aumentar a proteção aos
bichos e evitar casos de maus tratos.
(Talvez a palavra “consciência” fosse
melhor que “sensibilidade”. Ou em Portugal esta última tem significado pouco
diferente. Não sei.)
Agora, o proprietário do animal passa a ter a obrigação
legal de assegurar seu bem-estar e qualidade de vida, como aplicar as vacinas e
consultas com o veterinário quando necessário.
O roubo de animais passa a ser
tipificado, e quem pratica o crime pode ser condenado a até três anos de
prisão, além do pagamento de multa.
Foto: A.Vianna, Lola, mar 2017.
quarta-feira, 3 de maio de 2017
Batendo na mesma tecla
É preciso bater na tecla da Educação até que ela
seja reconhecida como a única solução possível para a saída do atoleiro em que
nos encontramos. Mas não adianta falar em Educação durante as campanhas
eleitorais: é puro engodo. Educação precisa ser um projeto de governo, não de
partidos. E que seja abraçada e exigida por toda a sociedade. Eu mesmo não
verei este milagre transformar-se em realidade. Por ora, bato na tecla.
Leandro Karnal, em sua crônica de
hoje para o Estadão, Um mundo de tulipas
e de espinhos 2, coloca o problema com extrema felicidade:
“O
nó górdio continua na educação e, enquanto este não for desatado, continuaremos
sem política eficaz e sem administração efetiva.
Mas
qual educação? A maioria absoluta do Brasil não pode pagar uma boa escola. A
escola pública é um imperativo categórico e estratégico. Não se trata mais de
posição ideológica: é escola pública ou morte, educação para todos ou o fim de
algum projeto Brasil.”
(Ontem o STF liberou a cobrança de
mensalidades para os cursos de aperfeiçoamento oferecidos pelas universidade
públicas. Contrariando a Constituição, que não especifica a qualidade do
ensino, se graduação, pós-graduação stricto
sensu ou lato sensu, a escola
pública deixa de ser gratuita. Grave decisão do Supremo! O tema é complexo e
merece discussão aprofundada.)
Karnal
enfatiza a necessidade de “aulas de qualidade, escolas com mínimas condições
materiais, professores pagos com dignidade e orientados a novos cursos de
atualização, projetos de educação vinculados a projetos de Estado e não a
projetos de partido. Isso como plano para os próximos 50 anos e não para o
quadriênio do eleito. De uma vez por todas: gente competente e que trabalhe nos
projetos. Atividades variadas, lúdicas, de criação, com arte, música, humanas,
exatas, muita leitura, pequenas excursões de campo, reflexões críticas e
abertura. Que diminuam a burocracia, que encolham as reuniões pedagógicas
intermináveis e a desconfiança recíproca entre os pais, professores,
funcionários, alunos e agentes públicos.”
E
o autor finaliza: “Sem um ensino superior de ponta não formamos bons
educadores. Sem eles, não há ensino fundamental decente.”
Karnal
fala em plano de 50 anos. Eis porque não verei o milagre, mas continuo batendo
na mesma tecla.
terça-feira, 2 de maio de 2017
Nascimento de uma aquisição cultural
Enquanto grande parte dos seres humanos
busca respostas para o sentido da vida em concepções mágicas, originadas na
infância da humanidade, muitos avanços da Ciência são pouco valorizados ou
permanecem mesmo ignorados. Refiro-me às contínuas descobertas da antropologia,
da genética, da evolução biológica e de ramos afins do conhecimento.
Para um entusiasta como eu da Evolução
das Espécies, que há muito deixou de ser teoria para compor um conjunto de
fatos cientificamente comprovados, a notícia não poderia ser mais encantadora. A
reportagem é de Javier Salas e foi publicada em El País (2/5/2017).
Alguns cientistas estudam um grupo de
chimpanzés em Uganda, com cerca de 70 exemplares, há mais de 20 anos.
Os cientistas observaram que estes primatas descobriram uma nova forma de beber
água.
Em 2011, Nick, o macho-alfa da
comunidade Sonso, começou a retirar água de um poço de uma forma
nunca antes registrada: em vez de usar uma folha de árvore, ele submergia um
punhado de musgo na água para então sugá-la, como se fosse uma esponja. Em uma
semana, oito chimpanzés já tinham adotado esse novo
sistema.
Um chimpanzé
usa musgo para beber água extraída de um poço.
Foto CATHERINE HOBAITER
Salas compara esse instante com o momento
preciso em que parte da humanidade
decidiu usar garfo para comer, enquanto um outro grupo optava por usar os
pauzinhos, em vez de comer com as mãos.
“Tivemos uma sorte incrível de estar no
lugar certo na hora certa para documentar o surgimento e a difusão de novos
comportamentos no uso de ferramentas, algo extremamente raro na natureza”,
explica a primatóloga Catherine Hobaiter. A equipe, da Universidade St.
Andrews, conseguiu, com efeito, registrar o surgimento de
uma nova ferramenta e como um grupo de companheiros adotou essa
técnica ao observar o chimpanzé inovador. Isso levou a uma convivência entre dois
subgrupos culturais: os indivíduos que se baseavam na técnica tradicional de
beber e os que usavam o musgo para absorver a água.”
Três anos depois, outros cientistas
voltaram ao poço de argila. É possível que aquilo fosse apenas uma
“brincadeira”, esquecida em seguida pelos chimpanzés. Colocaram câmaras diante
do poço e observaram uma “manifestação cultural em desenvolvimento e expansão”.
No grupo inicial, 8 de 32 chimpanzés
bebiam com musgos; neste novo grupo, 22 dos 40 que foram até lá beber
utilizavam a nova maneira de beber. Em três anos, “os modernos passaram de 25%
para mais de metade do grupo”, conforme escrevem num estudo publicado pela Science Advances.
E ainda
muito interessante: “O macho-alfa
inovou, seu círculo adotou isso como tendência, e as mães consolidaram a
novidade como tradição, ao transmiti-la a outra geração. Ou seja, numa
primeira fase de expansão o fato cultural se difundiu por afinidade social,
entre o grupo mais próximo de Nick. Mas, a partir daí, numa segunda fase, foram
as fêmeas que consolidaram esta ferramenta, habituando sua prole a usá-la.”
Afirma a reportagem: “é extraordinário
ter a ocasião de ver o fenômeno surgir para estudar como se desenvolve e se
difunde, como está acontecendo na comunidade Sonso da floresta ugandense do
Budongo.”
O Louco lê a notícia com incontida
emoção. Penso que tais fenômenos são bem mais extraordinários que quaisquer
explicações mágicas sobre quem somos e o que fazemos neste planeta Terra.
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