quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Gabriela
Não é preciso qualquer razão especial para se postar uma foto da netinha, basta a sua formosura e o fato de que é minha netinha!
Foto: A.Vianna, Brasília, out. 2012.
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
deus de costas
A – você viu o que aconteceu no Tribunal?
B – não; o quê?
A – um bate-boca daqueles!
B – é mesmo?
A – um ministro pregou uma peça...
B – e o outro não aguentou...
A – e então bateu o laptop e empurrou a cadeira!
B – e daí?
A – deu de costas e saiu da sala!
B – deus de costas?
A – sabe que até parecia...
B – e o que tem isso de tão extraordinário?
A – onde já se viu?; um ministro!
B – mas ele é gente, não é?
A – lá isso é...
Solidão
Sentimentos humanos fazem parte da chamada realidade psíquica. Às vezes são tão intensos, que podem ser captados por uma fotografia.
Foto: A.Vianna, Coromandel, MG, 2012.
recomeço
noite de tempestade
como na vida, a manhã
de sol e céu azul
Foto: A.Vianna, Brasília, outubro de 2012
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Saracura três-potes
de manhã bem cedo, às vezes ao final
da tarde, aparecem as saracuras
três potes no fundo do quintal
Clique para ouvir o canto: http://www.youtube.com/watch?v=2ufkJi3MjiA&feature=fvwrel
Foto: A. Vianna, Brasília, 2012.
Nome comum: Saracura Três-potes
Outros nomes: Chirincoco, cocaleca, pone-pone
Nome científico: Aramides cajanea
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Gruiformes
Família: Rallidae
Outros nomes: Chirincoco, cocaleca, pone-pone
Nome científico: Aramides cajanea
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Gruiformes
Família: Rallidae
Características
Pernas e pés vermelhos com o tarso mais comprido do que o dedo médio. As saracuras são aves que vivem em pântanos e brejos, do sul da América Central ao Uruguai e norte da Argentina, alimentando-se de pequenos peixes, crustáceos, insetos e larvas. No Brasil existem duas espécies de saracuras três-potes, encontradas em todos os Estados, tanto no litoral como no interior. A saracura três-potes tem dorso castanho-esverdeado, pescoço e cabeça cinzentos; o peito é castanho-ferruginoso e o bico, amarelo-esverdeado. Vive em pequenos bandos, sendo muito comum no interior do sertão brasileiro onde constrói seu ninho no meio do junco, rodeado por água ou nas margens dos córregos, em meio a vegetação densa. Pequena e desajeitada, a saracura passa o dia escondida em silêncio, mas nas horas do alvorecer e do fim da tarde, ouve-se seu canto que diz claramente "três-potes - um coco - um coco", e que, segundo a crença popular, é prenúncio certo de chuva.
Fonte: www.felipex.com.br
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Precoce aprendizado
O menino construía pipas e as soltava: dava linha, dava
linha, até perdê-las de vista. Bem cedo aprendeu a perder.
O que sentimos quando nos indignamos?
A – indignar-se, é preciso?
B – de vez em quando.
A – e o ódio toma parte na indignação?
B – penso que não.
A – nem um pouquinho?
B – hum!... não estou certo disso.
A – pois acho que sim, o ódio se intromete na indignação.
B – é preciso pensar para indignar-se.
A – concordo.
B – e o ódio é inimigo do pensar.
A – mas impede o pensar completamente?
B – talvez não, a depender da intensidade do ódio.
A – então, um pouquinho de raiva pode ajudar na indignação!
B – talvez, mas não estou convencido disso.
A – o que sentimos quando nos indignamos?
B – frustração, sentimento de injustiça, desejo de reparação...
A – e uma pitada de ódio.
B – parece bastante humano.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Luto ou melancolia
Não sei o que é perder um filho, pois
nunca perdi. Tenho ouvido falar, presenciado o sofrimento, a dor, a infinita
tristeza, tenho constatado a revolta, o inconformismo, o ódio, tenho conversado
sobre o assunto, mas não sei o que significa perder um filho, pois nunca perdi.
O que sei é fruto de alguma observação (limitada), além do conhecimento teórico
(mais limitado ainda) a partir do magnífico trabalho de Sigmund Freud, Luto e
melancolia (ótima a tradução de Marilene Carone, Cosacnaify, 2011).
Se
a perda é recente, lidamos com o luto. Às vezes a perda ocorreu há mais de uma
década e é bem provável que estejamos diante da melancolia. Nesta condição,
aquele que sofre parece não fazer distinção entre a perda e a dor da perda, e
sente que ambas são permanentes, definitivas, inexoráveis.
A
perda sim, é permanente, definitiva, inexorável; a dor não, pode ser elaborada,
modificada, atenuada, sublimada. No luto, a possibilidade de elaborar a dor aos
poucos vai sendo considerada, e o passar do tempo pode ajudar. Na melancolia,
quanto mais passa o tempo mais difícil torna-se tal elaboração. A dor funde-se
ao sentimento de perda, e aquele que sofre não deseja mais abandonar a ambos,
com a fantasia de que se deixar de sentir a dor, há de esquecer-se da perda, e
consequentemente do ente perdido.
Certa
feita ouvi de uma mãe que havia perdido um filho há muitos anos, em pranto
convulso, talvez já de posse deste entendimento aqui apresentado, ou pelo menos
diante da possibilidade de tal entendimento, a sugestiva frase:
“–
Deixa eu ficar mais um pouco com meu filho!”
E cruzou os braços sobre o peito, como
quem abraçava fortemente o filho morto.
De fato, não há por
quê esquecer-se do filho que morreu; ao contrário, sua memória precisa ser
cultivada como algo muito precioso, fruto da experiência única que é a
convivência entre pais e filhos. Porém, ao fundir a perda com a dor da perda, o
melancólico preserva muito mais a lembrança do filho morto, do que a memória do
filho vivo que guarda dentro de si. A certeza de que esta memória não será
perdida, que pode ser cultivada com alegria, pode constituir-se no primeiro
passo para a elaboração daquela dor.
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