sexta-feira, 5 de junho de 2015

O que vai bem por aqui



                A saúde vai mal.
            A educação vai mal.
            A economia vai mal.
            A política vai mal.
            O sistema de arrecadação através de multas de trânsito vai muito bem por aqui. Brasília talvez seja a cidade em que tal sistema esteja mais aprimorado.
            Os ditos pardais são constantemente renovados, com modelos cada vez mais sofisticados e eficientes. Agora o motorista é vigiado antes mesmo que chegue à linha de medição de velocidade colocada no asfalto, e continua sendo vigiado à medida que se afasta do pardal. Há de chegar o dia em que ele será vigiado até quando estacionado em sua própria garagem.
            Em determinadas vias a velocidade permitida muda de 80 km/h para 60 ou até 40 km/h, o que certamente há de “pegar” o motorista desavisado. Com o mesmo intuito os pardais têm sua disposição alterada constantemente, para que os motoristas não se “acostumem” com eles.
            Como a cidade é muito arborizada, alguns pardais – em companhia dos homônimos passarinhos – ficam escondidos atrás de frondosas mangueiras, exigindo freadas bruscas do motorista desatento.
            Ninguém sabe quanto dinheiro o Detran local arrecada com as multas, muito menos a destinação que dá a esta vultosa arrecadação.
            Outro dia li num adesivo no vidro traseiro de um carro a frase bastante ilustrativa:

VISITE BRASÍLIA E GANHE UMA MULTA
           
Bem, os autóctones não têm outro remédio senão acrescentar aos gastos domésticos essenciais e inevitáveis o pagamento anual de algumas multas de trânsito.
            Portanto, alguma coisa vai bem por aqui. A população, agradecida, não reage, não protesta, apenas obedece, e paga as multas.


Um comentário:

  1. Aliás, o Brasil é recordista em acidentes de trânsito, com mortes e mutilações. E os maiores culpados são o álcool e a velocidade. Pardal neles!

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