domingo, 23 de dezembro de 2012

A lógica dos massacres


As notícias mais recentes veiculadas pelas mais variadas mídias sobre o último massacre ocorrido numa pequena cidade dos Estados Unidos não cansam de repetir que as investigações policiais que podem se estender por vários meses procuram desvendar as razões pelas quais os horrendos crimes foram cometidos, sem poder garantir, no entanto, à população do país e ao mundo, que conclusões claras e definitivas possam vir à tona tendo em vista o fato inexorável e definitivo de que o agente criminoso que não poupou a própria vida também não deixou qualquer relato que pudesse explicar seu próprio comportamento, nem mesmo em seu computador pessoal, onde as pessoas hoje em dia costumam deixar gravados os próprios pensamentos ideias sentimentos confidências intimidades reais ou ficcionais, nas mídias sociais ou em blogs, o que infelizmente não se verificou após exaustivo vasculhamento do hard disk do criminoso, muito embora uma frase tenha despertado a curiosidade dos incansáveis investigadores, inscrita no centro da tela de abertura do computador em verdana 18, negrito, é claro, portanto bem à vista dos vasculhadores,

Proust não morreu

o que em definitivo não combina com o jovem aparentemente desmiolado que assassinou tantas crianças numa escola primária, a menos que ele não tenha sido tão desmiolado assim, ponderou experiente detetive com certos pendores literários e que se dispôs a ler os sete volumes do Em busca do tempo perdido, agora em busca de alguma pista que pudesse desvendar as motivações daquela mente criminosa, ideia que mereceu restrições do chefe de polícia pelo tempo a ser dispendido na tarefa, muito tempo perdido segundo ele, além da incerteza de que algum resultado positivo pudesse ser encontrado, ao que outro policial prontamente sugeriu que fosse lida uma recente versão da mesma obra em quadrinhos, portanto mais curta e mais acessível, o que foi prontamente aceito pela comunidade investigativa, já que nenhuma outra pista tinha sido levantada até aquele momento, fato já salientado pelos experts, o de que as investigações policiais poderiam se estender por vários meses procurando desvendar as razões pelas quais os horrendos crimes foram cometidos, sem poder garantir, no entanto, à população do país e ao mundo, que conclusões claras e definitivas pudessem vir à tona, tendo em vista o fato inexorável e definitivo de que o agente criminoso que não poupou a própria vida não deixou qualquer relato que pudesse explicar seu próprio comportamento, nem mesmo em seu computador pessoal, exceto por uma enigmática frase inscrita na tela de abertura do computador dele, uma possível real indicação motivadora dos crimes, embora cheia de mistério e ocultamento, quase impenetrável pela sua hermeticidade, mas que está neste preciso momento sendo submetida à minuciosa análise pelo moderníssimo computador de última geração da NASA, e que a polícia prefere não divulgar ainda para não atrapalhar o rumo das investigações.

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