quinta-feira, 26 de abril de 2018

Rothko sem título

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Rothko

Enfim, réus

Política sem palavras


Capa do Correio hoje

Palmeiras vence o Boca

A foto do dia



           Diante de 50.000 argentinos, o Palmeiras derrota o Boca Juniors por 2 a 0 na Bombonera, e se classifica para a segunda fase da Libertadores. 
           Jogo difícil, é claro. Palmeiras dominou os 10 primeiros minutos, o que foi fundamental para aplacar o entusiasmo do adversário. Em seguida, o Boca assumiu o controle da partida, diante do recuo dos brasileiros. Mas permaneceu bem na defesa, o Palmeiras.   
           Até que Keno brilhou, com cabeçada certeira: 1 a 0!
           No segundo tempo, surpreendentemente, o Palmeiras foi melhor. Diante da lambança da defesa do Boca, Lucas Lima fez um lindo gol por cobertura. A partir daí, o Palmeiras tocou a bola, à moda do Barcelona!
          Apenas cinco times brasileiros obtiveram a vitória na Bombonera até hoje. O verdão foi o último deles!
          Avante Palmeiras!

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Preto, branco e vermelho

fotominimalismo




Foto: Cecília Vianna, abr 2018

Bajau, os ciganos do mar




A reportagem com o título Mutação genética que permite mergulho livre é descoberta no povo Bajau, os “ciganos do mar” da Indonésia, por Natasha Romanzoti (21abr 2018), é surpreendente!
Estudo conjunto das universidades de Copenhague, Cambridge e Califórnia, descobriu que os Bajau, povo que vive na Indonésia, têm baços geneticamente aumentados que lhes permitem mergulhar livremente em profundidades de até 70 metros.
Resposta de mergulho é uma reação fisiológica do corpo ao mergulhar e consta de diminuição da frequência cardíaca, contração dos vasos sanguíneos e baço, o que ajudará a economizar energia em condições de pouco oxigênio. A relação entre o tamanho do baço e a capacidade de mergulho nunca foi examinada em indivíduos no nível genético. “Agora, temos provas de que uma adaptação genética do tipo realmente ocorreu em seres humanos, tornando-os melhores em mergulhar”, informa a reportagem.


“Por mais de mil anos, o povo Bajau, conhecido como “nômades do mar” ou “ciganos do mar”, viaja pelos mares do sudeste asiático em casas flutuantes, coletando alimentos no oceano usando lanças. Agora instalados nas ilhas da Indonésia, são famosos em toda a região por suas extraordinárias habilidades de mergulho e retenção de ar. Os Bajau podem mergulhar até 70 metros usando nada mais do que um conjunto de pesos e um par de óculos de madeira.”
A pesquisadora Melissa Ilardo suspeitava que os Bajau poderiam ter baços geneticamente adaptados como resultado de seu estilo de vida marinho, baseada em descobertas em outros mamíferos. Por exemplo, a foca-de-weddell tem um baço desproporcionalmente grande. O mesmo poderia ser verdade em seres humanos.
“A contração do baço cria um aumento de oxigênio pela ejeção de células vermelhas do sangue para a circulação. Estudos já descobriram que essa reação fornece um aumento de até 9% no oxigênio, prolongando assim o tempo de mergulho.” Os Bajau têm um tamanho médio de baço 50% maior do que os Saluan. Os baços aumentados foram vistos até nos indivíduos Bajau que não mergulhavam. 
Os Bajau têm um gene chamado PDE10A que os Saluan não possuem. Acredita-se que o PDE10A controle os níveis do hormônio tireoidiano T4. Essa adaptação genética pode aumentar os níveis de tal hormônio da tireoide, o que, consequentemente, aumenta o tamanho do baço. 
O estudo também tem implicações para a pesquisa médica. “A resposta ao mergulho humana simula as condições de hipóxia aguda em que o tecido corporal sofre um rápido esgotamento de oxigênio. Essa é uma das principais causas de complicações e mortes nas salas de emergência hospitalares.” 
            Conclui a reportagem: “Este estudo é um exemplo maravilhoso do valor de estudar essas pequenas populações que vivem sob condições extremas”, disse o professor Eske Willerslev, orientador de Ilardo. “Muitas estão ameaçadas e isso não é apenas uma perda cultural e linguística, mas para a genética, medicina e ciências em geral. Ainda há muita informação a ser coletada dessas populações pouco estudadas”. 




terça-feira, 24 de abril de 2018

Mais um caso de Suzete


Querido André,

faz tempo que não escrevo, bem sei, mas vou logo avisando que só escrevo quando tenho vontade (ou necessidade?), não adianta você dizer que os leitores do seu blog reclamam da minha ausência pois nem acredito nisso, você deseja apenas me agradar, e disso eu gosto.
            Peguei dengue. Em parte, este o motivo do meu silêncio. Doencinha filha da puta, só dizendo assim, acaba com a vida de gente. Pior é a dor no corpo, como quem passou por uma máquina de moer carne. Exagero? Não desejo pra ninguém. Estou recuperada, volto a escrever para lhe contar um novo caso.
            Aconteceu no salão, só podia ser! Assim que o rapaz entrou todo mundo parou de respirar, a boca aberta, olhos esbugalhados, ameaça de vertigem, o que Nelson Rodrigues chamaria de frissonentre colegas, freguesas, a dona do salão. Lindo lindo lindo o moço!
            Sapato preto de verniz, calça jeans justa, camisa azul claro com dois botões abertos mostrando o peito, paletó Armani, e uma cabeleira negra de fazer inveja a Castro Alves (só eu mesma para fazer uma comparação dessas...). Aí então é que pude reparar em outros detalhes, no nariz grego, a testa alta, olhos verdemar, boca carnuda, queixo de boxeador, pele queimada de sol, e ar de cafajeste. Verdadeiro artista de cinema, André. Ah!, o perfume Prada que inundou o salão.
            Sei que misturo descrição física com o caráter do homem. Não me importo: cafajeste à primeira vista, sem chance de errar. Até no jeito de andar. E caminhou em direção à dona do salão, dizendo que precisava cortar o cabelo. Nem preciso dizer a quem foi endereçado, só eu corto cabelo de homem no salão.
            Boa tarde, Boa tarde. Sentou-se. Apenas apare as pontas, por favor. Pois não.
            Aparei as pontas bem devagar, fio por fio, como se os cortasse com tesourinha de unha – como os ingleses aparam seus gramados de quatrocentos anos, dizem, que eu mesma nunca fui à Inglaterra. A cada fio que cortava, me afastava um pouco, avaliava o resultado como quem estuda uma obra de arte. Tomei tempo, inebriada por aquele perfume, sob os olhares invejosos das colegas. 
            Tentei puxar o assunto de sempre. Gosta de ler? Não.
            Aquele “não” doeu, viu. Tentei novamente. Gosta de cinema? Também não.
            Achei melhor permanecer em silêncio do que perguntar Então do que você gosta?, com medo de receber um De nada.
            Demorou, mas terminei. Mostrei-lhe o resultado com o tradicional espelho posicionado na nuca do freguês. Está ótimo. Antes assim, pensei.
            Levantou-se, dirigiu-se à mesa da chefe, perguntou se podia pagar com cheque, claro que podia. Ao sair, passou por mim e disse Sua gorjeta está incluída no cheque. Obrigada.
            Dois dias depois o cheque foi devolvido. Cafajeste.
            
            Da sempre sua
                                                Suzete.
            
            
            

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Dia de chuva

fotominimalismo




Foto: AVianna, abr 2018, Pirenópolis
Nikon D7200

Aldravia n. 68




ribeirão
de
minha
infância
doce
lembrança


Foto: AVianna, abr 2018, Pirenópolis

Porta & janela

Fotominimalismo




Foto: AVianna, abr 2018, Pirenópolis

Neolítico, uma revolução


Pintura rupestre de uma cena cotidiana com gado no Neolítico,
Tassili n’Ajjer (Argélia).
De Agostini Picture Library (Getty)


A extensa reportagem é de Guillermo Altares (21 Abr 2018), para El País, e assim tem início:

“O Neolítico é o período mais importante da história e um dos mais desconhecidos do grande público. Com a adoção da pecuária e da agricultura foram criadas as primeiras cidades, nasceu a aristocracia, a divisão de poderes, a guerra, a propriedade, a escrita, o crescimento populacional... Surgiram, em poucas palavras, os pilares do mundo em que vivemos. As sociedades atuais são suas herdeiras diretas: nunca fez tanto sentido falar de revolução porque deu origem a um mundo totalmente novo. E talvez tenha sido também o momento em que começaram os problemas da humanidade, não as soluções.”

Há 10.000 anos a humanidade começou a transformar o meio ambiente para adaptá-lo às suas necessidades, o que coincidiu com o crescimento exponencial da população do planeta. Hoje vivemos uma mudança profunda, a passagem para uma nova era geológica, do Holoceno ao Antropoceno, uma mudança planetária imensa. De fato, alguns estudiosos acreditam que esse salto começou no Neolítico.
Escreve o arqueólogo francês Jean-Paul Demoule: “Acredito que é a única verdadeira revolução na história da humanidade. A revolução digital que estamos vivendo atualmente não é mais do que uma consequência de longo prazo daquela. Mas, curiosamente, é a menos ensinada na escola.” 
O antropólogo James C. Scott, afirma: “Podemos dizer sem problemas que vivíamos melhor como caçadores-coletores. Estudamos corpos de áreas onde o Neolítico estava sendo introduzido e encontramos sinais de estresse nutricional em agricultores que não encontramos em caçadores-coletores. É ainda pior nas mulheres, onde identificamos uma clara carência de ferro. A dieta anterior era sem dúvida mais nutritiva. Encontramos também muitas doenças que não existiam até os humanos passarem a viver mais concentrados e com os animais. Além disso, sempre que ocorreram assentamentos de populações, começaram guerras”. 
Scott argumenta que já se utilizava a agricultura e a irrigação antes do nascimento dos Estados, e que diferentes catástrofes como epidemias ou desmatamento, e a salinização do solo fizeram que o “Neolítico fosse um processo de ida e volta e que sociedades agrícolas voltassem a ser caçadoras-coletoras. Durante 5.000 anos passaram de um estado a outro dependendo das condições climáticas.” 
Os historiadores continuam procurando respostas para saber por que a agricultura foi inventada, se nos alimentávamos melhor quando éramos caçadores-coletores. O fenômeno coincidiu com um período de aquecimento global do planeta depois da última glaciação, há cerca de 10.000 anos, e foi um processo gradual que ocorreu em diferentes pontos, levando ao florescimento de civilizações como a etrusca e a romana. A introdução da agricultura e da pecuária foi seguida pelo trabalho com os metais, a fundação de cidades, o surgimento de aristocracias.
Informa Altares: “Quase ninguém mais acredita que houve uma única revolução neolítica que eclodiu no Oriente Médio com a domesticação do trigo e que daí se espalhou a todo o planeta. A ideia mais difundida é que houve vários pontos de partida mais ou menos simultâneos, na China com o arroz ou na América com o milho. Por outro lado, existe a certeza, graças à genética, de que o trigo chegou à Europa por meio das migrações dos primeiros camponeses, em um momento de grandes movimentos populacionais.”  



Vaso campaniforme do Neolítico, encontrado em Sabadell
Phas / Uig / Getty


“Um caso fascinante que ilustra como o Neolítico se estabeleceu é o da cerâmica campaniforme, que se expandiu em grande parte da Europa durante a Idade do Bronze, há cerca de 4.900 anos. A partir da Península Ibérica, especificamente do estuário do Tejo, chegou ao norte e ao leste da Europa, às Ilhas Britânicas, mas também à Sicília e à Sardenha. Além de Portugal e Espanha, essa cerâmica, que não está associada ao uso cotidiano, mas ritual, apareceu na França, Itália, Reino Unido (incluindo a Escócia), Irlanda, Holanda, Alemanha, Áustria, República Tcheca, Eslováquia, Polônia, Dinamarca, Hungria e Romênia. “Sua escala geográfica não tem precedentes no continente até a chegada da União Europeia”, escreve Lalueza-Fox em seu ensaio. Guardando todas as proporções, seu alcance geográfico poderia ser comparado ao de um Tok &Stok do fim da pré-história.”
Conclui Altares: “Nem a genética nem a arqueologia conseguiram desvendar ainda todos os mistérios cruciais que esse período esconde. Também chegou nesse período à Europa o indo-europeu, do qual derivam as línguas faladas por metade da população mundial, um processo sobre o qual ainda existe um intenso debate. A única certeza é que aquela revolução remota mudou tudo e que ainda não acabou.”