Galeria de Família
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022
Na guerra, no campo de batalha...
100 anos de José Saramago
“Na guerra, no campo de batalha, vemos cair um companheiro, parece às vezes a ferida ligeira, e se o queremos ajudar a erguer-se, os membros desfalecem-lhe, é um corpo morto que mais tarde teremos de enterrar. Outras vezes julgamos que é mortal o golpe, que não há esperança, passamos adiante e contamo-nos um a menos, mas olhamos para o lado e vemos que ele se levantou por suas próprias forças e continua o combate, mesmo deixando atrás de si o sangue. Assim são os amores. Julgamo-los vivos e estão mortos, julgamo-los mortos e estão vivos.”
José Saramago
Que farei com este livro?
O último exorcista
Padre Vanilson da Silva, o último exorcista do Distrito Federal
Foto: Reprodução/Redes sociais
“Fiéis católicos fazem abaixo-assinado após afastamento de padre exorcista em Brasília” (O Globo, hoje).
Em Brasília, fiéis católicos fazem abaixo-assinado para que o pe. Vanilson da Silva volte a realizar missas e sessões de exorcismo na capital federal.
Ele é o último exorcista do Distrito Federal e foi afastado de suas funções pela Arquidiocese de Brasília.
“Na noite desta terça-feira, 1.264 pessoas tinham assinado o documento”, informa a reportagem.
Nota de esclarecimento assinada pelo Gabinete Episcopal informa que "em breve será oportunamente nomeado outro sacerdote para a função de exorcista".
Ou seja, o Demônio continua solto em Brasília! E eu nem sabia que ele ainda existia.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2022
Um pouco de teoria
100 anos de Semana de Arte Moderna
“Um pouco de teoria?
Acredito que o lirismo, nascido no
subconsciente, acrisolado num pensamento claro
ou confuso, cria frases que são versos inteiros,
sem prejuízo de medir tantas sílabas, com
acentuação determinada.
entroncamento é sueto para os condenados da
prisão alexandrina. Há porém raro exemplo dele
este livro. Uso de cachimbo...
A inspiração é fugaz, violenta. Qualquer
empecilho a perturba e mesmo emudece. Arte,
que, somada a Lirismo, dá Poesia, não
consiste em prejudicar a doida carreira do
estado lírico para avisá-lo das pedras e cercas
de arame no caminho. Deixe que tropece, caia
e se fira. Arte é montar mais tarde o poema de
repetições fastientas, de sentimentalidades
românticas, de pormenores inúteis ou
inexpressivos.”
Mário de Andrade
Pauliceia desvairada
In Prefácio interessantíssimo, p. 39-40
De Pauliceia desvairada a lira paulistana
Ed. Martin Claret, 2016
A ponte
Quatro vezes ao dia ela cruza a ponte que separa o bairro onde mora do centro da cidade. O movimento de automóveis é sempre intenso nas seis faixas de rolamento, três em cada sentido, a qualquer hora do dia, da noite e mesmo da madrugada.
Nas laterais há uma espécie de calçada para pedestres, que atravessam a ponte em suas caminhadas ou corridas diárias, pela manhã e à tarde. Ciclistas, em menor número, fazem o mesmo percurso. Alguns poucos turistas podem ser vistos na área, descendo de enormes ônibus coloridos.
Além dos que se exercitam, facilmente identificados pelos trajes esportivos, ela observa quando cruza a ponte ao final da tarde ou começo da noite um outro tipo de gente a perambular pelas calçadas, também identificável com facilidade, por duas particularidades. Essas pessoas se cobrem de trajes pobres, às vezes esfarrapados; e carregam trouxas ou empurram carrinhos de supermercado entulhados de bugigangas. Às vezes apenas suas enigmáticas silhuetas se tornam visíveis à motorista, nas calçadas pouco iluminadas.
A ponte foi construída para o deslocamento de pessoas em automóveis, ônibus e caminhões, para gente que mora na populosa periferia e que trabalha no centro da cidade. Ela não foi construída para pedestres, não há bairros pobres nas proximidades da ponte, a justificar que os mais desvalidos necessitem percorrê-la a pé, se deslocando de um lugar a outro.
O que fazem na ponte essas pessoas carregando trouxas ou empurrando carrinhos de supermercado ao final da tarde? De onde vêm? Para onde vão com o cair da noite? O que pretendem com este anônimo caminhar?
Ela sente o desejo de parar o carro e se informar, porém não há local próprio para estacionamento, o que de fato é proibido, para evitar acidentes; o movimento de veículos é intenso, é hora do rush; uma temeridade descer do veículo.
Restam as perguntas, o estranhamento diário.
Máscara alimentado
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