quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Na guerra, no campo de batalha...

100 anos de José Saramago



 

“Na guerra, no campo de batalha, vemos cair um companheiro, parece às vezes a ferida ligeira, e se o queremos ajudar a erguer-se, os membros desfalecem-lhe, é um corpo morto que mais tarde teremos de enterrar. Outras vezes julgamos que é mortal o golpe, que não há esperança, passamos adiante e contamo-nos um a menos, mas olhamos para o lado e vemos que ele se levantou por suas próprias forças e continua o combate, mesmo deixando atrás de si o sangue. Assim são os amores. Julgamo-los vivos e estão mortos, julgamo-los mortos e estão vivos.”

 

            José Saramago

 

      Que farei com este livro?

 

https://blimunda.josesaramago.org/assim-sao-os-amores/

O último exorcista


 

 

Padre Vanilson da Silva, o último exorcista do Distrito Federal

Foto: Reprodução/Redes sociais

 

 

“Fiéis católicos fazem abaixo-assinado após afastamento de padre exorcista em Brasília” (O Globo, hoje). 

Em Brasília, fiéis católicos fazem abaixo-assinado para que o pe. Vanilson da Silva volte a realizar missas e sessões de exorcismo na capital federal. 

Ele é o último exorcista do Distrito Federal e foi afastado de suas funções pela Arquidiocese de Brasília.

“Na noite desta terça-feira, 1.264 pessoas tinham assinado o documento”, informa a reportagem.

Nota de esclarecimento assinada pelo Gabinete Episcopal informa que "em breve será oportunamente nomeado outro sacerdote para a função de exorcista".

 

Ou seja, o Demônio continua solto em Brasília! E eu nem sabia que ele ainda existia.

 

 

https://oglobo.globo.com/brasil/fieis-catolicos-fazem-abaixo-assinado-apos-afastamento-de-padre-exorcista-em-brasilia-25396283?utm_source=Twitter&utm_medium=Social&utm_campaign=O%20Globo

Na Rússia

Charge do dia 


Amarildo

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Um pouco de teoria

100 anos de Semana de Arte Moderna

 



 

“Um pouco de teoria?

Acredito que o lirismo, nascido no

subconsciente, acrisolado num pensamento claro

ou confuso, cria frases que são versos inteiros,

sem prejuízo de medir tantas sílabas, com

acentuação determinada.

entroncamento é sueto para os condenados da

prisão alexandrina. Há porém raro exemplo dele

este livro. Uso de cachimbo...

 

A inspiração é fugaz, violenta. Qualquer

empecilho a perturba e mesmo emudece. Arte,

que, somada a Lirismo, dá Poesia, não

consiste em prejudicar a doida carreira do

estado lírico para avisá-lo das pedras e cercas

de arame no caminho. Deixe que tropece, caia

e se fira. Arte é montar mais tarde o poema de

repetições fastientas, de sentimentalidades

românticas, de pormenores inúteis ou

inexpressivos.”

 

            Mário de Andrade

            Pauliceia desvairada

            In Prefácio interessantíssimo, p. 39-40

            De Pauliceia desvairada a lira paulistana

            Ed. Martin Claret, 2016

 

 

A ponte

 

Quatro vezes ao dia ela cruza a ponte que separa o bairro onde mora do centro da cidade. O movimento de automóveis é sempre intenso nas seis faixas de rolamento, três em cada sentido, a qualquer hora do dia, da noite e mesmo da madrugada. 

Nas laterais há uma espécie de calçada para pedestres, que atravessam a ponte em suas caminhadas ou corridas diárias, pela manhã e à tarde. Ciclistas, em menor número, fazem o mesmo percurso. Alguns poucos turistas podem ser vistos na área, descendo de enormes ônibus coloridos.

            Além dos que se exercitam, facilmente identificados pelos trajes esportivos, ela observa quando cruza a ponte ao final da tarde ou começo da noite um outro tipo de gente a perambular pelas calçadas, também identificável com facilidade, por duas particularidades. Essas pessoas se cobrem de trajes pobres, às vezes esfarrapados; e carregam trouxas ou empurram carrinhos de supermercado entulhados de bugigangas. Às vezes apenas suas enigmáticas silhuetas se tornam visíveis à motorista, nas calçadas pouco iluminadas.

            A ponte foi construída para o deslocamento de pessoas em automóveis, ônibus e caminhões, para gente que mora na populosa periferia e que trabalha no centro da cidade. Ela não foi construída para pedestres, não há bairros pobres nas proximidades da ponte, a justificar que os mais desvalidos necessitem percorrê-la a pé, se deslocando de um lugar a outro.

            O que fazem na ponte essas pessoas carregando trouxas ou empurrando carrinhos de supermercado ao final da tarde? De onde vêm? Para onde vão com o cair da noite? O que pretendem com este anônimo caminhar?

            Ela sente o desejo de parar o carro e se informar, porém não há local próprio para estacionamento, o que de fato é proibido, para evitar acidentes; o movimento de veículos é intenso, é hora do rush; uma temeridade descer do veículo.

            Restam as perguntas, o estranhamento diário. 

            

Soberano

jequitibá-rosa

o gigante soberano

resguarda o jardim






Fotos: AVianna, fev 2022
iPhone 11 Pro Max


Máscara alimentado

Galeria de família 



Pela manhã, antes de sair para o trabalho, Mercêdes alimenta os gatos da rua que orbitam nossa casa.


Foto: AVianna, fev 2022.