sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Duchamp, Weiwei... e Banksy


Obra de Banksy parcialmente triturada leiloada na Sotheby's

Foto: Haydon Perrior/Sotheby's/AP

 

Em outubro de 2018 este blogueiro postou notícia de certa obra de Banksy picotada em pleno leilão, para grande espanto dos presentes e de todo o mundo das artes. “A mulher (anônima) que adquiriu a tela por mais de um milhão de euros (4,37 milhões de reais) manteve a decisão de ficar com ela, apesar de semi-destruída. Afirmou ela: “Depois do susto inicial, comecei a perceber aos poucos que tinha nas mãos uma peça da história da arte”.

            Opinião deste blogueiro, expressa no dia seguinte ao leilão: “A pintura picotada ainda vai parar em um grande museu do mundo, tal qual o urinol de Marcel Duchamp! Ela representa um momento único na História da Arte.” 

https://loucoporcachorros.blogspot.com/2018/10/banksy-vota-cena.html

            Houve quem discordasse.

            

Notícia de hoje (Agência Reuters/Estadão, 15 out 2021):

 

“Quadro de Banksy, destruído pela metade por um triturador escondido em sua moldura ao ser vendido, foi arrematado por US$ 25,4 milhões, ao ser leiloado novamente no mesmo estabelecimento em Londres nessa quinta-feira, 14 (valor três vezes maior do que era estimado e um recorde em leilões para o artista).

“Algumas pessoas acham que o quadro não foi realmente triturado. Ele foi. Outras acreditam que a casa de leilões sabia, mas eles não sabiam”, escreveu o artista de rua, cuja identidade é mantida em segredo, em sua conta no Instagram em 2018.” 

 

            E a reportagem conclui:

“A Sotheby's disse que a obra se enquadra em uma história ilustre de antiarte, incluindo a submissão anônima da Fonte de Marcel Duchamp, um urinol de porcelana remontado em um pedestal em 1917, e o artista chinês Ai Weiwei, que se fotografou no momento em que intencionalmente derrubava uma suposta urna da Dinastia Han.”

 

Em matéria de Arte, como na vida, é preciso dar tempo ao tempo. 

 

https://cultura.estadao.com.br/noticias/artes,quadro-de-banksy-parcialmente-triturado-e-vendido-por-us-25-4-milhoes-em-leilao,70003868965

 

Anti-ciência

Charge do dia


 Amarildo

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Mergulho do sabiá

Para a Gabriela

Sabiá pousa na fonte


Experimenta se a água está boa



Cria coragem e mergulha



De banho tomado


Fotos:Mercêdes Fabiana, ago 2021
Nikon D7200
 

Tempo de falso-íris







“O falso-íris apresenta folhagem muito ornamental, disposta em leque. As flores azuis são grandes e bonitas, porém são pouco duráveis. 
É uma planta apropriada para canteiros de baixa manutenção, exigindo poucas adubações periódicas. Pode ser cultivada em conjuntos com outras plantas, assim como em maciços ou como bordadura. A floração pode se estender durante o ano todo, mais abundante na primavera e verão.
Devem ser plantadas a pleno sol ou meia-sombra, em solo fértil e enriquecido com matéria orgânica, com regas regulares. Aprecia o frio. Multiplica-se por divisão da planta."

Nome Científico: Neomarica caerulea
Nomes Populares: Falso-íris, Lírio-roxo-das-pedras, Lírio-roxo-das-pedreiras, Pseudo-íris-azul
Família: Iridaceae
Categoria: Bulbosas, Flores Perenes
Clima: Equatorial, Subtropical, Tropical
Origem: América do Sul, Brasil
Altura: 0.6 a 0.9 metros
Luminosidade: Sol Pleno
Ciclo de Vida: Perene

 

https://flora10.com.br/flores-de-sol/falso-iris-neomarica-caerulea/

Miséria

Charge do dia


Laerte, para a Folha de S. Paulo


 

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Jane Matisse

Meus quadros favoritos


H. Matisse 


“O pintor francês Henri Matisse (1869-1954) viu-se afetado pela doença e foi submetido a várias cirurgias no início da década de 1940. Isso não o impediu de produzir. Dessa época, uma parte de sua produção reflete esse momento de sua vida e está voltada para a atmosfera doméstica que o cercava enquanto esteve em recuperação. De fato, há um certo mistério em torno do espaço doméstico representado em La Porte Noite (1942) e Les Silence Habité des Maison (1947). Para Lawrence Gowing (1979, p. 176), algumas das obras deste período são tão difusas que desafiam a análise e a interpretação: a esfera doméstica era vista por Matisse como um “cubículo de cor, um volume habitável infundido de presença pictórica – repleto de padrões, listras e nuances concentradas” (1979, p. 176).” 

 

In Narrar a vida prosaica em Histórias com Matisse de A. S. Byatt , por Erika Viviane Costa Vieira.


Em tempo, a doença de Matisse era a artrite reumatoide.


Mentira mesmo!

Charge do dia


Amarildo 

O voo da arara

Fotografia


A arara pousa, descansa, observa e levanta voo. São registros felizes de Mercêdes Fabiana, fotógrafa atenta aos movimentos do jardim nesse início de primavera!



 






Nikon D7200
Lente Nikkor DX 18-300 mm

Peixe corneta

 Fotografia

Paula Vianna

  Ilha de Âncora - @buziosdivers

Búzios - Rio de Janeiro

terça-feira, 12 de outubro de 2021

O Silêncio da Chuva , o filme



 

O Silêncio da Chuva é o primeiro de longa série de romances policiais de autoria de Luiz Alfredo Garcia-Roza, publicado em 1996. Com este livro surge o personagem que ganhou fama nacional e internacional (o livro foi publicado em diversos países), o Inspetor Espinosa, protagonista de quase todas as histórias do autor. O romance ganhou o Prêmio Nestlé de Literatura Brasileira e o Prêmio Jabuti, duas das mais prestigiosas premiações da literatura brasileira.

Garcia-Roza, ex-professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro, autor de oito livros sobre psicanálise e filosofia, deixou perplexa a comunidade acadêmica ao abandoná-la e se tornar autor de ficção, mais precisamente do gênero romance policial. Sua morte, em abril de 2020, foi chorada nesse blog. Sou fã!  https://loucoporcachorros.blogspot.com/2020/04/morre-garcia-rosa.html

Surge agora o filme, uma adaptação da obra de Roza, com o mesmo título e direção de Daniel Filho, roteiro de Lusa Silvestre, cuja estreia ocorreu em setembro último.

Eu estava enganado. Lázaro Ramos dá um show. Relato aqui duas cenas curtas, logo no início do filme, que tratam do preconceito. Em rápido diálogo com um suspeito – é claro que houve um crime! –, o interlocutor pergunta a Espinosa, Por que você tem esse nome? Em outra conversa, uma mulher afirma irônica, Até que você fala direitinho! São duas manifestações de racismo, bem humoradas, pois o detetive se espanta mas não se ofende, suficientes para reafirmar definitivamente a escolha correta de Lázaro Ramos para o papel principal.

Nada pretencioso, o filme é muito bom! O elenco é de primeiríssima: além do Lázaro, Thalita Carauta, Cláudia Abreu, Mayana Neiva, Otávio Muller, Pedro Nercessian, Bruno Gissoni, Peter Brandão, Raquel Fabbri, Theresa Amayo, Késia Estácio, com participações especiais de Guilherme Fontes e Anselmo Vasconcellos.

            A fotografia de Felipe Reinhemmer é excelente, cenas do Rio de Janeiro. 

            Como assinalei, trata-se de adaptação do livro de Roza. O melhor da história não poderia mesmo ser transposto para um filme, dada a sua complexidade e amplitude: a personalidade do inspetor Espinosa. O filme se torna apenas um bom policial, com crime de difícil solução, trama bem contada, caça implacável ao assassino. 

            Sugiro que o leitor não deixe de ler o livro, editado pela Companhia da Letras.