sábado, 1 de fevereiro de 2020

morre a grande árvore



pavoroso estrondo 
tomba a grande árvore
pessoas morrem
cães morrem
árvores morrem
ainda que mais brando
vivo este luto
arrancada pela raiz
brutalmente
morre a grande árvore
a serra elétrica lhe despedaça o corpo 


quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Zoom da superfície do sol

A foto do dia


Cada célula da superfície solar registrada pelo telescópio
DKIST mede quase três vezes o tamanho do 
Estado de São Paulo.
Imagem: Divulgação/NSO/NSF/AURA


“A imagem é um close do plasma turbulento da superfície do Sol e foi tirada pelo maior telescópio já construído para observar a estrela, o Daniel K. Inouye (DKIST). 
O DKIST tem um espelho de quatro metros de largura - o dobro do tamanho de qualquer outro telescópio solar existente -, e está localizado a 3 mil metros de altura, no topo do vulcão Haleakala, na ilha havaiana de Maui.”

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Stabat Mater


O  Stabat Mater, do latim “Estava a mãe”, é uma prece ou, mais precisamente, uma sequentia católica do século XIII.
Há dois hinos chamados de Stabat Mater: o primeiro é conhecido como Stabat Mater Dolorosa, e fala do sofrimento de Maria ao pé da cruz.  
O segundo é denominado Stabat Mater Speciosa, e se refere ao nascimento de Jesus, de forma alegre. 
A expressão Stabat Mater, porém, é mais conhecida como referente ao sofrimento da mãe de Jesus.
O hino chamado de Dolorosa é um dos mais pungentes poemas medievais, sobre o sofrimento de Maria durante a crucificação. Ele é cantado em honra à Nossa Senhora das Dores. 
Vários autores compuseram sobre o tema Dolorosa, como  Palestrina, Pergolesi, Scarlatti, Vivaldi, Haydn, Rossini, Dvořák, Schubert, Liszt, Verdi e Perosi.
“O Dolorosa era bem conhecido já no final do século XIV e Georgius Stella escreveu sobre a sua utilização em 1388, com outros autores corroborando a afirmação mais para o final do século. Na Provença, por volta de 1399, ele era utilizado em procissões que duravam nove dias."  
          "Como sequência litúrgica, o Dolorosa foi suprimido pelo Concílio de Trento, mas retornou ao missal por ordem do papa Bento XIII, em 1727, na festa de Nossa Senhora das Dores.” 
“O hino mais alegre, Stabat Mater Speciosa ("A mãe permaneceu, bela") apareceu pela primeira vez numa edição de 1495 dos poemas de Jacopone da Todi. Porém, o Speciosa permaneceu praticamente esquecido até reaparecer no "Poètes Franciscains en Italie au Treizième siècle", em Paris. O Speciosa desde então tem sido visto como um dos mais doces hinos em honra a Maria e um dos sete grandes hinos latinos.” 




Recomendo fortemente aos amantes da música sacra que ouçam o Stabat Mater composto em 1985 por Arvo Pärt, autor estoniano. Clique em: 










Motivo de alegria


Clique para ampliar





Costumo pensar que pardal é como cachorro vira-lata. Passarinho vira-lata: ele é feio, de uma cor indefinida, seu canto não é bonito, mas tem uma resistência de cão! Além do que é brigão, valente, barulhento.
            Desconheço a razão pela qual os pardais nunca vieram à fonte do nosso jardim para banhar ou beber água. Vêm sabiás, bem-te-vis, beija-flores, rolinhas, canários, sabiás-do-campo, sabiás-poca, saís azuis, saíras amarelas, saíras-de-papo-preto, até pombas vêm à fonte, mas nunca os pardais.
            Ontem, pela primeira vez em mais de um ano, flagrei o casal de pardais banhando e bebendo água da fonte. Motivo de alegria.


Fotos: AVianna, jan 2010.
Nikon D7200
             

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Emoghyphs



Uma das peças da exposição. Foto: Isabel Kershner


“Exposição no Museu de Israel, em Jerusalém, Emoglyphs: Picture-Writing From Hieroglyphs to Emoji (Emóglifos: a escrita pictórica, do hieróglifo ao emoji, em tradução livre), mostra a aparentemente óbvia, e ao mesmo tempo complexa, relação entre o sistema icônico de comunicação da Antiguidade e a língua franca da era cibernética.” É o que revela a reportagem de Isabel Kershner, do New York Times / Jerusalém, para O Estado de S.Paulo (27 jan 2020). (Tradução de Roberto Muniz.)

“Sempre foi difícil explicar como se leem hieróglifos”, disse Shirly Ben Dor Evian, egiptóloga e curadora da mostra. “Mas hoje ficou mais fácil porque as pessoas estão escrevendo com desenhos. Por isso comecei a prestar atenção em emojis.” 
Evian notou que alguns emojis parecem hieróglifos. “Um cartaz na entrada da exposição contrapõe uma coluna de hieróglifos a uma de emojis. As similaridades são indiscutíveis e não há necessidade de tradução.” “A representação egípcia de um cão genérico tem uma semelhança muito próxima com um cão de emoji mostrado de perfil. Um pato, imagem frequentemente usada nos hieróglifos para simbolizar uma criatura alada, reaparece milhares de anos depois como um pato de emoji. E um homem dançando num emoji faz uma pose semelhante à de um dançarino de hieróglifo de 3 mil anos.”
“Hoje é mais fácil clicar num emoji que escrever uma palavra inteira”, afirmou Ben Dor Evian, que tem um aplicativo de hieróglifo no celular. Emojis são uma taquigrafia emocional. Pense no poder de um coração mandando um beijo, ou de uma cara cínica significando sarcasmo, quando ilustram um sentimento que uma inexpressiva mensagem de texto não consegue expressar.”
Em 2015, os Dicionários Oxford elegeram o emoji de um rosto com lágrimas de alegria como sua palavra do ano, dizendo que ele expressava “o comportamento, os sentimentos e as preocupações” do período.   
Há quem discorde: “Chaim Noy, professor de comunicações da Universidade Bar Ilan, em Tel-Aviv, considera simplista e populista falar em emoji como nova linguagem. Ele vê os símbolos apenas como uma espécie de linguagem corporal que suplementa o texto.”

Este blogueiro, que nada entende do assunto, como sempre, mas é mestre na arte de palpitar, fica com o ponto de vista do Prof. Chaim! Quando acessamos o Facebook, fica evidente que a generalizada utilização dos emojis empobrece a comunicação. Perco um bom tempo da manhã para escrever um texto de interesse geral, sobre ciência, por exemplo, publico no blog, e quem o acessa via Facebook coloca apenas uma mãozinha amarela com o polegar virado para cima. (Talvez por educação o polegar não está para baixo...)
O valor da escrita tem sido enaltecido ad nauseam neste blog. Enfatizo, sempre que posso, o que denomino Escrita terapêutica, que tem o poder de organizar nossos pensamentos, abrir a mente para novas perspectivas, pensar alternativas, utilizar realidade e ficção para expandir o “aparelho de pensar” (Bion) , acalmar o espírito. Não posso imaginar os emojis cumprindo tal tarefa. (O que pensaria Machado de Assis sobre isso tudo?)
Há uma agravante: quanto mais se usa o emoji, menos se escreve, até que um dia todos serão analfabetos.
Mesmo assim, gostaria muito de visitar a exposição em Jerusalém, e continuar pensando no assunto.


Ateliê de Helena Lopes


Arte de Helena Lopes já apareceu neste blog (30 dez 2018), a enaltecer a produção da artista plástica radicada em Brasília.  (https://loucoporcachorros.blogspot.com/2018/12/a-arte-de-helena-lopes.html)
            Agora voltamos a nossa amiga, para magnífica visita ao seu ateliê, na sua própria residência no Lago Sul, Brasília, em companhia de meu amigo Moisés. A casa em si mesma é uma obra de arte, decorada com enorme bom gosto, naturalmente. 
            


            Helena nos recebe em amplo salão, belíssimo, as paredes cobertas por obras da autora, em diversos momentos de sua produção. Ao fundo, Helena e Moisés.



Algumas obras em detalhe.


  

            Do mezanino podemos ver o ateliê propriamente dito, com três grandes quadros na parte mais alta da parede. Abaixo, a mesa de trabalho.



Mesa de trabalho.



Materiais de pintura cuidadosamente armazenados.



Bela criação despojadamente exposta.



A artista e o feliz blogueiro.

             Atualmente Helena está envolvida com interessantíssimo projeto, após sua recente visita ao campo de Auschwitz. Não estou autorizado a prestar maiores informações.
              Obrigado, Helena, por nos receber.


            

CAPES na mão de um criacionista




Sede da CAPES em Brasília

Para quem não sabe, a sigla CAPES significa Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. A entidade trata da formação de professores e da pós-graduação, elementos indispensáveis para a manutenção de um bom ensino superior no país.
            Pois agora a CAPES está na berlinda, não por alguma ação de destaque na área a que se destina, mas porque o ministro da educação nomeou para dirigi-la um adepto do criacionismo.
O Sr. Benedito Aguiar é ex-reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, instituição confessional onde seria aceitável o ensino da doutrina religiosa segundo a qual todas as espécies são obra de Deus, não tanto da seleção natural neodarwiniana.
Mas a coisa é ainda pior. O Sr. Aguiar é adepto do design inteligente, ou “criacionismo científico”, teoria que postula que uma inteligência superior rege a existência dos seres vivos. Cada um tem o direito de acreditar no que bem entende, mas isso não faz da teoria algo que segue o método científico.
Afirma Paulo Saldaña para a Folha de S.Paulo (24 jan 2010): “A mera possibilidade de que o presidente da Capes carreie recursos da instituição para fomentar estudos de inspiração religiosa e incompatíveis com a ciência contemporânea já seria motivo para não o indicar ao cargo.”
E se a CAPES  agora começa a barrar pesquisas que de algum modo possam contrariar as convicções religiosas de seu chefe? O país vai na contra mão do avanço científico apresentado pelas nações mais desenvolvidas hoje. Caminhamos em direção ao atraso.



segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Rapidinho


Era tão bom em escrever microcontos que a conversa com ele terminava sempre rápida e subitamente.

75 anos da libertação de Auschwitz



Wojtek Radwanski / AFP



Em 27 de janeiro de 1945 soldados soviéticos entraram no campo de concentração de Auschwitz,  encontraram prisioneiros em precárias condições de saúde, à beira da morte. Caixas de documentos relatando as atividades do campo também foram encontradas. Eram os chamadas de "livros da morte", cujo conteúdo só seria revelado em 1991, após o fim da União Soviética. Nesta segunda (27) celebra-se o aniversário de 75 anos da liberação de Auschwitz, onde mais de 1 milhão de pessoas foram mortas.
Afirma Rafael Balago (27.jan.2020), para a Folha de S.Paulo, que “depois de Nuremberg, foi criado o conceito de crimes contra a humanidade, como saída para uma questão: muitos oficiais nazistas tentaram se defender dizendo que apenas seguiam ordens. A mudança na lei internacional passou a permitir a responsabilização dos executores de extermínios em massa, sem subterfúgios.”
“Nos anos 1960, houve um novo julgamento de nazistas, e novos fatos. A partir de 1970, historiadores israelenses buscam mudar a forma como se registra a memória do que ocorreu. "Passou-se a valorizar mais as histórias individuais, em vez de citar os grandes números. No lugar de mostrar uma pilha de sapatos, conta-se a história de um par e de quem foi seu dono", explica Carlos Reiss, coordenador-geral do Museu do Holocausto de Curitiba.”
            “Nas últimas décadas, conforme o prazo de sigilo de documentos oficiais de vários países expirava, historiadores vão desvendando como várias nações e instituições se comportaram em relação ao Holocausto. "Por que os Aliados não bombardearam os campos ou ao menos as linhas por onde os trens levavam os prisioneiros?", questiona Fernando Lottenberg, presidente da Conib (Confederação Israelita do Brasil). "Falta saber mais também sobre o papel das indústrias alemãs, que forneciam gás para as câmaras, por exemplo". "Ainda há muito a entender sobre qual foi o envolvimento de outros países, como os da América Latina, que foram colaboracionistas", conta Maria Luiza Tucci Carneiro, professora da USP e coordenadora do projeto Arqshoah, que reúne documentos e depoimentos relacionados ao Holocausto.”
            O problema holocausto ainda não foi completamente resolvido. A bem da História, as investigações precisam continuar, por vários motivos, entre eles para que aquele horror não se repita.



Moisés volta ao blog!




Depois de longo interregno, voltamos a publicar microcontos de Moisés Tito Lobo Furtado, praticamente um especialista. Muita honra para este blog! Aqui vão eles.


Cura

Tudo na realidade o agredia. Aos poucos, foi se tornando imune aos fatos. Morreu atropelado.


Completamente inútil

Na natureza, são tantos os exemplos do gasto de energia em busca de beleza e alegria, que só um tolo poderia duvidar da importância desse desperdício para a sobrevivência.


Estrangeiro

Como foi bom ouvir aquela gargalhada em português!


Aberrações ópticas

As lentes que escolheu, para ver a sua realidade preferida, distorceram seu julgamento para longe e para perto.