terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Amor de Perdição




Roteiro para longa metragem

Título do filme: Amor de Perdição

Cena de abertura:
Aparente assalto, tiroteio intenso. Quarto todo decorado em vermelho, bastante suspeito. A jovem, bonita, sumariamente vestida, os seios à mostra, leva um tiro no pé. Grita de dor. Os bandidos fogem, resta um cadáver na cama de casal.
(A cena é longa, mais ou menos 15 minutos, sombria, antes de morrer o jovem reage com tiros, rajadas e mais rajadas de metralhadoras varrem a penteadeira, explodem vidros da única janela do quarto, marcas das balas nas paredes.)
(A cidade onde ocorrem estes fatos não é identificada, pode estar em qualquer lugar no mundo.)

2a cena:
Chegada da polícia. O cadáver é removido para o IML. Georgette conduzida ao pronto-socorro para tratar do ferimento no pé.

3a cena:
Dr. Hudson (George Clooney) dá o primeiro atendimento a Georgette (Scarlett Johansson): a bala transfixou o dorso do pé. Será preciso operar, alguns tendões foram rompidos, é preciso suturá-los, o que é feito pelo próprio Dr. Hudson. Georgette mostra-se muito agradecida e ambos trocam olhares cândidos.
(Cenário: sala de cirurgia com paredes azuis e um enorme foco no teto.) (Cena razoavelmente longa, para esticar o filme.)

4a cena:
Com o pretexto de examinar a moça, Hudson vai ao apartamento dela, o mesmo do início do filme, agora recuperado mas ainda decorado em vermelho. Segue-se longa tórrida cena de sexo, porque agora todos os filmes mostram tórridas cenas de sexo logo nos primeiros minutos, não sei bem por quê.
Georgette confessa que é garota de programa. Hudson afasta-se, magoado, mas acaba por sentir pena da garota. (Dr. Hudson é um bom homem, crédulo acima de tudo, além de muito religioso.) Promete ajudá-la no que for preciso.

5a cena:
Georgette em seu novo apartamento, alugado por Hudson. Decoração de bom gosto, discreta, em tons azuis. Mas ela continua “exercendo”, como dizia Jorge Amado.
Hudson e a garota discutem violentamente, ele sente ciúmes, chama-a de PUTA. A cena termina com longuíssimo meloso molhado beijo apaixonado.

6a cena:
Dois dias depois: Georgette liga aflita para Hudson, precisa de um favor urgente. A mãe vai chegar do interior para visitá-la e ela não terá como explicar o padrão de vida que leva, sendo prostituta. Implora a Hudson que finja ser o namorado que a sustenta. Hudson aceita! (Dr. Hudson é um bom homem, crédulo...)

7a cena:
A mãe, Dona Oswaldina (Susan Sarandon), chega. Reencontro feliz entre mãe e filha. Hudson é apresentado com orgulho. A mãe se emociona. A conversa entre eles flui sobre os mais diferentes assuntos.
Georgette serve fino jantar, regado a vinho branco e coca-light (Hudson só bebe coca-light à temperatura natural).
(Chegamos ao ponto central do drama. Os atores devem caprichar nas respectivas interpretações. Os diálogos devem ser rápidos e interessantes. A mãe lança olhares repletos de desejo para o genro. Georgette acha graça e Hudson mostra-se constrangido. Percebe que entrou numa fria... O jantar termina bem, porém persiste uma sombra de dúvida no olhar de Hudson.)
Depois de uma semana Dona Oswaldina despede-se agradecida e orgulhosa da filha, e volta para casa.

8a cena:
Georgette resolve deixar a vida fácil. Pede que Hudson se case com ela, agora de verdade, convite que é recusado com muito cuidado para não ferir os sentimentos da moça. A cena termina com um beijo delicado, em meio às lágrimas de Georgette.

9a cena:
Seis meses depois Georgette, pelo celular, pede socorro a Hudson, pois foi despejada do apartamento por falta de pagamento de aluguel, já que manteve a decisão de não mais prostituir-se. O resultado é que se encontra na miséria.
Hudson recusa o pedido de socorro, mas ao desligar o telefone tem intensa crise de consciência (cena que exigirá forte desempenho por parte de George Clooney).

Cena final:
Georgette, malvestida, sentada na areia, fuma um cigarro, o olhar perdido no horizonte, vê as ondas quebrarem na praia. Ao final, a câmera fixa-se nas volutas imagens da fumaça do cigarro.

Observação: Exceto a primeira cena, as outras são bem lentas,  para esticar o filme, o que será chique.


FIM


Em tempo: o filme foi dirigido por P. Viana e recebeu avaliações desfavoráveis de crítica e público.

2 comentários:

  1. Amei!!!!!!!!! kkkkkkkk
    Por um momento pensei que o P. pudesse ser meu, mas então notei o Viana, com um ene, então sorri ao saber que era o tio! kkkkk

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