terça-feira, 14 de abril de 2015

A morte do poeta



A morte

E o Poeta morreu.
A sombra do cipreste pôde enfim
Abraçar o cipreste.
O torrão
Caiu desfeito ao chão
Da aventura celeste.

Nenhum tormento mais, nenhuma imagem
(No caixão, ninguém pode
Fantasiar).
Pronto para a viagem
De acabar.

Só no ouvido dos versos,
Onde a seiva não corre,
Uma rima perdura
A dizer com brandura
Que um Poeta não morre.

                                                Miguel Torga

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. O poeta existiu mesmo, e morreu? Torga o admirava? Apenas força de expressão? Mania de português? Quando morre um poeta o mundo fica mais triste.

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