quarta-feira, 24 de março de 2021

Sorvete ao cair da tarde

Galeria de Família 


Forest Hill, Londres, 1987

Harmonia em vermelho

Meus quadros favoritos 


Henri Matisse (1908)


O motivo central da pintura é simples: o interior de uma sala onde uma mulher põe a mesa. A execução, no entanto, é complexa o bastante para atordoar o expectador.

            Antes de identificar o ambiente e os elementos que compõem o quadro, grita aos olhos a cor vermelha. O vermelho do papel de parede tem continuidade com a toalha da mesa, separados por uma fina linha horizontal que delimita os dois planos, embora à primeira vista se trate de um único plano. O efeito é espetacular! 

            Os ornamentos em azul presentes na tolha são os mesmos encontrados na parede, o que acentua o efeito que acabo de descrever. Frutas e outros objetos sobre a mesa ganham destaque com o amarelo. Em toda a pintura predominam as cores primárias: vermelho, azul e amarelo. 

            Palpite de amador: os ornamentos da parede e toalha parecem refletir a influência da arte japonesa, bem ao gosto de Matisse e van Gogh; a cadeira à esquerda, abaixo da janela, é semelhante a uma outra muito famosa, presente no “Quarto em Arles”, do holandês; homenagem ao mestre? 

            A mulher veste preto & branco, forma bastante criativa para diferenciá-la dos objetos inanimados.

            Não satisfeito com o espetáculo – o artista podia parar por aqui, e já teríamos uma grande obra – Matisse acrescenta uma janela onde predomina o verde. Sobre o verde, pontos amarelos como os que estão sobre a mesa. Ao fundo, uma casa. Mania de ex-psicanalista: Matisse dizendo: – Aqui estou eu!

            A Harmonia em Vermelho também conhecida como Toalha de Mesa, Mesa Posta, Quarto Vermelho e A Mesa de Jantar, em estilo fovista, é considerada por muitos críticos a obra prima de Matisse.  Encontra-se exporta no Hermitage, em São Petersburgo.

Chama o VAR

Charge do dia 


Kleber (Correio Brasiliense)

Sem título

Política sem palavras


Foto: Adriano Machado / Reuters


segunda-feira, 22 de março de 2021

Ah! os passarinhos

Ao meu amigo Moisés


Ardoroso fã de Darwin, estudioso da Evolução das Espécies, concluiu:

– No cume dessa evolução estão os passarinhos.

Sobre árvores e tucanos

 

Foto: Mercêdes Fabiana

 

Uma árvore morta tem sua serventia: não a derrube. Deixe que a natureza o faça, ressecando os galhos ao sol, apodrecendo-os com a chuva, para que se desfaçam lentamente. 

 

Uma árvore desfolhada tem sua serventia: sem as folhas para atrapalhar, os galhos nus são campos de pouso perfeitos para os desajeitados tucanos.

 

Tucanos são monogâmicos e os cuidados dispensados às crias são biparentais. Por isso afirmo que a fotografia acima mostra um casal – não há dimorfismo sexual –, pousado em altos galhos, a planejar o destino do próximo voo ou esperar pela chegada do bando, já que a espécie tem comportamento altamente social. 

 

Desde criança me pergunto para que o tucano precisa de um bico tão grande. Ainda hoje sinto o medo infantil que durante o voo ele embique em direção ao solo e se esborrache com o bico enterrado no chão. 

 

Quando vejo o casal na árvore desfolhada, muitas vezes debaixo de sol escaldante, agora sei que o tal bico desproporcionalmente grande, porém bem leve, de um colorido exuberante, tem função termorreguladora, pois funciona como dissipador de calor.

 

A fotografia acima me parece bela por três razões. Primeiro porque revela a utilidade de uma árvore morta que ainda preserva seus galhos ressequidos; segundo, serve de pouso aos desajeitados tucanos; em terceiro lugar, porque é bela por si mesma: o fundo branco – tirada na contraluz –, o contraste com os galhos negros, o forte colorido dos bicos, dois tucanos conversando a conversa de tucanos.

 

A fotografia abaixo para mim é ainda mais bela porque foi tirada por minha mulher.


domingo, 21 de março de 2021