sexta-feira, 30 de outubro de 2020

como se fosse


 



caminho pelo jardim

e vejo as coisas

como se as visse

pela última vez

o mogno gigante

o abacateiro a mangueira o limoeiro

as flores, ah as flores

sabiás bem-te-vís pardais joões-de-barro

brincam à roda de mim

tudo me parece belo

tão familiar que faz parte de mim

velho e novo ao mesmo tempo

acaricio meus cães 

como se fosse a derradeira vez

não sinto pena

não sinto saudade

o que sinto é amor

por meus cães

pelo meu jardim 

 

Vacinação em descrédito


 


Em outubro, apenas 5 milhões de crianças 

de até 5 anos de idade receberam o imunizante. 

A meta para o mês era aplicar pouco mais 

de 11 milhões de doses. Getty Images



Campanha de vacinação contra a poliomielite termina e não atingiu metade da meta para o período (UOL, 30 out 2020). O Brasil não tem a circulação da polio desde 1994, mas é necessário que as taxas de vacinação alcancem as metas do Governo Federal. Será que as pessoas se esqueceram das medonhas sequelas deixadas por essa doença?

            Triste e preocupante o descaso com que a população vem negligenciando os programas de vacinação estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Suponho que tenham influência sobre tal atitude a própria pandemia, a falta de confiança no comando do Ministério da Saúde, a ausência de uma voz que inspire liderança em todo o governo; as trapalhadas inconsequentes, burras, irresponsáveis, a politização da vacina, quer seja contra o coronavírus ou qualquer outra doença, diariamente cometidas pelo presidente da república acabam também por desmoralizar a vacinação, especialmente para aqueles que não aprenderam a pensar.

            As instituições médicas, universidades, o Congresso Nacional, precisam se manifestar contra isso, reafirmando a necessidade da imunização.

            As pessoas continuam acreditando em astrologia, mas descreem da vacina!

            Por ora os negacionistas vencem, as crianças adoecem, os adultos morrem. O Brasil caminha para trás. 

 

 

https://cultura.uol.com.br/noticias/13751_campanha-de-vacinacao-contra-a-poliomielite-termina-e-nao-atingiu-metade-da-meta-para-o-periodo.html

 


Pessegueiros em flor

Meus quadros favoritos 

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Vincent van Gogh, 1889


Peixe cofre e coral mole

Fotografia 

Clique para ampliar!



Foto espetacular de Paula Vianna

Ilha da Âncora, Búzios, RJ

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Nietzsche hoje

 


 

Cansadas, exaustas mesmo desses tempos de peste, acossadas pelas dificuldades materiais de toda ordem, pelo medo da morte, diante de uma praga que persiste, prevalece, avança inexorável, reaparece quando supúnhamos exterminada, enfim, diante do desconhecido, as pessoas perguntam Qual o sentido disso tudo?

A resposta não é fácil, nunca é fácil. Vem em minha ajuda o livrinho – porque é pequeno, 150 páginas – de Viviane Mosé intitulado Nietzsche Hoje – sobre os desafios da vida contemporânea (Ed. Vozes, 2018). Uma preciosidade para quem se interessa pelo filósofo alemão, comentado com palavras amigáveis de Viviane.

Qual o sentido disso tudo? Viviane Mosé escreve à página 55:

 

“No fundo, todos sabemos que não é o sentido, a verdade, mas a ausência de sentido e verdade o fundamento de tudo o que vive. Somos parte desse jogo complexo que se chama vida, não um ser de fora capaz de julgar: por mais que o pensamento, a razão, a ciência, possam construir cidades, ferramentas, produtos, ainda somos animais presos à determinação natural, atados a infinitas galáxias em um processo muito maior do que nós e que nos inclui.

O projeto filosófico de Nietzsche é, portanto, uma crítica da civilização em nome da afirmação da vida. A vida em si mesma é o valor que deve ser afirmado, o desafio do instante; todo o resto é narrativa, interpretação, e deve ser tido como tal. Podemos aprender sobre a vida se nos dedicarmos a lê-la. Mas quanto de verdade ousa um espírito? Quanto de verdade suporta?

 

            

            A densidade e clareza desse pequeno trecho dão mostra de quanto a autora nos facilita a compreensão do pensamento nietzscheano, incluindo o tão discutido sentido do niilismo. Nietzsche defende ardorosamente a “afirmação da vida”, “o desafio do instante” a ser vivido. 

            Vale a pena conferir Nietzsche Hoje, de Viviane Mosé.

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Gato curioso

 


Ótimo instantâneo!

Foto: Cecília Vianna (27 out 2020)




Paula ganha mais um prêmio





Paula acaba de ganhar mais um concurso de fotografia, patrocinado pelo IPA – International Photography Awards, categoria amador, foto sub.

A fotografia não é recente, foi tirada na Austrália, na Grande Barreira de Corais, onde a fotógrafa residiu por uma ano. Mas continua encantando as pessoas! 

Mantenho uma reprodução dela em frente ao meu comutador, onde escrevo diariamente, para meu orgulho, alegria e inspiração. 




Menino conduzindo cavalo

Meus quadros favoritos 



Pablo Picasso


Na única visita que fiz a Whashington DC, há muitos anos, este quadro estava em exposição na National Gallery of Art, localizada no fantástico National Mall. 

Me lembro bem: parei diante da pintura de grande dimensão, extasiado, impactado pela força do quadro, e lá permaneci por longo tempo, verdadeiramente emocionado. Experiência inesquecível.

Prêmio Camões 2020

 


Vítor Aguiar e Silva, teórico português, é o vencedor

do Prêmio Camões 2020  Foto: Universidade de Coimbra

 

Vítor Aguiar e Silva, professor, teórico e escritor português foi o ganhador do Prêmio Camões 2020, anúncio feito pela ministra da Cultura de Portugal, Graça Fonseca. 

Vítor Aguiar e Silva é pesquisador da literatura portuguesa dos séculos 16 e 17, bem como da obra de Luís de Camões e das metodologias literárias. 

“A atribuição do Prêmio Camões a Vítor Aguiar e Silva reconhece a importância transversal da sua obra ensaística, e o seu papel ativo relativamente às questões da política da língua portuguesa e ao cânone das literaturas de língua portuguesa”, explica a ata do Prêmio.” 

 

https://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,portugues-vitor-aguiar-e-silva-e-o-premio-camoes-2020,70003491036

 

 

O Prêmio Camões, criado em 1988, elege a cada ano um escritor de um país onde a língua portuguesa é oficialmente falada.

Adoro listas!

 

Lista de brasileiros ganhadores do Camões: 

 

João Cabral de Melo Neto (1990) 

Rachel de Queiroz (1993)

Jorge Amado (1994)

Antonio Candido (1998) 

Autran Dourado (2000) 

Rubem Fonseca (2003)

Lygia Fagundes Telles (2005)

João Ubaldo Ribeiro (2008)

Ferreira Gullar (2010)

Dalton Trevisan (2012)

Alberto da Costa e Silva (2014)

Raduan Nassar (2016)

Chico Buarque (2019)

 

De Portugal foram premiados: 

 

Miguel Torga (1989)

Vergílio Ferreira (1992)

José Saramago (1995)

Eduardo Lourenço (1996)

Sophia de Mello Breyner Andresen (1999)

Eugénio de Andrade (2001)

Maria Velho da Costa (2002)

Agustina Bessa-Luís (2004)

António Lobo Antunes (2007)

Manuel António Pina (2011)

Hélia Correia (2015)

Manuel Alegre (2017) 

 

Os escritores africanos:

 

José Craveirinha (Moçambique, 1991)

Pepetela (Angola, 1997)

José Luandino Vieira (Angola, 2006, recusou)

Arménio Vieira (Cabo Verde, 2009)

Mia Couto (Moçambique, 2013)

Germano Almeida (Cabo Verde, 2018) 

 

https://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,vencedor-do-premio-camoes-sera-anunciado-nesta-terca-27-veja-quem-ja-ganhou,70003489623

 

terça-feira, 27 de outubro de 2020

A enologia é uma fraude?

 

A coluna de Marcos Nogueira para Cozinha Bruta, da Folha de S. Paulo (22 out 2020), intitulada “Restaurante vende garrafa de R$ 11 mil, serve vinho da casa e cliente nem percebe”, há de interessar aos bebedores de vinho, além de ser deliciosa. Relata ele:

 

“Deu na revista inglesa “Decanter”, uma das publicações mais sérias sobre vinhos no mundo: em Nova York, os garçons de um restaurante serviram por engano o vinho da casa, de R$ 100, a um grupo que havia pedido uma garrafa de R$ 11,2 mil. Foi no Balthazar, bistrô do SoHo que atrai tanto turistas durangos quanto gente com dinheiro.

Duas mesas chegaram mais ou menos ao mesmo tempo. Numa delas, um casal jovem que pediu o vinho mais barato de todos; na outra, foi comandada uma garrafa de Château Mouton-Rotschild 1989, o item mais caro do restaurante. Os clientes eram gente de Wall Street. Os garçons puseram os dois vinhos em decanters (garrafas sem identificação) idênticos. Serviram o vinho barato para os caras do mercado financeiro, e o outro para o casalzinho que só queria comer e dar risada. ...Nenhuma das mesas percebeu a troca. Um dos sujeitos que pediram o vinho caro teria chegado a elogiar a “pureza” do vinho de cem contos. Foi a própria equipe do Balthazar quem detectou a mancada – e deixou os vinhos de graça para todo mundo.”

 

https://cozinhabruta.blogfolha.uol.com.br/2020/10/22/restaurante-vende-garrafa-de-r-11-mil-serve-vinho-da-casa-e-cliente-nem-percebe/

 

         O assunto é importante, tanto que mereceu a crônica de hoje de Hélio Schwartsman, também para a Folha (26.out.2020), com o bombástico título – ele é especialista em manchetes! – A enologia é uma fraude? Depois de comentar sumariamente sobre o que escreveu Marcos Nogueira, Schwartsman expõe sua ideia:

 

“O problema, como sempre, são os nossos cérebros. Quando eles não têm informações suficientes para emitir um juízo, catam qualquer pista que esteja à mão, seja ela relevante ou não, e proferem seu parecer como uma conclusão irrefutável.

A dificuldade, no caso da enologia, é que o paladar e o olfato humanos não são bons o bastante para julgar vinhos, pelo menos não no nível que os "sommeliers", com seu vocabulário rebuscado e esnobe, fazem crer que é possível. Aí o cérebro, para não ficar mal, apela para rótulos, preços, críticas etc.”

 

Então Schwartsman recorre à Ciência:

 

“Estudos da psicologia do gosto, iniciados nos anos 60 por Rose Marie Pangborn, só não acabaram de vez com a reputação da indústria enológica porque não são muito divulgados. Pangborn mostrou que bastava adicionar um pouco de corante a vinhos brancos para deixar os especialistas completamente perdidos.
Na sequência, outros trabalhos revelaram que, em copos escuros, estudantes de enologia não conseguem mais distinguir vinhos brancos de tintos e que basta trocar os rótulos das garrafas para que especialistas rasguem elogios a vinhos "objetivamente" medíocres.

No caso de Nova York, a pista mais conspícua era o preço.” 

 

         Longe, muito longe de me considerar um enólogo, adquiri certo hábito que talvez possa interessar. A primeira prova, depois que o vinho é colocado em um decanter, pode ser enganosa. Degusto, faço minha avaliação, mantenho o silêncio, e prossigo bebendo. Lá pelo meio da garrafa, posso confirmar a primeira impressão ou descartá-la completamente. (Às vezes nem chego ao final da garrafa.)

         Não sei como explicar tal experiência. Talvez o cérebro precise de algum tempo para chegar à conclusão definitiva e sempre pessoal sobre a qualidade do vinho.

 

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2020/10/a-enologia-e-uma-fraude.shtml