quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Crime à luz do dia

A foto do dia

Movimentação de dragas para mineração 

no rio Madeira

Bruno Kelly/Reuters

 

 

Centenas de balsas de dragagem operadas por garimpeiros empreendem uma corrida por ouro no rio Madeira, importante afluente do rio Amazonas, navegando por vários quilômetros enquanto as autoridades estaduais e federais discutem quem é responsável por impedir a ação ilegal.

 

https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2021/11/centenas-de-balsas-de-garimpo-avancam-no-rio-madeira-na-amazonia.shtml

 

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Ainda a máscara...

 



Diferentes personalidades e a Covid-19

A diferença entre...

Charge do dia


 
Nando Motta

Antártica no centro

Eu amo mapas 


Mapa centrado na Antártica

Estranhas palavras

 

Uma palavra estranha: misocinesia. O radical miso indica raiva, ódio; cinesia se refere a movimento. “Em resumo: os pequenos gestos irritantes dos outros que disparam nossos gatilhos de ódio”. É o que afirma Leandro Karnal, para O Estado de S.Paulo (24 nov 2021), na bela crônica intitulada O diabo das pequenas coisas.

Ao pé da letra, portanto, misocinesia significa “ódio aos movimentos”, uma forte resposta emocional negativa a movimentos pequenos e repetitivos de outras pessoas. Trata-se de condição comum: estudo publicado no periódico Scientific Reports mostrou que um terço da população é misocinésica.

Karnal faz referência a uma segunda palavra igualmente estranha: misofonia. “Sons como o estalar de dedos e outros podem despertar em algumas pessoas um ataque de fúria”, explica ele.

Como surgem, pergunta Karnal.  “Segundo o estudo da UBC, é que nossos neurônios-espelhos seriam ativados com a repetição. São os que impulsionam a seguir o que estamos presenciando. Sumeet M. Jaswal e Todd Handy, pesquisadores do tema, reconhecem que não sabemos exatamente por que a irritação cresce tanto em algumas pessoas.”

Agora a parte mais interessante dessa história. Segundo Karnal, “Santa Teresinha do Menino Jesus, a popular doutora da Igreja, afirmava que sofria de misocinesia. Tinha antipatia por uma religiosa no claustro e o simples fato de a confreira agitar seu rosário a irritava. ... No mesmo texto que ela identifica o horror do simples manejo das contas do rosário, a mística católica indica a solução. Passou a combater a antipatia. Criou reação oposta: todas as vezes que cruzava com a freira que a irritava, Teresinha sorria e manifestava alguma fala simpática e de acolhimento. A religiosa chegou a perguntar a ela sobre o sorriso, desconfiada. Nossa ex-irritada combateu sua disposição de antipatia e a transformou em empatia treinada e eficaz. Uma autossugestão funcional.” 

De fato, reconhecer o problema em si próprio constitui o primeiro passo para a solução. Entretanto, esta mesma solução não vem com facilidade, automática, só porque agora eu sei que que o problema existe. (Talvez isso funcione no caso de uma Santa...) Difícil “domesticar” nossos sentimentos, em especial o ódio profundamente enraizado em nós. 

Nas situações mais graves, quando o distúrbio acarreta intenso sofrimento psíquico, a abordagem psicanalítica pode ajudar. Quando analista e analisando podem trabalhar, quando a dupla analítica funciona, é possível encontrar no Inconsciente as verdadeiras razões para comportamentos estranhos, definidos por palavras estranhas. 

 

 

https://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,o-diabo-das-pequenas-coisas,70003906723

 

terça-feira, 23 de novembro de 2021

Eu sou trezentos...





Eu sou trezentos, sou trezentos e cinquenta,

As sensações renascem de si mesmas 

[sem repouso,

Ôh espelhos, ôh Pireneus! ôh caiçaras!

Si um deus morrer, irei no Piauí buscar outro!

 

Abraço no meu leito as melhores palavras,

E os suspiros que dou são violinos alheios;

Eu piso a terra como quem descobre a furto

Nas esquinas, nos taxis, nas camarinhas 

[seus próprios beijos!

 

Eu sou trezentos, sou trezentos e cinquenta,

Mas um dia afinal eu toparei comigo...

Tenhamos paciência, andorinhas curtas,

Só o esquecimento é que condensa,

E então minha alma servirá de abrigo.

 

Mário de Andrade

In Remate de males (1930)

De pauliceia desvairada a lira paulistana

Martin Claret, 2016.

 

Tamanho da Austrália

 Eu amo mapas


Comparação entre Austrália e Mediterrâneo



Entre Austrália e Europa

Uma pergunta idiota

 

“Lula faz da defesa de ditaduras a sua cloroquina”.  Este o ótimo título da crônica de hoje de Josias de Souza, colunista do UOL (23 nov 2021).

Afirma Souza: “A recente viagem de Lula à Alemanha, Bélgica, França e Espanha resultou num êxito político retumbante. ...De repente, exausto da própria liderança, Lula resolveu fazer gols contra. Depois de ser recebido com pompa por lideranças das mais festejadas democracias europeias, o presidenciável do PT afagou as ditaduras da Nicarágua e de Cuba numa entrevista ao diário espanhol El Pais.”

            "Por que Angela Merkel pode ficar 16 anos no poder, e Daniel Ortega não?", disparou Lula durante a entrevista. 

Difícil imaginar pergunta mais primária, infantil mesmo. A comparação é no mínimo ridícula. Daniel Ortega estabeleceu regime de terror na Nicarágua, com enorme quantidade de assassinatos. Reelegeu-se pela quarta vez, após encarcerar sete opositores. Ele é o retrato da corrupção e do autoritarismo.

Merkel, dona de biografia impressionante na condução do governo alemão, respeitadíssima em todo o mundo, manteve-se no poder através de eleições absolutamente democráticas, obedecendo fielmente à constituição do seu país e à vontade do povo. 

Por quê Lula defende tanto as ditaduras de Cuba e Nicarágua, em contradição com o todo o mundo democrático?

E eu estava quase acreditando que ele havia mudado...

            

 

https://noticias.uol.com.br/colunas/josias-de-souza/2021/11/23/lula-faz-da-defesa-de-ditaduras-a-sua-cloroquina.htm

 

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

O velho e bom Enem




 

O sempre competente Josias de Souza, para o UOL (22 nov 2021), matou a charada: “a tese segundo a qual o Enem passou a ter a cara do governo Bolsonaro era apenas mais uma mentira do presidente da República. A prova aplicada neste domingo tinha muitas coisas, exceto o semblante do governo. A má notícia é que Bolsonaro não deve desistir do projeto de converter o Enem numa deformidade à imagem e semelhança da sua administração.”

            Uma grata surpresa as notícias sobre este Enem em curso! O tema de redação muito pertinente, com grande alcance social, em busca do direito à cidadania para todos, inclusive para aqueles que não dispõem de documentos de identificação! 

            A questão de número 60 não poderia ser mais apropriada para o momento que vivemos:

 

“Vocês que fazem parte dessa massa

Que passa nos projetos do futuro

É duro tanto ter que caminhar

E dar muito mais do que receber

Ê, ô, ô, vida de gado

Povo marcado

Ê, povo feliz!”

        Zé Ramalho

 

            Outros temas abordados: pandemia, fome, ameaça às populações indígenas, racismo, minorias vulneráveis. Além de Zé Ramalho, obras de Chico Buarque e Gonzaguinha foram utilizadas na prova. Tudo que o presidente não gosta e vira a cara!

            Era mais uma mentira do presidente, cortina de fumaça para esconder o fracasso da recente política internacional no G20 e Oriente Médio, em contraste com o sucesso do adversário na Europa.

            Mas nada disso bate a Mentira do Século: “A Amazônia é úmida e não pega fogo.”

 

 

https://noticias.uol.com.br/colunas/josias-de-souza/2021/11/22/enem-com-a-cara-do-governo-era-so-mais-uma-mentira-de-jair-bolsonaro.htm


Quando o santo diz não

Charge do dia


 
Autor não identificado.