Ele trazia no pescoço uma cruz de madeira. Pensava que ela talvez sugerisse humildade.
sexta-feira, 11 de junho de 2021
São Roberto Belarmino, padroeiro dos negacionistas
Roberto Belarmino (Roberto Francesco Romolo Bellarmino), cardeal jesuíta italiano, foi uma das mais importantes figuras da Contra-Reforma; por suas obras, foi canonizado em 1930 e proclamado Doutor da Igreja.
Belarmino nasceu em Montepulciano, filho dos nobres empobrecidos Vincenzo Bellarmino e Cinzia Cervini, que era irmã do Papa Marcelo II. Tornou-se noviço em 1560, mas foi em Pádua que Belarmino iniciou seu sistemático estudo de Teologia.
Clemente VIII tinha grande confiança em Belarmino e fez dele reitor do Colégio Romano em 1592, examinador de bispos em 1598 e cardeal no ano seguinte. Logo depois, Clemente fê-lo cardeal-inquisidor e foi nesta função que Belarmino serviu como um dos juízes de Giordano Bruno, concordando com a decisão de queimá-lo na estaca como herético.
Em 1616, por ordem de Paulo V, Belarmino convocou Galileu Galilei, notificou-o sobre um vindouro decreto da Congregação do Index condenando a doutrina de Nicolau Copérnico de que a Terra se movia e que o sol era imóvel, ordenando-o que a esquecesse. Os arquivos do Vaticano preservam uma cópia não assinada de uma injunção formal muito mais dura que teria sido entregue a Galileu logo após a admoestação de Belarmino ordenando-o a "não manter, ensinar ou defender" a doutrina condenada"de forma nenhuma, seja oralmente ou por escrito" e ameaçando-o com a prisão se ele se recusasse a obedecer. Galileu obedeceu.
Certa feita Belarmino escreveu ao heliocentrista Paolo Antonio Foscarini:
“Eu diria que, se existisse uma verdadeira demonstração de que o sol está no centro do mundo e que a terra está no terceiro céu e que o sol não circunda a terra, mas é a terra que circunda o sol, então teríamos que proceder com grande cuidado ao explicar as Escrituras que parecem dizer o contrário afirmando ao invés disso que nós não as entendemos e não que o que elas demonstram é falso. Mas eu não acreditarei que existe uma demonstração assim até que uma me seja apresentada.”
Já idoso, Belarmino foi nomeado bispo de Montepulciano, depois do que ele se aposentou no Colégio Jesuíta de Santo André, em Roma, onde morreu em 17 de setembro de 1621, aos setenta e oito anos.
Aceitei a sugestão do meu amigo Dr. Leopoldo dos Santos Neto, médico e professor cultíssimo, estudioso da Vida dos Santos, que declarou São Roberto Belarmino o padroeiro dos negacionistas! Perfeita sugestão pela façanha: o homem queimou Giordano Bruno e calou Galileu!
https://pt.wikipedia.org/wiki/Roberto_Belarmino
quinta-feira, 10 de junho de 2021
Saudosista
Entre reclamar que não se fazem mais rolhas como antigamente, e a maravilha que é a Internet, ele ficou com a primeira opção.
Mentira e verdade
Ao comentar as mentiras que são ditas CPI da Covid, Hélio Schwartsman (8 jun 2021) traz informação importante sobre a natureza humana:
“Meu intuito hoje é desmitificar um pouco a carga moral negativa que pesa sobre o engodo. Por mais doloroso que seja reconhecê-lo, a fraude está inscrita em nosso DNA. Mais até, está inscrita na natureza. Camuflagem, mimetismo e tanatose (fingir-se de morto) são alguns dos mecanismos pelos quais seres vivos tentam ludibriar predadores e presas. ”
O que há de mais interessante no comportamento humano com relação à mentira diz respeito aos bebês e crianças:
“Como ensina o psicólogo Robert Feldman, bebês com só seis meses já simulam choro para atrair a atenção dos pais. Entre os três e sete anos, crianças submetidas a experimentos em que se comprometem a não espiar às escondidas um objeto que precisam identificar desobedecerão à regra em 82% das ocasiões e mentirão sobre isso em até 95% das vezes.”
É evidente que Schwartsman não faz a apologia da mentira, apenas reconhece o fenômeno, e conclui:
“Existem vários tipos de mentira. Há desde as socialmente necessárias — você não deve falar mal da comida de seu anfitrião mesmo que ela esteja intragável— até as assassinas. Não vamos acabar com as mentiras, que são parte do mundo, mas devemos nos esforçar para bani-las ao menos dessas esferas mais estratégicas.”
A Psicanálise trata do tema Verdade e Mentira desde Freud, quando na interpretação dos chistes ele assinala a existência do “mentiroso que fala a verdade”. W.R.Bion destaca em Cogitações(Imago Editora, 2000), em texto intitulado Necessidade de verdade e necessidade de reajustar constantemente os desajustes (1959), aspecto fundamental:
“Os procedimentos psicanalíticos pressupõem que haja, para o bem-estar do paciente, um constante suprimento de verdade, tão essencial para sua sobrevivência quanto o alimento é essencial para a sobrevivência física. Além disso, pressupomos que uma das precondições para sermos capazes de descobrir a verdade, ou pelo menos para procurá-la na relação que estabelecemos conosco e com os outros, é descobrirmos a verdade sobre nós mesmos.”
Quão longe dessas ideias estão nossos políticos que mentem descaradamente, em público, em defesa de interesses escusos. Eles não sabem que a Verdade é o alimento do espírito.
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2021/06/mentiras-na-cpi.shtml
quarta-feira, 9 de junho de 2021
Safado esperto
Como não se indignar com a notícia publicada na primeira página da Folha de S. Paulo no último domingo (6 jun 2021)? Em plena pandemia que assola o país, com mais de 15 milhões de desempregados, o auxílio emergencial representa a precária tábua de salvação para tantos brasileiros desvalidos.
Surge então o safado esperto, a se aproveitar da boa fé dos que creem, e promete a recompensa na outra vida em troca do auxílio. Talvez ele espere mesmo que, vivendo mal, alimentando-se mal, em péssimas condições de moradia, sem saneamento básico e água encanada, o safado esperto talvez espere que seja breve a sobrevivência do fiel. E que, até a morte, tudo seja doado à igreja. Sua única preocupação é o dinheiro que pode arrancar do semelhante.
Aqui não há Teologia alguma. Até mesmo um ateu pode reconhecer que Religião não é isso. Isso é crime.
segunda-feira, 7 de junho de 2021
Bactérias restauram Michelangelo
Donata Magrini, Anna Rosa Sprocati, Daniela Manna, Paola D'Agostino, Monica Bietti e Marina Vincenti (da esq. para dir.), da equipe, formada exclusivamente por mulheres, que usou bactérias para limpar obras de Michelangelo - Gianni Cipriano/NYT
“Michelangelo ganha limpeza realizada por uma salada bacteriana em Florença – Micróbios são usados no processo de retirada de resíduos nas obras do renascentista na Capela Médici”. Esta a manchete da reportagem de Jason Horowitz, de Florença, para The New York Times, com tradução de Paulo Migliacci, publicada hoje na Folha de S.Paulo.
“Já em 1595, descrições de manchas e descolorações começaram a aparecer em relatos sobre um sarcófago na graciosa capela que Michelangelo criou como repouso final para os membros da família Médici. Nos séculos seguintes, o gesso usado para copiar incessantemente as obras-primas que ele esculpiu por sobre as tumbas deixou resíduos que causaram descoloração. As paredes brancas e ornadas que ele concebeu perderam o brilho.”
“Enquanto o vírus se espalhava lá fora, restauradores e cientistas discretamente colocaram em ação micróbios dotados de bom gosto e incrível apetite, espalhando-os sobre o mármore e transformando a capela deliberadamente em uma salada bacteriana.”
“Foi tudo feito em segredo”, disse Daniela Manna, uma das restauradoras, que atribui a sujeira a Alessandro Médici, que governou Florença, morreu assassinado e teve seu corpo sepultado no sarcófago sem ser devidamente eviscerado. Ao longo dos séculos, os resíduos que seu corpo produziu vazaram para o mármore de Michelangelo, criando manchas profundas, e mais recentemente oferecendo um banquete ao produto de limpeza preferido na capela, uma bactéria chamada Serratia, a SH7."
“Anna Rosa Sprocati, bióloga da Agência Nacional Italiana de Novas Tecnologias, escolheu a bactéria mais adequada entre as quase mil variedades disponíveis, usadas mais frequentemente para romper moléculas de petróleo em casos de derramamento ou reduzir a toxicidade de metais pesados. Algumas das bactérias disponíveis em seu laboratório comiam fosfatos e proteínas, mas também o mármore de Carrara preferido por Michelangelo, e não foram selecionadas.”
"Em seguida a equipe de restauração testou as oito variantes mais promissoras, atrás do altar, em uma pequena palheta retangular sobre a qual foram pintadas fileiras de quadrados, como uma cartela de bingo. Todas as bactérias selecionadas para teste são inofensivas para seres humanos e não têm esporos."









