sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Prova de morte

Morto há 12 h, a mulher o levou ao banco em cadeira de rodas para fazer prova de vida e sacar sua aposentadoria. Policial atestou a morte.

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Antonieta de Barros criou o Dia do Professor


Antonieta de Barros, primeira mulher negra eleita no Brasil, criou o Dia do Professor

Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina

 

 

O Dia do Professor, celebrado em todo o Brasil, foi instituído por Antonieta de Barros, uma das três primeiras mulheres eleitas no Brasil, a única negra. A reportagem é de Aline Torres para El País (14 out 2020).

         Antonieta de Barros “foi eleita em 1934 deputada estadual por Santa Catarina, mesmo ano que a médica Carlota Pereira de Queirós foi eleita deputada federal por São Paulo. Sete anos antes, Alzira Soriano havia sido eleita prefeita num pequeno município do Rio Grande do Norte, primeiro estado a permitir disputas femininas.”

Nasceu em Desterro, como era chamada Florianópolis, no dia 11 de julho de 1901. Pai desconhecido. A mãe era Catarina Waltrich, escrava liberta, lavadeira. 

“A bandeira política de Antonieta era o poder revolucionário e libertador da educação para todos. O analfabetismo em Santa Catarina, em 1922, época que começou a lecionar, era de 65%. Isso que o Estado, sobretudo pela presença alemã, aparecia com um dos índices mais altos de escolarização do país, seguidos por São Paulo.”  

“Professora formada, tinha 17 anos quando fundou o curso particular “Antonieta de Barros”, com o objetivo de combater o analfabetismo de adultos carentes. Sua crença era que a educação era a única arma capaz de libertar os desfavorecidos da servidão. ...Além de professora, virou cronista. ...Escrevia sobre educação, os desmandos políticos e a condição feminina. Dizia que as mulheres não deveriam ser “virgens de ideias”.

Em 1937, publicou o livro Farrapos de Ideias. Os lucros da primeira edição foram doados para construção de uma escola para abrigar crianças, filhas de pais internados no leprosário Colônia Santa Tereza. A obra teve outras duas edições.”

“A primeira grande lei educacional do Brasil foi sancionada por dom Pedro I em 15 de outubro em 1827, um marco para a educação brasileira. A data era comemorada informalmente, mas foi um projeto de Antonieta a lei que criou o Dia do Professor e o feriado escolar nessa data (Lei Nº 145, de 12 de outubro de 1948), em Santa Catarina. A data seria oficializada no país inteiro somente 20 anos depois, em outubro de 1963, pelo presidente da República, João Goulart.” 

“A grandeza da vida, a magnitude da vida, gira em torno da educação”, escreveu em seu livro. 

Vale a pena ler a reportagem completa.

 

https://brasil.elpais.com/opiniao/2020-10-15/antonieta-de-barros-a-parlamentar-negra-pioneira-que-criou-o-dia-do-professor.html

 

 

Dia do Professor
















Porque hoje é Dia do Professor, vou colecionar as felicitações que recebo. 
    Tenho orgulho de ter sido professor por quase toda a minha vida adulta. Agora, na velhice, faço força para esquecer a mania de ser professor: ninguém se interessa mais por algo que eu possa ensinar; e ninguém merece. Então, só me resta aprender, no tempo que me sobra.
    Felicidades a todos os Professores!

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Pergunta difícil

Charge do dia 



André Dahmer

O Abraço

Fotografia 


O Abraço, de Sergey Gorshkov

Sergey Gorshkov/Wildlife - Photographer of the Year

 

 

A reportagem é de Jonathan Amos, da BBC News Brasil (14.out.2020). 

O russo Sergey Gorshkov consegue fotografar um tigre-siberiano (ou tigre-de-amur) em uma floresta do extremo leste da Rússia. 

A imagem "O Abraço" venceu o prêmio Wildlife Photographer of the Year. “A tigresa parece abraçar a árvore, ao esfregar na casca para deixar seu cheiro e marcar território no Parque Nacional de Leopardos.” 

“O mais extraordinário é que esta é uma imagem de armadilha fotográfica. O equipamento foi instalado na floresta e deixado por meses, esperando para ser acionado automaticamente quando um tigre passasse.

         Os tigres da Rússia Oriental foram caçados até quase a extinção, e agora há provavelmente apenas algumas centenas de indivíduos dessa espécie. Como as populações das presas deles, principalmente veados e javalis, também foram reduzidas, esses tigres têm de percorrer grandes distâncias para encontrar comida.”

 

 

https://f5.folha.uol.com.br/voceviu/2020/10/tigresa-abracadora-de-arvores-e-imagem-vencedora-de-concurso-mundial-de-fotos-de-vida-selvagem.shtml

 

Namorada?

Galeria de  Família 

Nosso pai Ofir, em algum lugar do passado.


        Não sabemos em que cidade, talvez São Paulo, no tempo de solteiro.
        Ou Ribeirão Preto, onde morou por uns tempos, já funcionário do Banco de Brasil, ainda solteiro.
        Parece que Ofir usa uma boina, que lhe cobre parcialmente a cabeça.
        Está de braço dado com simpática moçoila, que também não fazemos a menor ideia de quem seja. Ela tem o rosto dos anos 20! Uma namorada?
        O certo é que o registro fotográfico é muito bom! Desconhecemos a verdade, que importa! 

Helena em Guaratinguetá

Galeria de Família 


Maria Helena em Guaratinguetá

A fotografia foi tirada em junho de 1969, na praça central da cidade, e mostra ao fundo a estátua do Conselheiro Rodrigues Alves, ex-Presidente da República, natural de Guará. (Não posso imaginar quem tenha sido o fotógrafo.)
         Gostaria muitíssimo que a nossa irmã escrevesse um texto sobre esta visita que fez à cidade e ao nosso avô Breno Vianna. Tenho a impressão de que se trata de importante momento na vida dela. Eu, cursando o penúltimo ano da Faculdade de Medicina, pouco conhecimento tive daquela experiência. Talvez o mesmo tenha acontecido com nosso irmão Paulo.
         Esta praça faz parte de nossa adolescência!

Nasce Gabriela

Galeria de Família 



Na foto de cima, à esquerda, Gabriela no dia de seu nascimento, no colo da Tia Ciça! (Eu fui o fotógrafo, em dia de imensa alegria.) E Gabriela foi crescendo, crescendo, e já tem 10 anos!


terça-feira, 13 de outubro de 2020

Um certo crucifixo

 

De tempos em tempos refaço a pergunta: 

– O que faz aquele crucifixo ao fundo no salão principal do Supremo Tribunal Federal de um país laico?

No art. 5o da Constituição, que trata dos direitos e garantias fundamentais, o parágrafo VI diz que “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.” Estará sugerindo subliminarmente o Supremo que o culto a ser seguido é o do crucifixo?

Por que então um certo ministro, legalista ao extremo, zeloso guardião da palavra constitucional, que não lê capa de processo e manda soltar um bandido facínora traficante internacional de drogas, condenado a 25 anos de prisão em segunda instância, foragido contumaz, por que este ministro não ordena seja removido o crucifixo do solene salão da Corte, em nome da liberdade de crença, reafirmando assim a laicidade nacional.

Quem explica é Hélio Schwartsman, em sua crônica de hoje Bem-vindos ao clube, para a Folha de S. Paulo. Afirma Schwartsman:

O ministro Marco Aurélio Mello agiu bem ao determinar a soltura de um dos chefões do PCC? Se você, dileto leitor, pensa que ele extrapolou, seja bem-vindo ao clube do consequencialismo, corrente filosófica que, devido a uma campanha de propaganda negativa, não goza da melhor das reputações, ainda que funcione bem em grande parte das situações.”

Schwartsman cita Immanuel Kant, que escreveu “fiat iustitia, et pereat mundus” (faça-se justiça, mesmo que o mundo pereça).    

Nosso colunista aconselha “um pouquinho de  consequencialismo: não é prudente utilizar uma interpretação mecanicista da lei para pôr em liberdade alguém que representa perigo físico para a sociedade...”

Schwartsman pensa que Marco Aurélio poderia ter optado por outro caminho, sem trair o espírito da lei: “ele poderia ter exigido que o procurador e o juiz do caso se manifestassem ou ter levado a questão ao pleno do STF, para fixar os limites do novo dispositivo, mas aí Marco Aurélio não teria sido Marco Aurélio".

O grifo é meu, na brilhante conclusão do articulista da Folha: o homem é o que é. Para Nietzsche, não haverá exemplo melhor de niilismo. Para Schwartsman, Marco Aurélio ignora o consequencialismo, se aferra a uma verdade absoluta. (O crucifixo é uma verdade absoluta.) 

Para mim, somos nós que pagamos o pato.

 

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2020/10/bem-vindos-ao-clube.shtml

 

 

O audiófilo, o lutier e o poeta revisitados


Agora que todos já sabem o que significa ser um audiófilo, pelo menos os que leram minha postagem recente, vamos ao contraditório. https://loucoporcachorros.blogspot.com/2020/10/o-audiofilo-o-lutier-e-o-poeta.html

            Que privilégio possuir ouvido absoluto! Seja em uma sala de concerto, seja ao ouvir boa gravação, o audiófilo que aprecia a boa música – e é claro que ele existe! – é capaz perceber todo o brilhantismo orquestral de Stravinski em Petrushka ou na Sagração da primavera, coisa que orelhas comuns não conseguem. Para ele, os últimos quartetos de Beethoven devem soar como uma grande orquestra de cordas. Se ele escuta o que ninguém ouve, então pode sentir o que poucos sentem. Que inveja eu sinto de quem dispõe de um ouvido absoluto.

 

            Imaginem aquele que possui o dom de construir um instrumento de cordas perfeito! (Há poucos anos foi a leilão pela Sotheby`s uma viola fabricada por Antonio Stradivarius com lance inicial de 45 milhões de dólares.) Todos os grandes virtuoses tocam em instrumentos de mestres luthiers, e os sons que produzem – e que nós ouvimos – não seriam os mesmos se produzidos por instrumentos de qualidade inferior. Mesmo os mortais que nunca tivemos ouvido absoluto nos beneficiamos com a arte de um bom luthier. 

            (Reza a lenda que o grande Yo-Yo-Ma quando viaja de avião leva no acento ao lado seu precioso instrumento de trabalho.)

            Eu gostava de ter sido um luthier.

 

            Quem pode viver sem Poesia?!

            “O poeta é um fingidor”, é verdade, porém ele finge “a dor que deveras sente”. Ao transcrever essa dor em forma de poema ele nos ajuda a suportar nosso próprio sofrimento.

            Ler poesia é aspirar o ar puro da manhã na orla do mar. Ler poesia é a felicidade à mão – quem precisa de mais? Cada um pode escolher seu poeta favorito e passar a vida lendo relendo sorrindo chorando diante de seu poeta favorito, e a cada leitura há de encontrar um poeta favorito diferente. Faço isso com o infinito Carlos Drummond de Andrade, que certo dia vi com “minhas retinas cansadas” andando por uma rua de Ipanema. Como não se emocionar com outro poeta, que afirmou “eles passarão... eu passarinho”? Como poderia eu renegar a poesia se tenho querido irmão grande poeta!

A poesia nunca passará.

 

            Afirma Viviane Mosé em seu brilhante livro Nietzsche hoje (ed. Vozes, 2018), ao comentar as ideias do filósofo sobre a linguagem e as palavras:

 

“A palavra nasce de uma simplificação do mundo, uma redução. Para que a linguagem se tornasse possível, para que o homem aceitasse se relacionar com o conjunto reduzido de signos da linguagem para representar a multiplicidade do mundo, foi preciso que as palavras não remetessem às coisas, mas a outras palavras.”

 

            Bem, no princípio era o Verbo...