sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Cat in the box

A foto do dia


Maggi, gata da Ciça!

Foto: Cecília Vianna, dez 2016, Brasília.

Ressurreição, de Mahler


     Marin Alsop fala sobre a Sinfonia n. 2 de Mahler – Ressurreição –, que ela regeu no encerramento da temporada de 2016, frente a Osesp.
            São comentários de quem entende do riscado! Depois de escutá-los, só nos resta ouvia a sinfonia, pelo menos 5 vezes em seguida...
            Clique para ouvir:

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Céu de Brasília



 Céu de Brasília, no Lago Sul, em duas tardes diferentes, na estação das águas.

Fotos: Mercêdes Fabiana, dez 2016.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Desumanização em Alepo

A foto do dia


Civis tentam deixar Alepo. O processo de desumanização, o mesmo utilizado pelos nazistas nos campos de concentração, está em curso em Alepo, Síria.

Foto: AFP

Sofrimento

Política sem palavras


Foto: Dida Sampaio / Estadão

O doce e o salgado

Com o poético título Tinha uma pedra no meio do caminho, Leandro Karnal discorre de maneira brilhante sobre a leitura de livros fáceis e livros difíceis (Folha de S. Paulo, 14/12/2016). A erudição do autor e/ou a complexidade da narrativa fazem a diferença, diz ele. (A confissão de Karnal, de que abandonou pela metade a leitura de Finnegans Wake, do irlandês Joyce, é um alento para os que tentaram ler a obra e também desistiram...)
Assim expressa o colunista, sobre as diferenças entre um clássico e um best-seller:

“Tamanho, vocabulário, ideias, erudição, metáforas herméticas: tudo pode ser um obstáculo no enfrentamento de um clássico. Em oposição, um best-seller asfalta nosso caminho e o povoa de árvores e bancos para que o leitor não se canse na jornada. Palavras simples, enredo rápido e cheio de mudanças vibrantes, mistérios que se resolvem ao longo da obra e um doce canto da sereia da facilidade que deseja atrair nossa atenção.”

Por quê então trilhar o caminho mais difícil?, o próprio Karnal interroga. E responde: “Crescimento deriva do desafio. A dificuldade da grande obra é seu mérito.”
O chamado clássico faz o leitor pensar, digo eu; o best-seller exige apenas o acompanhamento da história, sem qualquer esforço mental. Me parece interessante a comparação entre um filme de peso e um filme da sessão-da-tarde. Quando assistimos a um bom filme, mesmo que não seja “agradável” aos nossos sentidos (O sétimo selo, O Poderoso Chefão I, II e III, Pulp Fiction, Blade Runner, Sindicato dos ladrões, Janela indiscreta, O filho de Saul, para citar alguns), temos o que conversar sobre ele, podemos discutir interpretações, propor alternativas, repensar nossos pontos de vista, isso tudo se dispomos de uma mente aberta. (Aquele que tudo sabe, o dono da verdade, nada discute.) Ao terminar a sessão de O Regresso, com Leonardo DiCaprio, só nos resta permanecer em silêncio, nada a comentar. É o best-seller cinematográfico.
Em recente conversa com meu interlocutor particular e permanente – até que a morte nos separe –, soube de seu espanto ao tomar conhecimento de que Paulo Coelho é o autor da língua portuguesa mais traduzido mundo afora, Mais de mil traduções, bradou ele, Muito mais traduzido que José Saramago!, Um verdadeiro fenômeno!, E como explicá-lo?
Trata-se do caminho asfaltado, como diz Karnal, além do que, recheado de misticismo, magia, sobrenatural, prato cheio para aqueles que ainda não se libertaram do pensamento mágico próprio da infância de todos nós (ou seja, grande parte da humanidade). Há outras explicações, é claro, especialmente ligadas ao marketing, mas penso que a do caminho asfaltado é a melhor delas.
Bion utilizou-se da expressão “expansão psíquica” para descrever o crescimento mental. A leitura atenta dos clássicos, ver e rever um bom filme, boas conversas sobre os livros, filmes, sobre a vida enfim, podem promover expansão psíquica, algo a ser perseguido ao longo de toda a nossa vida. Mas dá trabalho...





segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

pedrinhas



água limpa e fria
do ribeirão das Pedrinhas
o melhor da infância


Foto: A.Vianna, Guaratinguetá/Pedrinhas, jun 2016.

EI reconquista Palmira

A foto do dia


Estado Islâmico reconquista Palmira. Civis são evacuados.

Foto: Manu Brabo / AP

Última crônica

“... assim como no Renascimento, surgiu uma nova linguagem artística que mudou a história da arte. Assim, não custa nada imaginar que, em função das novas tecnologias, uma nova arte esteja para nascer.”

            É como termina a última crônica de Ferreira Gullar publicada neste domingo (Arte do futuro, 11/12/2016) na Folha de S. Paulo, uma semana após sua morte. Afirma a neta: "Quando eu perguntei se preferia terminar outro dia, ele disse que não, porque não sabia o que poderia acontecer". (Aos 86 anos, em um leito de hospital, o poeta ditou a coluna à neta Celeste.)
            O cronista destaca a importância da técnica na arte. Cita a pintura mural, o surgimento da tela, e mais tarde da fotografia, como meios de manifestações artísticas e suas respectivas peculiaridades técnicas.
            Cita o caso Marcel Duchamp, o homem do urinol, que afirmou “Será arte tudo o que eu disser que é arte”. A partir daí, segundo Gullar, “estava aberto o caminho para o vale-tudo”, e “o que até aqui se chamou de arte já não o é”. (Não havia espaço para que o cronista falasse do papel do ‘mercado de arte’ na gênese deste desvirtuamento.)
            Gullar tornou-se crítico impiedoso da arte contemporânea, mas não perde a esperança, ao falar de uma nova forma de arte que poderá nascer a partir de novas tecnologias. (Talvez esta seja uma boa definição do que venha a ser um poeta: aquele que nunca perde a esperança.)
Fico pensando se esta nova forma de arte de que fala o poeta já não existe e é o próprio cinema, com sua técnica cada vez mais aprimorada, sua imensa capacidade de difusão, tornando-se hoje a forma mais democrática de manifestação artística.
Cito apenas dois filmes recentes, para consideração do leitor, como arte em estado puro, considerando a técnica cinematográfica. O primeiro deles é Julieta, de Pedro Almodovar. O roteiro baseia-se em três contos de Alice Munro, magistralmente adaptados e condensados por Almodovar. Cada tomada do filme assemelha-se a um quadro, a uma pintura ora realista, ora surrealista, a combinar forma e cor de maneira perfeita. Tempos atrás dava-se a isso nome de ‘filme de arte’.
O segundo é O filho de Saul, do diretor húngaro László Nemes, vencedor do Oscar  de Melhor Filme Estrangeiro. A despeito da importância do tema – o trabalho de certos judeus nas antecâmaras dos fornos crematórios em Auschwitz –, o filme surpreende pela inovação técnica, com uma câmara sempre às costas do protagonista, chegando a desnortear o expectador desavisado. Outro filme de arte.
Porém, os entendidos dirão que as tais novas formas de arte são hoje representadas pelas instalações audiovisuais, que invadiram amostras e bienais. Quase sempre uma chatice.