segunda-feira, 1 de abril de 2019

Nada a comemorar

A foto do dia



Eu estava lá. Houve golpe em 64. Em seguida implantou-se a ditadura. Tive colegas de turma torturados. Tive um colega morto. Não podemos esquecer. Muito menos dar outro nome aos fatos.

Foto: Divulgação

Menina

Meus quadros favoritos


Pieter de Hoogh

Nascido em Roterdã (1629), faleceu em Amsterdã (1684).
A luz dos holandeses entrando pela porta (iluminando parte dos cabelos da menina), e provavelmente uma janela iluminando a face da criança. O domínio da luz!

22 anos da faixa de pedestre





Comemoramos hoje  em Brasília – e a palavra está correta, trata-se mesmo de uma comemoração– 22 anos da implantação da faixa de pedestre. É quase uma festa: há manifestações nos jornais, em rádios, televisão, o Detran faz campanha por toda a cidade enfatizando a necessidade de aprimorarmos o processo, pois ainda hoje há quem não respeite a faixa, com graves consequências.
            Antes disso, o trânsito na cidade era descrito por muitos como selvagem, tal o número de mortos e feridos causados pela imprudência dos motoristas que dirigiam em altíssima velocidade, aproveitando-se das largas avenidas do Plano Piloto.
            Parece que a ideia de respeitar o pedestre veio do coronel da Polícia Militar Renato Fernandes de Azevedo, falecido em 2012, de um câncer no pulmão. Ele trouxe da Europa a sugestão da faixa. 
            As autoridades de trânsito dizem que não foi fácil a implantação do novo comportamento. Não é esta a minha opinião, mas posso estar enganado; pelo menos onde eu morava, e nas proximidades, pude presenciar que a adoção da nova atitude foi muito rápida por parte dos moradores. E mais, todos éramos orgulhosos pelo simples fato de pararmos para dar passagem a quem andava a pé.
            Hoje cedo ouvi numa rádio de grande penetração o resultado de uma enquete aplicada à população: 79% das pessoas são orgulhosas pelo fato de que em Brasília o pedestre é respeitado ao atravessar a faixa.
            Parece pouco, mas é um pequeno passo em direção ao chamado processo civilizatório de uma população.

            

sábado, 30 de março de 2019

Saramago e a arte contemporânea



De Paris, em 1997, Eduardo Prado Coelho fez quatro perguntas a José Saramago. A segunda delas foi a que me interessou: “Como vês as artes plásticas contemporâneas?”
            Ao que o autor do Manual de pintura e caligrafia respondeu:

“Salvo as exceções (que não são muitas), vejo-as com uma desagradável impressão de aborrecimento. Curiosamente, porém, interessa-me o que se costuma designar por “instalações”, talvez pelo que haja nelas de... arquitetura. Meia dúzia de pedras dispostas no chão, quatro tábuas armadas no ar, podem impressionar-me muito mais que um quadro de Mondrian.”

            Esta é a opinião de um homem que conhece profundamente a arte de escrever. A arte contemporânea causa-lhe aborrecimento, mas aprecia instalações.
            O que pensa o leitor sobre arte contemporânea?


P.s: Pergunta e resposta estão no Último caderno de Lanzarote, em 29 de março, p. 82 (Companhia das Letras, 2018).
            

Depois de Auschwitz





Depois de Auschwitz não há teologia:
das chaminés do Vaticano sai fumaça branca,
sinal de que os cardeais elegeram o seu papa.
Dos crematórios de Auschwitz sobe uma fumaça negra,
sinal de que Deus ainda não decidiu sobre a escolha
do povo eleito. Depois de Auschwitz não há teologia:
os números nos antebraços dos prisioneiros do extermínio
são os números do telefone de Deus,
números dos quais não há resposta,
agora eles estão cortados, um por um.

Depois de Auschwitz há uma nova teologia:
os judeus que morreram na Shoá
tornaram-se semelhantes ao seu Deus
que não tem forma nem corpo.
Eles não têm imagem nem corpo.


                                   Yehuda Amichai
                                   In Terra e paz – antologia poética
                                   Tradução: Moacir Amâncio

quinta-feira, 28 de março de 2019

Melhor professor do mundo




Tabichi entre Hugh Jackman e o príncipe Mohammed Ao Maktoum

“O melhor professor de 2019 é franciscano e tem um clube de ciência na parte mais remota do Quênia”, informa Elisa Silió, de Dubai (25 mar 2019).
Peter Tabichi, 36, é um monge franciscano que revolucionou o modo de ensinar matemática e física em uma aldeia remota do Quênia e é o vencedor do Global Teacher Prize, o prêmio concedido anualmente pela Fundação Varkey, de Dubai. O prêmio de um milhão de dólares deve ser usado para fins educativos. 
Informa Silió: “Peter, que doa aos pobres quase todo seu salário, ensina na Escola Secundária Keriko, um colégio em Pwani, uma aldeia tão miserável do vale do Rift que 95% de seus alunos são pobres, um terço não tem pai ou mãe e os problemas com drogas, gravidez na adolescência e suicídios estão na ordem do dia. Por isso surpreende tanto que seus alunos, com idades entre 11 a 16 anos – alguns caminham sete quilômetros por dia para ir à escola – tenham vencido a competição nacional de Ciência e que a equipe de Matemática esteja classificada para um torneio científico e de engenharia no Arizona (Estados Unidos). É reconhecido assim o mérito de uma escola sem recursos, com uma proporção de 58 alunos por turma, um único computador e uma conexão precária à Internet.”
Tabichi criou um clube de ciências para motivar as crianças. 
“Este ano, 10.000 candidatos de 177 países se inscreveram para o Global Teacher Prize. Depois de uma primeira seleção, ficaram 50 semifinalistas e, na final, restaram 10 com perfis muito diferentes, mas sempre com um comprometimento muito grande com uma comunidade estudantil cercada de problemas. Tabichi é o primeiro homem que vence, antes dele foram quatro mulheres – elas são maioria no ensino –, e nas apostas entravamos nomes de dois latino-americanos (a brasileira Débora Garofalo e o argentino Martin Salvetti) porque o subcontinente ainda não foi premiado, apesar de ter muitos semifinalistas.”





Melhor instrumento


Tocava viola numa grande orquestra. Roubaram-lhe o precioso instrumento. Passou a cantar Bach, com estrondoso sucesso.

terça-feira, 26 de março de 2019

Oposição

Charge do dia



André Dahmer

Jogo dos Microcontos


1 . Pensava que a vida dele daria um filme. Com trilha sonora um tanto dissonante.

(Em parceria com Paulo Sergio Viana)


2. Pensava que a vida dele daria um filme. Morreu atropelado. O acidente, filmado por uma câmera de rua, apareceu nos noticiários.


3. Pensava que a vida dele daria um filme. Depois descobriu que quase todo mundo pensa a mesma coisa. Perdeu a graça.


4. Pensava que a vida dele daria um filme. Etcétera.


Uma brincadeira 

Eis uma sugestão para aqueles que ministram oficinas de escrita, ou para qualquer grupo que aprecia as palavras e gosta de brincar, e que poderíamos chamar Jogo dos Microcontos
Alguém oferece a primeira frase, curta de preferência, e o grupo completa o microconto, com o limite de 140 toques (ou o limite que o grupo escolher). 
Ganha aquele que compuser o melhor texto. Ou ganham todos que amam as palavras.