terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Prevenção de acidentes


Dois alertas importantes listados por Hélio Schwartsman em sua coluna de hoje no Estadão (29.jan.2019): 

“Nossa espécie é péssima em avaliar riscos. Um ser humano típico tem medo de cobras e tubarões, mas não hesita muito em fumar ou acelerar seu carro. Nos EUA, onde as estatísticas são mais confiáveis, cobras e tubarões matam, respectivamente, cinco e 0,5 pessoas por ano, enquanto o cigarro e os acidentes de trânsito geram 480 mil e 35 mil óbitos anuais.”

A segunda é mais uma esperança: 

“Espero que o desastre sirva para arrefecer o clima de “liberou geral” que o governo Bolsonaro prometia levar à área ambiental. Olhando para a frente, seria importante desenvolver mecanismos para que empresas e a própria legislação não se acomodem com as tecnologias antigas e busquem continuamente aprimoramento na segurança, mesmo que a um sobrepreço.”

Por trás disso tudo está a falta de Educação adequada. Cuidado com a própria vida e com a vida dos outros também se aprende na escola e fora dela.



segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Camuflagem

fotominimalismo




Foto: Vianna, jan 2019

A Morte em dois Diários


Em postagem recente (22 jan), trouxe a este blog fragmento do Diário de Carlos Drummond de Andrade, onde o poeta descreve a exumação e inumação dos ossos de sua mãe, em Itabira. O texto é comovente, tamanha a intimidade nele revelada. (http://loucoporcachorros.blogspot.com/2019/01/diario-do-poeta.html)
            Encontro agora no Último Caderno de Lanzarote, de autoria de José Saramago, texto análogo, e penso que vale a pena comparar a escrita de ambos, Drummond e Saramago, dois dos maiores escritores da língua portuguesa.
            Morreu Ilda Reis, com quem Saramago foi casado durante 26 anos e teve uma filha. Em 7 de janeiro de 1998 ele escreve em seu Caderno:

“Levámos a Ilda ao cemitério novo de Carnide. O céu estava encoberto, choveu durante o caminho. Instalado numa encosta de suave pendente, em plataformas amplas onde não há (por enquanto?) um único jazigo, o cemitério de Carnide tem ao meio, paralelas, duas correntezas de água que vêm descendo mansamente de socalco em socalco. Como o tempo. A Ilda nunca veio aqui, mas estou certo de que também teria pensado: “Olha, é como o tempo passando.” E talvez acrescentasse: “Este arquiteto tinha as ideias claras”. Digo eu agora: se as almas realmente existissem, o melhor uso que poderiam fazer da sua eternidade seria virem sentar-se em lugares assim, na margem dos rios, estes e os naturais. Caladas elas, calados eles, alguma vez a chuva caindo sobre as últimas flores. Nada mais.”

            A escrita de Saramago é definitivamente poética, prosa poética. Descreve o cemitério e faz analogia com o tempo; daí chegar-se às almas (se existirem) e à eternidade é um pulo. Como no texto drummondiano, não há traços de tristeza ou sofrimento diante da morte em tais circunstâncias. Há sim uma certa ironia quando Saramago diz “A Ilda nunca veio aqui”, penso eu, e ironia é um dos traços marcantes do autor.
            Ler Drummond e Saramago, o que mais podemos querer da vida?

Tragédia

A foto do dia



Tragédia em Brumadinho. Tentativa vã de salvar o animal pelos voluntários. A vaca foi sacrificada.

Foto: Wilton Júnior / Estadão



domingo, 27 de janeiro de 2019

Mais 3 fotos da Paula









Detalhe da foto acima:
um leatherjacket em frente à agua-viva
olhando para a câmera.
Eles vivem junto da água-viva,
que os protegem dos predadores.
Informa a fotógrafa,
conhecedora da vida marinha!






Fotos: Paula Vianna, Austrália, jan 2019.

Suicídio assistido




24 novembro 2015: “O cientista que ajudou a mãe a morrer foi preso e virou voz pró-suicídio assistido” (BBC Brasil).
"Houve grande alívio depois que ela bebeu (a mistura  [18 comprimidos de morfina diluídos num copo dágua]). Então sentei ao lado dela e conversei sobre minhas memórias de infância. Uma hora depois ela perdeu a habilidade para falar e caiu no sono. Eu também dormi, e quando acordei ela tinha morrido", conta Sean Davison, que escreveu um livro para contar a experiência.
Em 2011, Davison foi condenado por homicídio doloso na Nova Zelândia, onde morava a mãe do cientista; a pena foi revertida para crime de incentivo de suicídio, com punição bem mais branda: cinco meses de prisão domiciliar.
Os eventos levaram Davison a se tornar um ativista pró-eutanásia. Ele fundou a Dignity SA, ONG que faz lobby na África do Sul para a criação de uma lei permitindo o suicídio assistido. 
Afirma Davison: "Quando minha mãe estava doente, minha cabeça estava voltada para mantê-la viva, mesmo com sua saúde se deteriorando na minha frente. O dia em que ela me pediu que a ajudasse a morrer foi um choque. Passei dias refletindo sobre o pedido, até que finalmente percebi que a decisão não era minha, e sim de minha mãe. Quem era eu para dizer para minha mãe que ela não poderia morrer e que teria de continuar apodrecendo em uma cama?"
Patricia, a mãe de Davison, era médica, e durante sua agonia recusou tratamento. Ficou paralítica e perdeu o paladar, o que a levou a fazer uma greve de fome para tentar acelerar sua morte. "Ela não conseguia mais ler e pintar, que eram seus principais hobbies, porque também perdeu a habilidade de mover os braços. Quando ela parou de se alimentar e pediu que não a levássemos para um hospital, achei que sua morte seria rápida. Mas cinco semanas se passaram e ela ainda continuou viva." 
“O cientista escreveu um diário relatando a experiência, que enviou para uma irmã. "Ela me disse: 'você tem que publicar isso'. Era um documento do que tinha passado, foi uma forma de lidar com o estresse de tudo o que aconteceu. Minha irmã é assistente social e várias vezes tinha se deparado com casos em que parentes ajudaram entes queridos a morrer. Ela achava que tornar minha experiência pública poderia ajudá-los a ver que não estavam sozinhos".
Porém, outra irmã do cientista não apenas foi contra a publicação como entregou uma cópia do diário para a polícia neozelandesa. 
Afirma Davison: "Não fui julgado apenas pela Justiça, mas pela mídia e pela sociedade. Para aqueles que me criticam, só peço que se coloquem no meu lugar antes de emitir opiniões." 
"A Nova Zelândia é um país muito religioso e o suicídio assistido é uma questão delicada. As pessoas não param para pensar na morte, a não ser na hora em que precisam lidar com ela. Não acho que ninguém precisa deixar de ser preocupar com a vida, mas ter consciência de questões relacionadas à morte é importante", finaliza. 
Mesmo em tempos de fundamentalismo religioso, este blogueiro voltará sempre a este tema.


quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Último Caderno de Lanzarote




Finalmente chega-me às mãos – o que não passa de força de expressão pois interessa mesmo é chegar-me aos olhos e depois ao espírito –, o Último caderno de Lanzarote, de José Saramago, editado pela Companhia das Letras, 2018. 
            O livro vem acompanhado de outro, Um país levantado em alegria, do jornalista Ricardo Viel, ambos com o igual formato 18 x 15 cm, incluídos numa pequena caixa ilustrada com a inconfundível paisagem de Lanzarote, trazendo curiosa advertência: “não podem ser vendidos separadamente”. Como a caixa vinha fechada e o preço era bem salgado, a ideia que me ocorreu é que se tratava de jogada comercial: junto do trigo, vai o joio. 
Que nada! 



            Um país levantado em alegria traz o subtítulo20 anos do prêmio Nobel de literatura a José Saramago, dividido em capítulos: Os dias do Nobel (O segredo, A hora do anúncio, Eterno candidato, A festa em Frankfurt, O Nobel na Espanha, A recepção em Portugal, A consagração em Estocolmo), As felicitações, Discursos de Estocolmo, Diários de Pilar del Río. Para quem idolatra o português é pura emoção saber de tantos detalhes. Delícia de livrinho! 



            Em uma espécie de introdução, Pilar del Río informa que o sexto Caderno permaneceu como que oculto num dos computadores de Saramago, em pasta intitulada “Cadernos”; pensava-se que ela continha apenas os cinco cadernos já publicados; para surpresa de Fernando Gómez Aguilera, encarregado de organizar conferências e discursos do autor, lá estava gravado o sexto caderno, esquecido de todos, e que agora chega até nós, 20 anos após ter sido escrito e oito anos após a morte do autor. Que presente!
            A caixa, como já informei, traz bela paisagem de Lanzarote, foto de João Francisco Vilhena; as capas de ambos os dois volumes são preciosas: a foto do Cadernoé do nosso Sebastião Salgado, na Ilha de Lanzarote, 1996; e a de Um país levantado, de Daniel Mordzinski, em Paris, 1998.
            E o diário tem início com a data 1 de janeiro de 1998, ano em que o primeiro autor de língua portuguesa ganha o Nobel de Literatura.
            Fragmentos deste Último Caderno virão ao blog à medida que o livro, bem devagar, for saboreado. Assim tem início o primeiro texto:

“Durante a noite, o vento andou de cabeça perdida, dando voltas contínuas à casa, servindo-se de quantas saliências e interstícios encontrava para fazer soar a gama completa dos instrumentos da sua orquestra particular, sobretudo os gemidos, os silvos e os roncos das cordas, pontuados de vez em quando pelo golpe de timbale de uma persiana mal fechada. Nervosos, os cães lançavam-se de rompante pela gateira da porta da cozinha (o ruído é inconfundível) para irem ladrar lá fora ao inimigo invisível que não os deixava dormir. Manhã cedo, antes mesmo do pequeno-almoço, desci ao jardim para ver os estragos, se os houvera.”

Pequena amostra do brilhante Saramago de sempre!

            
            

Alsop ganha o Crystal Awards




“Nesta segunda-feira (21), durante a cerimônia de abertura do Fórum Econômico Mundial em Davos, a Regente Titular e Diretora Musical da Osesp, Marin Alsop, recebeu o prêmio Crystal Awards, um reconhecimento por sua liderança na promoção da diversidade na música.
Logo após receber a honraria, Marin subiu ao palco para conduzir a Taki Concordia Orchestra, em parceria com a Orquestra do Southbank Centre e a Royal Academy of Music.
          Em dezembro deste ano, Marin receberá o título de Regente de Honra da Osesp, um reconhecimento à parceria que ajudou a elevar o perfil da Orquestra dentro e fora do Brasil, e à sua visão humanista, fonte de inspiração para as atividades educativas e de formação de público da Osesp.
          A partir de 2020, Marin Alsop será Regente Titular da Orquestra Sinfônica da Rádio de Viena.”



Luz de Sorolla

Meus quadros favoritos




Joaquin Sorolla

Paula brilha mais uma vez

A foto do dia


Em Alotan, Papua Nova-Guiné


Foto: Paula Vianna, jan 2019