quinta-feira, 21 de março de 2019

Ah!, as mesóclises


Ao ser preso, afirmou: 
- Explicar-me-ei junto às instâncias competentes.

Karen Uhlenbeck



Karen Uhlenbeck, prêmio Abel de Matemáticas, em Princeton.
Andrea Kane/AFP


“A matemática norte-americana Karen Keskulla Uhlenbeck se tornou a primeira mulher a receber o Prêmio Abel (considerado o "Nobel" da Matemática) desde que começou a ser concedido, em 2003. Professora emérita da Universidade do Texas, em Austin, e Senior Research Scholar da Universidade de Princeton e do Instituto de Estudos Avançados (EUA), Uhlenbeck fez avanços impressionantes no campo das equações diferenciais parciais geométricas, na teoria de gauge e em sistemas integráveis. Seus resultados tiveram um impacto transformador nos campos da geometria e da análise, ampliando os limites do conhecimento e fazendo descobertas profundas na fronteira da matemática com a física.”



terça-feira, 19 de março de 2019

Estranha vingança


Procurou a mulher para assassiná-la. Não a encontrou. Por vingança, matou o próprio cachorro.

Maxime Maufra

Meus quadros favoritos



Maxime Emile Louis Maufra (Nantes, Fr. 1861 – Sarthe, 1918)
Pintor e paisagista francês.

Colheita da maçã



Colheita em pomar de São Joaquim, na serra catarinense
Foto: Giovanni Bello/Folhapress


A reportagem é de Paula Sperb, para a Folha (19 mar 2019):
“Doces, suculentas e crocantes. Assim são as maçãs produzidas em São Joaquim (SC). Neste ano, a colheita, feita manualmente, deve atrair 5.000 trabalhadores de diversas partes do país para a cidade de 26.763 habitantes, a 156 km de Florianópolis. 
Tirar as frutas das macieiras é trabalhoso. Os empregados usam escadas para alcançar o topo das macieiras, que podem chegar a quatro metros de altura.
A safra da serra catarinense deve variar de 350 mil a 400 mil toneladas, o que equivale a um terço da produção brasileira, segundo Rogerio Pereira, presidente da Associação de Maçã e Pera de Santa Catarina (Amap). 
A colheita ocorre de fevereiro a maio, mas as maçãs duram muito mais. É provável que as frutas colhidas agora sejam as consumidas na ceia do Réveillon de 2020. Isso porque elas são armazenadas em câmaras refrigeradas com uso de tecnologia específica.”


segunda-feira, 18 de março de 2019

Morte inesperada


Mulher morre após ser estuprada e espancada por homem que efetuava serviço de pedreiro para ela. Morreu aos 92 anos de idade. 

Al-Jahiz e a evolução das espécies




O Livro dos Animais, de al-Jahiz, tem sete volumes
GETTY IMAGES


Darwin, em seu livro A Origem das Espécies, de 1859, causou verdadeira revolução no conhecimento humano, ao propor a ideia de que as espécies mudam gradualmente por meio de um mecanismo chamado seleção natural, e que as diferentes espécies surgiram de um ancestral comum. 
            A espantosa notícia publicada pela BBC News (16 mar 2019) é a seguinte: “Cerca de mil anos antes de Darwin, um filósofo muçulmano que vivia no Iraque, conhecido como Al-Jahiz, escreveu um livro sobre como os animais mudam através de um processo que também chamou de seleção natural”.
Seu nome era Abu Usman Amr Bahr Alkanani al-Basri, e seu apelido, Al-Jahiz, que significava “alguém com olhos esbugalhados”. Seu livro intitulava-se Kitab al-Hayawan (O livro dos animais, em tradução livre).



“Al-Jahiz nasceu no ano 776 na cidade de Baçorá, sul do atual Iraque, numa época em que o movimento Mutazilah – uma escola de pensamento teológico que defendia o exercício da razão humana – estava crescendo na região, no auge do califado Abássida. Obras acadêmicas eram traduzidas do grego para o árabe, e Baçorá sediava importantes debates sobre religião, ciência e filosofia”.
“O papel havia sido introduzido no Iraque por comerciantes chineses, o que impulsionou a difusão de ideias, e o jovem Al-Jahiz começou a escrever sobre vários temas, como ciência, geografia, filosofia, gramática árabe e literatura. Acredita-se que ele tenha publicado 200 livros durante a vida, mas só um terço sobreviveu até nossos dias.” 
“Sua obra mais famosa, O Livro dos Animais, foi concebida como uma enciclopédia com 350 espécies, onde Al-Jahiz postula ideias que se parecem muito com a teoria da evolução de Darwin. Os animais estão envolvidos numa luta pela existência e pelos recursos, para evitar serem comidos e se reproduzirem", escreve Al-Jahiz. "Os fatores ambientais influenciam nos organismos fazendo com que desenvolvam novas características para assegurar a sobrevivência, transformando-os assim em novas espécies. Os animais que sobrevivem para se reproduzir podem transmitir suas características exitosas a seus descendentes".
“A contribuição do mundo muçulmano à ideia da evolução não era um segredo para intelectuais europeus do século 19. De fato, um contemporâneo de Darwin, o cientista William Draper, falava da "teoria da evolução maometana" em 1878. No entanto, não há evidências de que Darwin conhecesse o trabalho de Al-Jahiz ou de que entendesse árabe.”
“O jornalista científico Ehsan Masood, que realizou uma série para a BBC chamada Islam and Science (O Islã e a Ciência), diz que o criacionismo não parecia existir como movimento significativo no século 9 no Iraque, quando Bagdá e Baçorá eram os principais centros de ensino avançado na civilização islâmica.” 
Espantosa notícia!




sábado, 16 de março de 2019

Lila e Blimunda




Aldravia N.81


atrevida
Lila
chega
-- rouba
a
cena


Foto: Mercêdes Fabiana, mar 2019.

Yehuda Amichai, antologia




Jerusalém


Num telhado da Cidade Velha,
A roupa no varal ilumina-se à última luz do dia:
o lençol branco de uma mulher inimiga,
a toalha de um homem inimigo
para enxugar o suor do meu rosto.

No céu da Cidade Velha
há uma pipa.
No fim da linha – 
um menino,
que eu não vejo
por causa da muralha.

Hasteamos muitas bandeiras,
eles hastearam muitas bandeiras.
Para pensarmos que eles são felizes.
Para pensarem que nós somos felizes.


                                   Yehuda Amichai
                                   In: Terra e paz, antologia poética.
                                   Tradução: Moacir Amâncio
                                   Ed. Bazar do tempo, 2018.


Yehuda Amichai (1924-2000), celebrado poeta israelense, foi traduzido para mais de 40 idiomas. A citada antologia é sua primeira publicação no Brasil, traduzida diretamente do hebraico. A capa do livro é belíssima, com foto do Muro Ocidental, em Jerusalém, projeto gráfico de Victor Burton.


Mais de Pedro Salomão


Enquanto as pessoas lutam umas com as outras
para defender seu próprio conceito de paz,
eu prefiro sair do ringue e ir respirar lá fora.
Eles que se matem pelos seus ideais.
Meu valor é ser.
Minha expressão é agir.
Existe o bem e o mal
Eu sou todo o resto.

* * *

Tem presença leve,
e não é por ser leve
que passa despercebida.
Pelo contrário,
quando chega nos lugares
ilumina o ambiente inteiro.

p.s. Quando te vi chegar.

* * *

Às vezes eu flutuo.
Às vezes eu afundo.
Meus pés raramente estão no chão.

* * *

Está tão apaixonada 
que agora não consegue se ver com outra pessoa
além dela mesma.

                                               
                                               Pedro Salomão
                                               In Eu tenho sérios poemas mentais.


Apresentação: