quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Congresso caduca



Agentes e voluntários iniciam hoje o 7º dia de buscas 
no cenário da tragédia.
Foto: Wilton Júnior/Estadão
“O Congresso deixou caducar medida provisória que aumentava de R$ 3,2 mil para R$ 30 milhões a multa máxima que a Agência Nacional de Mineração (ANM) pode aplicar a mineradoras. Com isso, o desmoronamento da barragem em Brumadinho poderá custar à Vale punição de valor pouco maior do que uma multa por embriaguez ao volante. Até agora, as equipes de buscas contabilizam 99 mortos e 259 desaparecidos na tragédia.”

Penso eu que "deixou caducar" é força de expressão. Melhor seria dizer que o Congresso impediu que fosse aprovada a medida provisória, por articulações da hoje conhecida como "bancada da lama".

O país perde aos poucos sua dignidade.






terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Bem-te-vi

fotominimalismo




Clique na foto para ampliar.

Foto: AVianna, nov 2018.

Rodízio de goleiro?




O goleiro Jailson durante treino do Palmeiras
Foto: Cesar Greco /Ag. Palmeiras



“Felipão radicaliza rodízio no Palmeiras e reveza goleiros. Weverton, Fernando Prass e Jailson disputam preferência do treinador”. A reportagem é de Rafaela Cardoso para a Folha (29.jan.2019). 
Qualquer equipe de futebol muda seus jogadores com grande frequência, chegando mesmo a escalar um time diferente a cada jogo do campeonato, no Brasil ou em qualquer lugar do mundo.  No entanto, a posição do goleiro costuma ter um nome fixo, em clubes ou na Seleção.
Não é o que vem acontecendo no Palmeiras de Luiz Felipe Scolari.
        Na estreia do Campeonato Paulista, Weverton entrou; na segunda rodada jogou Fernando Prass; e, por último, Jailson; três goleiros diferentes em três jogos.
O rodízio no gol causa certa estranheza. Afirma Velloso, ex-goleiro do Palmeiras: “Eu só acho válido esse rodízio se realmente houver alguma dúvida de quem deve ser o titular. Se ele [Felipão] não tiver dúvida, acho que é ruim.  ... O goleiro é uma posição completamente diferente. Precisa de ritmo, precisa ter confiança. Se Felipão tiver dúvida, precisa definir logo e colocar o goleiro para jogar, como fez no ano passado”.
Mas Felipão está com tudo, Campeão Brasileiro de 2018, e pode abusar do direito de inovar. Tomara que dê certo.




Ao mar


ó mar imenso mago
líquida esmeralda
eterno dançarino horizontal
sobre tablado invisível
cão pacífico
a lamber de maré
as franjas dos continentes
a sussurrar em linguagem de espuma
a abraçar o mundo
cúmplice da lua
parceiro do sol
mar das regiões abissais
onde há peixes cegos
e criaturas de formas improváveis
partilho contigo ó mar
a funda escuridão do pensamento


                                               Paulo Sergio Viana



Também no Blog do Paulo:

Arraias empilhadas




Foto premiada em 2018 na Austrália!




Em 2019, Paula repete a dose, melhorada!




À frente da arraia há um peixinho capitão!


Clique nas fotos para ampliá-las.

Fotos: Paula Vianna, Austrália

Prevenção de acidentes


Dois alertas importantes listados por Hélio Schwartsman em sua coluna de hoje no Estadão (29.jan.2019): 

“Nossa espécie é péssima em avaliar riscos. Um ser humano típico tem medo de cobras e tubarões, mas não hesita muito em fumar ou acelerar seu carro. Nos EUA, onde as estatísticas são mais confiáveis, cobras e tubarões matam, respectivamente, cinco e 0,5 pessoas por ano, enquanto o cigarro e os acidentes de trânsito geram 480 mil e 35 mil óbitos anuais.”

A segunda é mais uma esperança: 

“Espero que o desastre sirva para arrefecer o clima de “liberou geral” que o governo Bolsonaro prometia levar à área ambiental. Olhando para a frente, seria importante desenvolver mecanismos para que empresas e a própria legislação não se acomodem com as tecnologias antigas e busquem continuamente aprimoramento na segurança, mesmo que a um sobrepreço.”

Por trás disso tudo está a falta de Educação adequada. Cuidado com a própria vida e com a vida dos outros também se aprende na escola e fora dela.



segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Camuflagem

fotominimalismo




Foto: Vianna, jan 2019

A Morte em dois Diários


Em postagem recente (22 jan), trouxe a este blog fragmento do Diário de Carlos Drummond de Andrade, onde o poeta descreve a exumação e inumação dos ossos de sua mãe, em Itabira. O texto é comovente, tamanha a intimidade nele revelada. (http://loucoporcachorros.blogspot.com/2019/01/diario-do-poeta.html)
            Encontro agora no Último Caderno de Lanzarote, de autoria de José Saramago, texto análogo, e penso que vale a pena comparar a escrita de ambos, Drummond e Saramago, dois dos maiores escritores da língua portuguesa.
            Morreu Ilda Reis, com quem Saramago foi casado durante 26 anos e teve uma filha. Em 7 de janeiro de 1998 ele escreve em seu Caderno:

“Levámos a Ilda ao cemitério novo de Carnide. O céu estava encoberto, choveu durante o caminho. Instalado numa encosta de suave pendente, em plataformas amplas onde não há (por enquanto?) um único jazigo, o cemitério de Carnide tem ao meio, paralelas, duas correntezas de água que vêm descendo mansamente de socalco em socalco. Como o tempo. A Ilda nunca veio aqui, mas estou certo de que também teria pensado: “Olha, é como o tempo passando.” E talvez acrescentasse: “Este arquiteto tinha as ideias claras”. Digo eu agora: se as almas realmente existissem, o melhor uso que poderiam fazer da sua eternidade seria virem sentar-se em lugares assim, na margem dos rios, estes e os naturais. Caladas elas, calados eles, alguma vez a chuva caindo sobre as últimas flores. Nada mais.”

            A escrita de Saramago é definitivamente poética, prosa poética. Descreve o cemitério e faz analogia com o tempo; daí chegar-se às almas (se existirem) e à eternidade é um pulo. Como no texto drummondiano, não há traços de tristeza ou sofrimento diante da morte em tais circunstâncias. Há sim uma certa ironia quando Saramago diz “A Ilda nunca veio aqui”, penso eu, e ironia é um dos traços marcantes do autor.
            Ler Drummond e Saramago, o que mais podemos querer da vida?

Tragédia

A foto do dia



Tragédia em Brumadinho. Tentativa vã de salvar o animal pelos voluntários. A vaca foi sacrificada.

Foto: Wilton Júnior / Estadão



domingo, 27 de janeiro de 2019

Mais 3 fotos da Paula









Detalhe da foto acima:
um leatherjacket em frente à agua-viva
olhando para a câmera.
Eles vivem junto da água-viva,
que os protegem dos predadores.
Informa a fotógrafa,
conhecedora da vida marinha!






Fotos: Paula Vianna, Austrália, jan 2019.