domingo, 30 de dezembro de 2018

A Arte de Helena Lopes


“Helena Lopes nasceu em São Paulo. Pintora, gravadora e professora. Formada em Artes Plásticas pela Universidade de Brasília, dedicava-se à gravura em metal. Sua primeira exposição ocorreu em 1980. 
Entre 1980 e 1990 participou da edição de três álbuns de gravuras editados em Brasília. 
Em 1986 recebeu uma bolsa de estudos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico para desenvolver o projeto Cerrado: Fonte Geradora de Imagens em Gravura em Metal. Esse projeto durou quatro anos, quando interrompeu suas atividades docentes na Faculdade Dulcina de Morais para dedicar-se integralmente ao projeto. 
Como professora, ao lado de Stella Maris Figueiredo Bertinazzo, fundou o Ateliê de Gravura, embrião do que mais tarde viria a ser o Núcleo de Gravura do Instituto de Artes da Universidade de Brasília. 
Desde 1998 não faz mais gravuras e dedica-se à pintura, utilizando-se dos mais diferentes suportes (tecido, gaze, etc.). Passou a utilizar técnicas mais “saudáveis”, que não exigissem tanto esforço físico, nem usassem produtos químicos tão danosos à saúde, como na gravura em metal. 
Hoje, artista premiada, atua na organização de eventos sobre gravura em metal através de mostras coletivas em Brasília e, desde 1987, vem participando de várias exposições no Brasil e no exterior.”



Este blogueiro, agora amigo de Helena, sente-se honrado em poder reproduzir pequena amostra de seu trabalho encantador.
(Clique nas fotos para ampliar.)















 Este site mostra outras obras da artista:



sábado, 29 de dezembro de 2018

Morre Amós Oz



Amós Oz
Foto: Dan Balilty / AP

O mundo perde um grande homem. 

"O nacionalismo moderado é o único poder capaz de frear o nacionalismo fanático, no Oriente Médio e em qualquer lugar. Mas é preciso que seja instaurada uma esperança concreta de condições melhores e da resolução dos problemas, para que os moderados saiam de seus refúgios e se imponham aos fanáticos. Só então a desesperança e o desespero podem recuar e o fanatismos ser contido."

Em: Como curar um fanático, Ediouro, 2004.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Animais estampados em moedas

A foto do dia


Quênia troca as imagens de políticos em moedas pelas dos animais! Grande avanço civilizatório!

Síndrome de Stendhal



Um homem contempla 'O nascimento de Vênus'
Alberto Pizzoli / Getty Images


“Um turista italiano de 70 anos sofre uma parada cardíaca e desaba enquanto contempla O Nascimento de Vênus. À sua direita ficam as telas A Primavera e A Adoração dos Magos; à sua esquerda, A Anunciação; às suas costas, o imponente Tríptico Portinari, do pintor flamengo Hugo van der Goes. Aconteceu no último dia 15, em Florença. Um grupo de médicos que também visitava a exposição conseguiu reanimá-lo com os desfibriladores da pinacoteca.” Trata-se da maravilhosa  Galeria degli Uffizi!
            É o que nos conta Lorena Pacho, de Roma para El País (26 dez 2018). Aventou-se logo o diagnóstico de síndrome de Stendhal, uma espécie overdose de beleza, de intoxicação pela Arte. 
Foi em Florença que o escritor francês Stendhal, em 1817, apresentou sintomas de profundo mal-estar, ao entrar na basílica da Santa Cruz, afetado por tamanho esplendor. “Tinha alcançado esse nível de emoção em que as emoções celestiais das artes e os sentimentos apaixonados se encontram. Senti palpitações no coração, caminhava temendo cair”, escreveu. 
Informa ainda a reportagem: “Este caso é o mais grave já visto no museu, mas não o único. O diretor relata que há alguns anos um jovem sofreu um ataque epilético em frente à tela A Primavera, também de Botticelli. “Nossos assistentes de sala têm formação em primeiros socorros, e um deles o atendeu”, relata. E acrescenta que esses funcionários já estão praticamente familiarizados com os desmaios dos visitantes. “Acontece em frente às obras de arte maiores, mais famosas”,  observa. O exemplo mais recente se deu há alguns meses, durante a inauguração da nova sala dedicada a Caravaggio. Um homem desmaiou em frente à Cabeça de Medusa, uma das obras mais inquietantes do gênio do barroco. “Quando se trata de simples desmaios é mais fácil teorizar sobre uma síndrome de Stendhal”, opina.”
Notícia interessantíssima!


quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Roma, o filme de Cuarón




A Netflix entrou definitivamente para o primeiro mundo cinematográfico e de forma brilhante com a produção de Roma, com roteiro, fotografia, direção, tudo realizado por Alfonso Cuarón.
O tema central lembra o bom filme brasileiro, “Que horas ela volta?”, de Anna Muylaert; ambos tratam da relação entre patrões e empregados domésticos em famílias de classe média. Roma se passa na Cidade do México, nos anos 70, em um bairro com esse nome, onde Cuarón cresceu. 
Yalitza Aparicio, a mulher que interpreta o papel principal, o de empregada da família, nunca havia trabalhado como atriz, e talvez ganhe uma indicação para o Oscar. O filme é dedicado à doméstica que criou o diretor na vida real, e que inspirou a personagem Cleo. Roma ganhou o Leão de Ouro em Veneza, está indicado em várias categorias do Globo de Ouro.
O depoimento de Cuarón a Luiz Carlos Merten, para O Estado de S.Paulo (26 dez 2018) é bastante elucidativo: “É meu filme mais pessoal. Tem muito de autobiográfico, também, e eu tenho a impressão de que toda a minha vida e carreira foi uma preparação para chegar aqui. A partir de um momento, dei-me conta de que tinha de contar essa história, liberar-me dos meus fantasmas. Mas tanto quanto o filme era necessário para mim, eu duvidava que pudesse interessar aos outros. Cheguei a comentar com meu irmão que muito provavelmente ninguém iria vê-lo. Foi realmente uma grande surpresa, uma catarse, receber aquela ovação em Veneza. E, logo em seguida, o Leão. Meu filme mais pessoal tocou as pessoas, tornou-se universal, e isso não tem preço. É uma coisa que me emociona profundamente.” 
            Crítico de cinema famoso escreveu que “o filme nunca emociona”. Suponho que ele tenha dormido durante a projeção; de fato o início é arrastado, monótono, nada acontece, como acontece com a vida das domésticas, arrastada, monótona, onde nada acontece. Mas a história vai ganhando dramaticidade e culmina com cena das crianças em uma praia, de arrepiar.
            Cinco estrelas, com o bonequinho aplaudindo de pé! E o melhor, a gente vê em casa.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Resposta a Suzete ao findar o ano


Minha querida Suzete,

não posso deixar de responder ainda nesse ano sua última cartinha, uma gostosura de se ler, muito bem escrita; adorei os “eleven do supremo”, você deve ter assistido o filme Ocean’s Eleven(Onze homens e um segredo), com o George Clooney, bom filme, para aplicar o título à nossa suprema corte tão malfalada hoje em dia.
            Preciso destacar sua sensibilidade, Suzete, capaz de pinçar o haicai mais bonito de todo o Haicais Tropicais! “Desejava varrer o jardim antes de partir” é mesmo um belíssimo verso; o poeta deseja fazer algo bem simples e desimportante antes de morrer, ao mesmo tempo que quer deixar tudo limpo. Simplicidade, desimportância, texto limpo são atributos da boa poesia. O haicai segue tais preceitos.
            Quanto a nossa MPB penso como você: quando a gente pensa que chegamos ao fundo do poço, vem a sofrência...
            Parabéns pelo novo salão de beleza! A ideia de abrir filial em Nova Iorque é maravilhosa. Sinceramente, espero que não precisemos deixar o Brasil, com os recentes ventos do conservadorismo. Confesso que estou meio assustado, mas não completamente pessimista. Faz bem manter viva alguma esperança de que daqui a 30 ou 50 anos a Educação seja capaz de transformar esse país em terra de gente civilizada.
O que me preocupa é o viés religioso que aparentemente se quer estabelecer como regra institucional. Minutos antes de receber o diploma pela vitória, nosso presidente eleito pediu a um pastor que fizesse uma oração para seleto grupo. Comentei o assunto com uma amiga evangélica, e ela me respondeu, Mas que mal há em rezar? Isso só pode fazer bem!  
Penso eu, por que não rezar na intimidade da própria casa, numa igreja, em algum templo seja de que religião for? O Superior Tribunal Eleitoral talvez não seja o local mais apropriado.  (Dirão os que creem, Qualquer lugar é bom para rezar...)
Com tal viés, temas importantes como o aborto, o direito de morrer em paz (http://loucoporcachorros.blogspot.com/2018/12/direito-de-morrer-em-paz.html), a eutanásia, não poderão ser debatidos nesse ambiente fundamentalista. Implicações com certas manifestações artísticas contemporâneas igualmente poderão ser mal recebidas e rejeitadas a priori
Enfim, querida Suzete, vamos esperar para ver.
Encerro minha resposta à sua cartinha com um haicai do meu querido José Paulo Paes, com o título 

Teoria da Relatividade

devagar se vai longe

mais perto de deus o ateu
do que o monge

            Receba o meu afetuoso abraço, com votos de Feliz 2019.

andré



            

Ensinamento precioso


Da crônica dominical de Leandro Karnal, Ouro, incenso e mirra, em O Estado de S. Paulo (23 dez 2018).

“A crença em Deus também amparou minha mãe até o fim. Dentre os muitos erros da minha vida e que me assombram como os espíritos a Lord Macbeth, em noite de angústia dela em meio a uma crise de tosse e temor pela morte, discorri no quarto sobre filosofia e postura racional diante do medo. Eu deveria ter rezado com ela, apenas, abraçado e compartilhado a angústia da nossa finitude. Decidi ser professor em um momento em que ela só desejava um filho e ofereci a objetividade de um cérebro à mãe que suspirava pelo calor de um coração. Aprendi muito, mas, como sempre, depois de ter errado. Amar é pedir e conceder perdão. Arrependo-me, amargamente, da minha insensibilidade.”

Texto irretocável!


Paula debaixo d'água em Papua




















Fotos submarinas em Papua-Nova-Guiné, em dez 2018.
Paula cada vez melhor!