sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Quem é?




...
– quem é?
– conheço, mas não estou lembrando.
– ator daquele filme de faroeste?
– era uma vez no oeste?
– não estou certo...
– Marlon Brando queimado de sol?
– parece mas não é.
– então é o Matthew Mcconaughey!
– aquele do clube de compras de Dallas?
– acho que é ele.
– é ator americano, não me lembro o nome.
– também podia fazer papel de índio!
– daqueles que salvam a tribo!
– isso, o mocinho, claro.
– mas de cabelo branco?
– a gente pinta.
...

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Meus quadros favoritos


Lucien Freud

Os contos completos de Mussa



             Poucas vezes este blogueiro surpreendeu-se tanto com certo autor quanto com Alberto Mussa. Os elogios ao Senhor do lado esquerdo (Record, 2011) foram rasgados. http://loucoporcachorros.blogspot.com.br/2017/11/o-senhor-do-lado-esquerdo.html
            Os outros volumes da série policial, também com histórias que se passam no Rio de Janeiro desde o início do século XX, são bons, nem todos à altura do citado Senhor do lado esquerdo, em minha opinião de não-crítico literário.
            Até que me cai nas mãos Os contos completos! (Ed. Record, 2016, com uma belíssima capa, de autoria de Regina Ferraz.)
            Mussa utilizou-se de textos anteriores, quase todos romances, aplicou-lhes profundas revisões, alguns chegaram a ser reescritos, outros foram fundidos, criando assim fantástica coletânea de histórias curtas.
            Explica-se o autor:

“Só não saberei avaliar se as novas versões estão melhores que as originais. Suponho sejam apenas variantes de uma mesma narrativa, como cada mito é a recriação de um mito anterior. Não compartilho dessa obsessão ocidental pelo texto crítico, pela lição autêntica ou definitiva. Não acredito, na verdade, no conceito de autoria.
Toda história é, no fundo, uma versão de outra. A literatura inteira pode caber num livro. Em todo livro estão os contos completos.”

            Agora o leitor por compreender melhor o título “contos completos”, obra de autor ainda jovem, no auge de uma carreira brilhante. É possível que venha no futuro um Novos contos completos...
            Esta “revisão” empreendida por Mussa certamente aprimorou o que mais aprecio em seus livros: o estilo, sempre elegante, culto, esmerado, erudito, a valorizar tremendamente as histórias que ele narra.
            Não resisto em reproduzir pequeno parágrafo, tirado do conto Encruzilhada na ladeira do Timbau:

“Os leigos se impressionam muito com objetos esotéricos, fetiches, ritos e símbolos místicos, imagens demoníacas, animais sacrificados. Ignoram que a verdadeira magia é a fala, a linguagem humana.”

            Este é o Alberto Mussa que tanto aprecio!

A que ponto chegamos




Praia das dunas 2

A foto do dia



Foto: Paulo S. Viana, jan 2018, Cabo Frio

Deus triste







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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Vida besta





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Brinquedo de 4,5 mil anos



O boneco de 4,5 mil anos encontrado junto ao corpo de uma criança na Sibéria tem características faciais cuidadosamente trabalhadas; com cerca de 5 centímetros, o objeto entalhado em pedra sabão durante a Idade do Bronze é um dos mais antigos brinquedos já descobertos.
Foto: Andrei Poliakov / IIMK-RAN

                                                                     
            Deu em O Estado de S.Paulo (03 Jan 2018), reportagem de Fábio de Castro:
Um grupo de arqueólogos da Rússia descobriu, no túmulo de uma criança da Idade do Bronze, alguns dos mais antigos brinquedos já registrados na História. Os artefatos de 4,5 mil anos - que incluem as cabeças de um boneco e de um animal de brinquedo - pertencem à cultura Okunev, um grupo étnico pré-Histórico do sul da Sibéria. Os corpos dos bonecos eram feitos de material orgânico e não resistiram à ação do tempo, mas as cabeças se mantiveram preservadas, segundo os arqueólogos.”
A cabeça do boneco, medindo 5 cm, mostra uma face muito bem trabalhada, e foi encontrado em um túmulo de a uma "criança comum", e não algum membro da elite local.
            Uma informação interessantíssima é que, segundo os arqueólogos, a antiga cultura Okunev "não tem paralelos na Sibéria em termos de riqueza e diversidade artística. Segundo Poliakov, o povo Okunev é considerado o grupo étnico mais próximo dos indígenas das Américas.” 
Os ancestrais dos Okunev podem ter sido “os primeiros humanos a povoar o continente americano, há 12,6 mil anos. Eles teriam utilizando embarcações primitivas para aventurar-se ao largo da ponte terrestre coberta de gelo que ligava a Ásia à América do Norte, conhecida como Beríngia.”
Na infância, os brinquedos são fundamentais para o desenvolvimento psíquico da criança, através do exercício da fantasia. Agora sabemos, desde 4,5 mil anos!
            (Em tempo: essa data de 12,6 mil anos para o povoamento da América é bastante discutível, se não completamente errada.)