Além de mergulhadora, Paula Vianna está se tornando excelente fotógrafa. Eis pequena amostra num mergulho em Ilha Grande, recentemente.
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
quarta-feira, 9 de novembro de 2016
Louco por ovo frito
Gosto tanto de ovo frito
que este blog bem que poderia chamar-se Loucoporovofrito!
Pois não é que encontro na galeria de fotos do Estadão de
hoje essa instalação a céu aberto em Santiago, no Chile! São dez ovos fritos
esparramados por uma larga calçada, sendo que, de um deles só se vê a clara. As
gemas são de um amarelo vivo, as claras branquinhas, hiper-realismo puro.
A instalação
é de dar água na boca!
Estou sempre
pedindo à Dalva, primorosa cozinheira daqui de casa, que me faça dois ovos
fritos; isso mesmo, ovo frito só como de dois, aos pares. Ela pergunta:
– O senhor
quer com gema mole ou dura?
Eu respondo
sempre a mesma resposta:
– Ovo frito
eu gosto com gema mole, gema dura, clara bem passada, clara mal passada, clara esturricada,
ovo frito de um lado só, frito dos dois lados, do jeito que vier eu traço. De
acompanhamento, pode ser arroz branco, só isso. Mas combina também com linguiça
frita e salada de tomates com cebola crua cortada fininha.
Se você,
caro leitor, estiver de ressaca, ou sofrendo de fundura no estômago por
qualquer outra razão, experimente arroz com ovo frito. É batata!
Diga-se de
passagem, para quem não conhece, esta expressão “é batata” é de autoria de
Nelson Rodrigues. Pois o sanduiche de pão com ovo, cuja gema escorria pelo
canto da boca, na infância precária de Nelson tornou-se antológico.
Acho que vou
comer ovo frito – um par – hoje no almoço!
Foto: Pablo Sanhueza /
Reuters
terça-feira, 8 de novembro de 2016
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
Cinco respostas de Sérgio Moro
Cinco
respostas de Sérgio Moro aos jornalistas Fausto Macedo e Ricardo Brandt (5/11/2016), em entrevista para o jornal O Estado de S. Paulo.
Estado – O que o chocou mais na Lava Jato?
Moro
– A própria dimensão dos fatos. Eu tenho falado que a corrupção existe em
qualquer lugar do mundo. Considerando os casos já julgados aqui, o que nós
vimos foi um caso de corrupção sistêmica, corrupção como uma espécie de
regra do jogo. O que mais me chamou a atenção, talvez tenha sido uma quase
naturalização da prática da corrupção. Empresários pagavam como uma
prática habitual e agentes públicos recebiam como se fosse algo também
natural. Isso foi bastante perturbador. Ilustrativamente, também a
constatação, e aí me refiro a casos que já foram julgados, de que algumas
pessoas que haviam sido condenadas na ação penal 470 persistiam recebendo
propinas nesse outro esquema criminoso na Petrobrás. Inclusive, durante o
julgamento pelo
Plenário do Supremo Tribunal Federal, a
demonstrar que a pessoa está sendo julgada pelo Supremo e sequer aquilo
teve efeito preventivo para deixar de receber propinas. Foi uma coisa
bastante perturbadora.
Estado – Como o sr. viu os protestos das ruas?
Moro – Acredito que seja um amadurecimento progressivo da
democracia brasileira. Ilustrativamente, nós tivemos aí milhões de pessoas
que saíram às ruas, protestando também contra a corrupção e dando apoio
às investigações. Isso é algo muito significativo. E situa de uma
maneira muito clara esse enfrentamento da corrupção como uma conquista
da democracia brasileira.
Estado – Crítica recorrente das defesas é que há um excesso de
prisões na Lava Jato. A operação prende para arrancar delações?
Moro – É uma questão interessante, até fiz um levantamento,
temos hoje dez acusados presos preventivamente sem julgamento. Dez,
apenas. Então, se afirma que existe um uso excessivo de prisões
preventivas, e, claro, mais prisões preventivas foram decretadas no
passado. Mas se existem dez acusados, pessoas que já respondem ações
penais e que estão submetidas a prisão preventiva, sem julgamento no
presente momento. Não me parece que seja um número excessivo. Isso a gente
tem colocado de uma maneira muito clara. Jamais se prende para
obter confissões. Isso seria algo reprovável do ponto de vista
jurídico. Sempre as prisões têm sido decretadas quando se entende que
estão presentes os fundamentos das prisões. Quando se vai olhar mais
de perto os motivos das prisões, se percebe que todas as prisões estão fundamentadas.
Pode até se discordar da decisão do juiz, mas estão todas fundamentadas na
lei. Não existe nada, ninguém advoga uma solução fora da lei aqui nos
processos da Lava Jato. Estamos seguindo estritamente o que a lei prevê.
Estado – A Lava Jato vai acabar com a corrupção no Brasil?
Moro
– Não, não existe um salvação nacional, não existe um fato ou uma pessoa
que vai salvar o País. Isso era uma reminiscência daquilo que a gente
chama Sebastianismo. Acho que a democracia é construída no seu dia a dia.
Agora, um caso, pela escala que ele tem, como esse da Lava Jato, ele pode
auxiliar a melhorar a qualidade da nossa democracia. Identificando essas
situações, dando uma resposta efetiva, as pessoas passam a ter mais fé nas
instituições e na aplicação igual da lei. E se for aproveitada esse
oportunidade também serem aprovadas reformas legais, que não só tornem mais
eficientes o sistema de Justiça criminal, mas diminuam oportunidades para
a corrupção, aí sim podemos superar esse quadro de corrupção sistêmica.
Estado – O sr. sairia candidato a um cargo eletivo? Ou entraria para a
política?
Moro – Não, jamais. Jamais. Sou um homem de Justiça e sem
qualquer demérito, não sou um homem da política. Acho que a política é
uma atividade importante, não tem nenhum demérito, muito pelo contrário, existem
muitos méritos em quem atua na política, mas eu sou um juiz, eu estou em
outra realidade, outro tipo de trabalho, outro perfil. Então, não existe
jamais esse risco.
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
Perguntas e respostas
Extraído do
livro Trópicos utópicos, de Eduardo Giannetti (Companhia das Letras,
2016, pág. 60):
“Quando Mahatma Gandhi desembarcou no porto de
Southampton, no sul da Inglaterra, em 1931, a fim de participar de uma
conferência sobre o futuro da Índia, um jornalista teria perguntado a ele: “O
que o senhor acha da civilização ocidental?”. E o líder indiano respondeu:
“Acho que seria uma boa ideia.”
O noticiário atual, principalmente da televisão, está
repleto dessas perguntas irreverentes (para dizer o mínimo), e os jornalistas
estão convencidos de que esta é a função deles: espicaçar, cutucar a onça com
vara curta, provocar o interrogado em busca de uma resposta violenta,
escandalosa, e isso vira imediatamente um furo jornalístico. Viraliza!
Se o inquirido é macaco velho, ele não cai na armadilha.
Mesmo um macaco velho pode cair na armadilha. Outro dia, perguntado sobre o que
achava de um certo assunto, um senador da república respondeu:
– O que interessa o que penso sobre isso?
Virou
notícia, pois o ódio estava implícito na resposta malcriada e estampado na face
do senador.
O diálogo entre a senadora e uma transeunte é outro bom
exemplo de pergunta complicada e resposta difícil:
– A senhora está preparada para ser presa?
– Quem vai ser presa é você.
– Eu?! Eu não roubei!
– Polícia, tira ela daqui...
Viralizou!
A resposta oferecida por Gandhi ao jornalista arrogante e
preconceituoso – embora a pergunta tenha sido elaborada num nível bem mais
elevado do que os questionamentos atuais – exprime bem a consciência plena que
ele possuía de seu lugar no mundo e o lugar de seu país. A consciência do
próprio valor. Ninguém poderia rebaixá-lo, nem a seu país, porque Gandhi
conhecia o significado e a extensão da palavra civilização. Trata-se do bom
emprego da fina ironia como resposta.
Ter consciência que cometeu atos ilícitos dificulta a
resposta adequada à pergunta impertinente. Ou se faz silêncio – o que muitas
vezes soa como uma confissão –, ou a resposta sai mascada, torta,
autoincriminatória, um desastre. E viraliza!
Nada como a consciência limpa.
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