quinta-feira, 6 de junho de 2013

A Madona de Bruges




Uma única escultura de Michelangelo Buonarroti (1475-1564) deixou a Itália durante toda a vida do artista, a denominada Madona de Bruges. A família de comerciantes Giovanni e Alessandro Moscheroni comprou o mármore, originalmente destinado a alguma igreja italiana, por 4000 florins. Este acontecimento ilustra bem o poderio econômico de Bruges no início do século XVI, como próspero centro comercial da Europa.
Dois aspectos da escultura realizada entre 1501 e 1504 chamam nossa atenção de imediato, e intrigam os estudiosos de Arte. Maria olha para baixo, seu olhar sério, reflexivo, não se dirige ao filho, como em tantas outras esculturas e pinturas do gênero. E o menino, já bem desenvolvido, crescidinho e forte, parece querer descer do colo da mãe e caminhar. As ilações daí decorrentes ficam por conta do viajante...
A obra prima repousa hoje na Igreja de Nossa Senhora, em Bruges.




Fotos: A.Vianna, Bruges, 2013.

terça-feira, 4 de junho de 2013

segunda-feira, 3 de junho de 2013

cão esmoleiro


a sanfona chora
mas quem enternece é o cão
humano artifício

Foto: A.Vianna, Lisboa, 2013.

As vitrines de Brugge


rendas e bordados...


 chocolates...


almofadas...


bonecas...


e outras coisas...

Fotos: A.Vianna, Bruges, 2013.

Vida de cachorro em Brugge


Uma das atrações tradicionais de Brugge é o passeio de barco pelos canais da cidade. É belíssimo!


O reflexo das casas e árvores nas águas calmas do canal faz a festa dos fotógrafos.


Fachadas, janelas, muros floridos.


Eis que flagramos o labrador belga (digo que é belga porque suponho que lá nasceu, não que seja da raça autóctone denominada pastor-belga malinois, animal feroz e de porte bem diverso), dormindo em seu travesseiro à beira do canal!


Pouco menos de uma hora depois o barco faz o trajeto inverso, e lá está o animal a curtir o delicado calor de uma manhã de maio, entre 10 e 12 graus centígrados.

Fotos: A.Vianna, Bruges, 2013. 

Brugge à noite



Brugge às 10 horas de uma noite gelada de maio!

Foto: A.Vianna, 2013, sem tripé, filtros, correções, etc.

domingo, 2 de junho de 2013

Formas de Amor

Ao meu querido Sergio Pripas

Assim é nossa relação com aqueles a quem muito amamos: quando desejamos consolar, saímos consolados.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

A Casa dos Bicos, Lisboa


De volta para casa pernoitamos em Lisboa, e num acidental passeio por Alfama, passamos em frente à Casa dos Bicos, e lá estava ele, num grande pôster, o grande homem que nos faz muita falta: José Saramago.
O edifício histórico data do século XVI, situado na Rua dos Bacalhoeiros. Visitamos o que se tornou uma espécie de museu, com fotografias, vídeos, alguns poucos objetos pessoais, manuscritos, e os livros, muitos livros, as diferentes edições em saberemos-lá-quantas-línguas, nada de muito aparatoso, talvez até um pouco triste. Condizente com o autor, pois não.
Compramos o livrinho A estátua e a pedra, título de conferência proferida por Saramago na Universidade de Turim, em 1997, e agora editada pela Fundação José Saramago (2013), em português e espanhol, com textos críticos de Luciana Stegagno Picchio e Fernando Gómez Aguilera.
Uma preciosidade a conferência de Saramago!
            Ele fala da construção de seus romances, mas fala acima de tudo da vida e dos homens.
Cita, de início, uma das intrigantes frases de Fernando Pessoa, “O que em mim sente está pensando”. E o homem racional que é, Saramago nos surpreende com a paráfrase “O que em mim pensa está sentindo”.
Não pode haver maneira melhor de se voltar para casa.






Sítio da Fundação José Saramago: http://www.josesaramago.org/

Fotos: Mercêdes e A.Vianna, Lisboa, 2013.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

pesarpensar



pesar                                                                                                                     pensar

as mãos que comprimem têmporas                    as têmporas que comprimem as mãos

pesar                                                                                                                    pensar

o porvir medonho, certo                                                           o porvir certo, medonho

pesar                                                                                                                   pensar

a procissão pagã das horas                                                a procissão de horas pagãs

pesar                                                                                                                  pensar

as escolhas inquisidoras, incertas                            as escolhas incertas, inquisidoras

pesar                                                                                                                  pensar

a areia movediça da vida                                                      a vida na areia movediça

pesar                                       ,                                                                         pensar

o duro, a dúvida, a carne decadente                          a carne dura, dúvida decadente

pesar                                                                                                                                                       pensar  


                                                                                Aldo Pereira Neto 



Em tempo: o autor do Louco por cachorros sente-se honrado e feliz em poder, vez em quando, publicar um poema de Aldo P. Neto.

terça-feira, 7 de maio de 2013

A prática ecológica



Sempre que a menina de dois anos e meio de idade chega à casa dos avós a primeira coisa que faz é pedir para botar comida para os passarinhos.

Em primeiro lugar, enche a garrafa pet com a ração comprada pelo avô, com a ajuda de um pequeno funil, com cuidado para que não haja desperdício. Em seguida despeja o conteúdo da garrafa no comedouro que fica dependurado na varanda.
          
         Olha os passarinhos chegando!, exclama ela cheia de entusiasmo, poucos minutos depois.
         
         Experiências como esta permanecem definitivamente marcadas – assim esperam os avós –, a valer mais que todos os sermões ecológicos proferidos na escola daqui em diante.

Foto: A.Vianna, Brasília, 2013.