quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Copinha 2018





Teve início ontem a Copinha 2018, um dos mais importantes torneios de futebol do país.
Trata-se da maior competição de futebol júnior do Brasil, cujo nome oficial é Copa São Paulo de Futebol Júnior. A de 2018 é sua 49ª edição, organizada pela Federação Paulista de Futebol (FPF), e disputada em diversas cidades do interior paulista. Participam atletas de até 20 anos de idade.
Originalmente a competição era chamada de Taça São Paulo de Juniores e era organizada pela Prefeitura de São Paulo. (Em 1987 o campeonato não foi realizado, pois o então prefeito Jânio Quadros decidiu não arcar com seus custos.)
Disputada desde 1969, acontece sempre no início do ano (dia 2 de janeiro), de modo que a final seja disputada em 25 de janeiro, aniversário da Cidade de São Paulo
Até 1971 a competição só recebia clubes do Estado de São Paulo; a partir de então passou a receber clubes de todo o Brasil.  
A Copinha, apelido dado à competição, é observada com grande interesse pela imprensa, empresários e clubes, na expectativa de se descobrir futuros craques do futebol brasileiro.  
Em 2018 estão inscritos 128 times, divididos em 32 grupos! Apenas os dois primeiros de cada grupo avançaram para a fase seguinte, que será do tipo mata-mata.
Todos os estados estão representados, com número maior ou menor de times; apenas o Estado do Amazonas não enviou representante.  
Vale a pena destacar alguns aspectos do certame: há muito mais vontade do que técnica; quase não há reclamações, tão empenhados estão os jogadores; o jogo é bruto, pelo ímpeto empregado nas disputas de bola, mas ninguém se machuca, pois ninguém deseja sair do gramado, bem diferente do futebol profissional que todos conhecemos. Não é raro ver um jogador cair em lágrimas após a marcação de um gol! 
O Corinthians é o atual campeão, tendo vencido a Copinha 10 vezes! O Fluminense venceu 5 vezes. O Palmeiras foi vice-campeão 2 vezes, mais nunca venceu o torneio. Porém, é o favorito para este ano (se deus quiser).







terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Vermelho e verde

Da série Fotominimalismo



Pretérito imperfeito



            O livro de B. Kucinski, Pretérito imperfeito (Companhia da Letras, 2017), é um soco na boca do estômago do leitor, daqueles que iniciada a leitura você não consegue interrompê-la.
            Bernardo Kucinski, jornalista, professor aposentado da USP, é figurinha carimbada nesse blog. Apareceu aqui pela primeira vez com o livro K: relato de uma busca. Depois vieram Os visitantes, Você vai voltar para mim, Alice, e agora esse Pretérito imperfeito.
            O livro mistura três ingredientes explosivos: adoção, adição às drogas e racismo: o leitor pode imaginar onde isso vai parar?
            Tudo começa com a adoção, um casal sem filhos que deseja intensamente um bebê, segundo o autor, “adoção à brasileira”. Surgem os problemas de saúde de um recém-nascido. A criança cresce, torna-se um adolescente problemático. O pai chega a pensar que seria preferível a morte dele, do filho adotivo.
            Até tornar-se um adulto, o sofrimento de todos eles é descrito por Kucinski em detalhes, com a dureza kafkiana, e com o brilhantismo literário de sempre.
            Na tentativa compreender o que se passa com o filho, o autor busca na literatura auxílio de especialistas como Bion, Freud, Dan Kiley, Piaget, de poetas como Baudelaire, religiosos como Alan Kardec. Vejamos um exemplo, baseado em bebês que conhecem desde cedo apenas a mamadeira:

“E me espantei com implicações da fraude tão singela. Uma delas – a que mais me surpreendeu – foi apontada pelo psicólogo inglês Wilfred Bion, para quem a busca do seio materno pelo recém-nascido é mais que seu primeiro impulso vital, é também seu primeiro exercício intelectual. E por quê? Porque pensar, para Bion, é processar uma ideia preexistente. O bebê pensa o seio antes de buscá-lo. Mas pensa um mamilo túrgido e leitoso, não um bico de plástico. A fraude é também intelectual. Wilfred Bion acredita que, se o bebê não superar a frustração do falso conceito, sua capacidade de processar pensamentos poderá ficar para sempre fragilizada por uma tendência à fuga do real. É uma tese espantosa!”

            Estre trecho chega a emocionar; costumo resumir este adorável conceito bioniano com as seguintes palavras: quando o bebê vira a cabecinha para mamar, o seio já lá está.

            Espetacular o livro de B. Kucinski. Hoje, é um autor consagrado.

Le buffet

Meus quadros favoritos


Henri Matisse