sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Professores sofrem agressões

Quando um jornalista sofre uma agressão em qualquer parte do mundo, os meios de comunicação gritam em protesto. Exigem apuração dos fatos e a devida punição. E assim fazem-se respeitados.
Com os professores a coisa é bem diferente.
Ao menos 23 professores da rede pública estadual de São Paulo sofrem agressões no ambiente escolar a cada mês. A taxa é a maior registrada nos últimos dois anos – em 2015 o índice era de 15 docentes por mês. É o que informa a reportagem de Luiz Fernando Toledo para o Estado de S. Paulo (22/12).
            Informa a reportagem: “De janeiro a 31 de julho deste ano, 5,2 mil escolas da rede pública paulista registraram 164 episódios de agressão. Em todo o ano passado foram 188 e em 2014, 237. A capital concentra um em cada quatro casos – foram 42 episódios de violência contra os docentes apenas neste ano, a maior parte (15) na zona leste da cidade.”
“O nome das escolas onde os episódios aconteceram não é divulgado nem o histórico dos fatos. O Estado também solicitou os dados à Secretaria Municipal de Educação da capital, mas a Prefeitura informou que não realiza tal levantamento.”
“As agressões chegam a afastar os professores da sala de aula e até do magistério. Quando retornam, alguns passam a exercer funções de secretaria ou outros órgãos: são os professores readaptados.”
 “Agredida por uma estudante em 2011, a professora de Geografia Maria Clara (nome fictício), de 44 anos, que trabalha em uma escola estadual em um município a 250 km da capital, não se recuperou até hoje. Na época, uma estudante de 17 anos a agrediu com uma cadeira e tentou enforcá-la. Maria Clara solicitou que seu nome e o do colégio não fossem citados.”
            “Em novembro, uma professora de Matemática de 38 anos da Escola Estadual República da Nicarágua, na Fazenda da Juta, zona leste de São Paulo, ficou gravemente ferida após ter sido agredida por um aluno de 16 anos. A briga começou com um bate-boca. O aluno, então, xingou a docente, que decidiu chamar a diretora para retirá-lo da classe. Ele a ameaçou, se aproximou da professora e deu um soco em sua costela e uma rasteira. Ela bateu a cabeça no chão e foi levada a um hospital pelo resgate. O caso foi registrado no 69.º DP.”
            A citada reportagem não fala sobre as causas deste gravíssimo fenômeno, algo relativamente novo em nossa sociedade. É preciso que a mídia divulgue com maior destaque tais ocorrências. As associações docentes de todos os níveis têm o dever de exigir enérgicas providências do Estado.
Que ensino deixa muito a desejar em nosso país, não há quem discorde. Como aprimorá-lo, se os professores não são respeitados nem mesmo em sua integridade física?
A que ponto chegamos!

http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,por-mes-ao-menos-23-professores-da-rede-publica-paulista-sao-agredidos-na-escola,10000096013

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Meu Kaminagai

Meus quadros favoritos


Tadashi Kaminagai

Coleção particular.

Luce

Meus quadros favoritos


Maximilien Luce

Morisot

Meus quadros favoritos


Berthe Morisot

Uma zona!



Ao chegar à zona, viu que sua predileta estava ocupada. Sacou do revólver e matou 6, contando com a dona do bordéu, de 70 anos de idade.

Suzete não morreu!

            Ao ler o nome da remetente no envelope que acabava de receber dos Correios meu espanto foi de bambear as pernas, perder o fôlego, coração saindo pela boca, barriga roncando, cabeça doendo, o corpo todo sentindo a pancada. Carta de Suzete!
            Mas eu não havia recebido a caixa com a correspondência dela, enviada pela mãe, Dona Osvaldina, dois anos após a morte da filha? Depois daquilo, nenhuma outra manifestação por parte dela. E agora esta carta. Sem maiores lucubrações, vamos a ela:

            “Caro Dr. Alberto,

antes de tudo, espero que esteja bem de saúde e que não vá se assustar com minha cartinha.
            Me perdoe a ousadia, mas precisava falar com você – é assim que vou tratá-lo daqui em diante, por você. Precisava dizer que

ESTOU VIVA!

            Você acredita? É que resolvi sumir do mapa, evaporar, deixar que pensem que fui abduzida, nem rastro deixei, tal qual índio velho matreiro.
            Minha mãe me ajudou. Quando ela lhe enviou aquela caixa com meus escritos, confirmou minha morte, estávamos conluiadas, ela entendeu minhas razões, espero que você também as compreenda. Foi um truque, e peço que me perdoe por isso. Foi o meio que encontrei de entrar em contato com você, mesmo estando “morta”. Mais precisamente, porque estava morta. (Gostei do uso que tem feito da minha correspondência, ao enviá-la para seu amigo dono do blog Louco por cachorros. Foi providencial.)
            Só não perdi as 3 manias: ler, escrever e cortar cabelo de homem. O que significa que continuo a mesma, mesmo depois de morta.
Saiba que você é meu cúmplice, pois concordou com a publicação do Folhetim em seu livro O mito do vaso partido, e o relato fez tanto sucesso na época que todos acreditaram mesmo na minha morte. Ambos sabemos que ficção e realidade se misturam o tempo todo nessa vida louca. Sofri mesmo tentativa de assassinato por parte de meu marido, o professor Afonso, de aparência tão pacata, tão inofensivo. Não fosse o socorro prestado por uma vizinha de nome Abigail, minha amiga do peito, corajosa, que acertou a nuca de Afonso com um rolo-de-abrir-massa-de-pastel, eu teria passado desta para a melhor, como se costuma dizer.
Afonso foi preso, passou apenas alguns meses na cadeia, afinal o crime não se consumou, e acabou solto por bom comportamento. (Ele fez um tremendo sucesso na Papuda, escrevendo cartas de amor para os colegas presidiários, lembra-se? Você relatou isso no Epílogo depois do fim, em seu livro. Aliás, gostei muitíssimo do Mito!, Alberto. Soube que escreveu outros dois livros, é verdade? Gostaria muito de lê-los.)
Pois foi só ele ser solto, e voltar a me atazanar, o Afonso. Eu já não queria nada com ele; pior que isso, nem podia ouvir o nome dele; e o homem atrás de mim que nem carrapato, uma perseguição dos infernos, ciumeira doida sem fim, até o dia em que me ameaçou de morte. Então resolvi sumir do mapa, evaporar, deixar que pensem que fui abduzida, sem deixar rastro.
Foi quando surgiu a ideia da minha própria morte, com a concordância de minha mãe. Aí então você entrou na história, Alberto. Pois fique sabendo que foi através do blog do seu amigo Louco por cachorros (que publicou o recebimento da caixa com minha correspondência) que o Afonso soube do meu falecimento. E não é que a coisa funcionou?
Pena que a tragédia – de fazer inveja a Shakespeare – não tenha parado por aí. Afonso suicidou-se em seguida.
De primeiro, foi um tremendo baque para mim. Depois, pensei, ele sempre foi depressivo, triste, melancólico, o ciúme exagerado fazia parte da doença mental, penso eu. E me curei da culpa.
O lado bom da história: estou livre daquela horrível perseguição, e você pode continuar enviando o que escrevo – até mesmo esta carta – para seu amigo Louco, isso se acharem ambos que vale a pena. Afinal, não é todo dia que aparece uma cabeleireira que gosta de ler e escrever (além de mim, alguém ainda escreve cartas hoje em dia?). E cortar cabelo de homem.
Pois é, continuo a mesma, mas vivi muita coisa nesses anos todos; esta cartinha é um resumo resumidíssimo dos acontecimentos mais importantes, mas há outros... Se lhe interessar, Alberto (que atrevimento não lhe tratar por doutor), vou contando aos poucos, para não cansar. Espero sua resposta. Caso não responda, vou compreender que perdeu o interesse nas minhas histórias, o que não me causará estranhamento, sou apenas uma cabeleireira, porém sentirei muito, muito mesmo, você que sempre foi meu mais estimado professor e correspondente.
De sua amiga e admiradora, 
                                           com um beijo,
                                                           
                                                                        Suzete.

(sem data)



quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Faixa de pedestre


Afirma Leandro Karnal em sua crônica de hoje, Regras e felicidade (Folha, 21/12): “Quando eu vejo os motoristas de Brasília pararem de forma automática quando o pedestre entra na faixa de segurança, entendo que ali houve uma campanha e uma punição na base do processo.”
            Karnal não morava em Brasília à época da implantação das faixas de pedestre, é evidente. Eu morava. O raciocínio do articulista está correto, obedece à lógica, campanha e punição constituem os únicos meios efetivos para se obter resultado tão surpreendente. Certo? Errado.
            O que vou contar pode ser confirmado pelos que aqui residiam naquela época. Não houve campanha educativa. Não houve necessidade de punição através de pesadas multas. Pintadas as faixas, correu célere a notícia de que os carros deviam parar para a passagem de pedestres, e que só poderiam avançar quando a pessoa alcançasse o outro lado da rua. Pronto, só isso. E os motoristas obedeceram imediatamente. Se houve, foi uma campanha popular.
            Não tenho qualquer explicação para o fenômeno. Não acredito que o povo daqui seja mais bem educado. Porém, há um precedente. Aqueles que chegam de carro à cidade pela primeira vez leem os seguintes dizeres numa placa bem grande: “Senhor visitante, aqui não usamos buzina.” É o que basta, pois não usamos buzina mesmo!
            Anos depois da implantação das ditas faixas alguns motoristas relaxaram, passaram a desobedecer o que estava instituído. Aí sim, houve campanha educativa, chamando a atenção de todos, inclusive dos pedestres, que devem dar sinal com o braço e esperar que o automóvel pare.
            Portanto, senhor Karnal, a lógica nem sempre prevalece.


terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Palmeiras campeão do mundo


Rodrigues marca para o Palmeiras contra o Juventus.


A reportagem de Guilherme Seto para a Folha de S. Paulo (20/12) informa que há 65 anos o Palmeiras empatava com o Juventus no Maracanã, diante de mais de 100 mil pessoas. Conquistava então a Copa Rio.

A Copa Rio foi organizada pela Confederação Brasileira de Desportos. Participaram oito campeões nacionais: Sporting (Portugal), Austria Vienna (Áustria), Nacional (Uruguai), Juventus (Itália), Estrela Vermelha (Iugoslávia) e Nice (França). O Palmeiras participou como campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1951, e o Vasco, campeão carioca de 1951.

Em novembro de 2014, a Fifa reconheceu o caráter global do torneio, e então o Palmeiras passou a ser tido como o primeiro clube brasileiro a conseguir um título mundial.
Uma estrela vermelha será colocada acima do brasão da camisa oficial, como mais uma forma de oficializar a conquista.

            O Palmeiras tem história!


Foto: Folhapress