sábado, 10 de maio de 2014

Fidelidade


Quando o último leitor deixou de acessar seu blog, mesmo assim ele não desistiu. Tornou-se seu próprio único fiel seguidor.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Coisas do futebol




     Ontem, durante a solenidade de convocação da Seleção Brasileira de Futebol para a Copa 2014, após anunciados os nomes dos 23 jogadores, teve início a coletiva de imprensa, com jornalistas do mundo inteiro. Lá pelas tantas, uma correspondente de esportes da França fez a seguinte pergunta ao técnico Felipão:
            – Os franceses desejam saber por que vocês brasileiros dão tanta importância a este momento de convocação da seleção?
            A resposta não importa, a pergunta é muito boa! (Os psicanalistas adoram repetir a frase: “O que estraga uma pergunta é a resposta...”)
            Para os estrangeiros, devem ser mesmo incompreensíveis certas atitudes nossas referentes ao futebol, em especial à seleção.
            Antes de mais nada, confesso meu amor pelo futebol desde os tempos de menino. Dos 8 aos 16 anos, jogava bola diariamente; aos domingos, de manhã e à tarde. E não jogava mal; se a técnica não era das melhores, o empenho e força de vontade compensavam. Assistir aos jogos do time local contra os grandes Palmeiras, Corinthians, São Paulo, levado pelo pai e em companhia do irmão, aqueles eram momentos mágicos e inesquecíveis de pura felicidade.
            Em 58, na Suécia, ouvi os jogos da copa pelo rádio, e começou ali a paixão pelo escrete. (Para quem não sabe, a palavra “escrete” vem do inglês scratch, que significa seleção. A forma inglesa era muito usada nos idos de 50, e de lá para cá nunca mais a ouvi...)
            Depois vieram as copas de 62, 66, a espetacular copa de 70, no México, e a seleção colecionando títulos. Não raro, encontramos quem saiba de cor a escalação das seleções de todas as copas! Da mesma forma que determinadas jogadas são relembradas com verdadeira devoção, especialmente os gols “não marcados” por Pelé.
            E como somos todos técnicos de futebol, temos as nossas preferências na hora de escalar o time. Daí, senhora repórter, a tremenda expectativa do momento da convocação! Isso para não falar dos milhares de profissionais, os comentaristas de futebol, espalhados por todo o país, e que ganham a vida convictos de que “futebol é coisa séria...”. O mais famoso deles foi Nelson Rodrigues, autor de frases e expressões memoráveis, como “a pátria em chuteiras”, referindo-se ao envolvimento nacional com o futebol.
            Desnecessário dizer que todos preferiríamos assistir à Copa num Brasil melhor do que este que temos hoje, mais educado e menos violento, para dizer o mínimo, mas enquanto isso não é possível, ficamos com a simples, mas verdadeira, resposta do Felipão à pergunta da tal repórter:
            – Ora, porque é a Seleção!
           

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Nu reclinado, de Modigliani


Amedeo Clemente Modigliani (Livorno, 1884 — Paris, 1920):  

artista plástico, escultor italiano  que viveu em Paris.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Zonas verdes em São Paulo

A foto do dia.


              Começam a ser construídos na cidade de São Paulo pequenos módulos denominados Zonas Verdes. São pequenas áreas de lazer instaladas em espaços destinados ao estacionamento de dois carros, e que se abrem para as calçadas, destinadas portanto aos pedestres. É uma tentativa de humanizar ruas e bairros, tornando-os mais amigáveis, pela criação de locais de convívio, leitura, descanso.
            Veremos que destino os habitantes da cidade darão a tais espaços públicos, e se a Prefeitura será capaz de mantê-los. A ideia nos parece ótima!


O professor



O professor de Filologia Românica acorda cedo e inicia a preparação para receber, em poucas horas, o merecido prêmio acadêmico, aos 71 anos de idade; enquanto isso, passa a limpo toda sua vida.
A forma inteligente e criativa encontrada pelo autor, Cristovão Tezza, para o desenvolvimento da narrativa – uma vida inteira em poucas horas – permite ainda que fatos contemporâneos sejam acrescidos, como por exemplo, a renúncia do Papa, que tanto intriga o protagonista.
            A maledicência da vida acadêmica não poderia faltar. Duas mulheres marcam definitivamente a história de Heliseu, este o nome do professor. O filho incompatível completa o drama familiar.
            O que chama mesmo a atenção do leitor é a escrita elegante de Tezza, coisa rara nos dias de hoje, na literatura brasileira. Assim tem início o romance:

“Acordou de um sono difícil: sobre algo que parecia um leito, estava abraçado ao inimigo, que tentava aproximar os lábios aos seus. Não quis ser ríspido, entretanto, empurrá-lo para longe, como seria o óbvio, talvez agredi-lo com um soco; apenas desviou o rosto, dizendo algo que agora não conseguia mais ouvir, na claridade da manhã. Mas eram movimentos gentis, ele percebeu, tentava afastar-se dele com delicadeza, como quem desembarca de uma cama em que a mulher dorme e não deve ser acordada.”

            Vale a pena conferir: O professor, Cristovão Tezza, Editora Record, 2014.