sexta-feira, 22 de junho de 2012

Boa sorte lá dentro


A paciente com quem trabalho há anos entra em meu consultório e exclama:
- O que foi que você disse ao rapaz que acaba de sair que o deixou tão assustado, a ponto dele me dizer Boa sorte lá dentro?
De fato, o rapaz saiu assustado, porém, o que apenas eu e ele podemos saber é que ele já entrou muito assustado. Ambos ainda desconhecemos as razões para tal estado de espírito, e é assim que muitos pacientes chegam para iniciar um trabalho de análise.
A paciente que chegava em seguida atribuiu ao analista a causa do susto, é dela esta fantasia, mas posso assegurar que qualquer profissional razoavelmente bem treinado jamais seria tão inábil, tão invasivo, tão afoito em realizar interpretações precipitadas, para gerar tamanha ansiedade naquele que inicia uma análise.
O que será que assusta tanto as pessoas, que fantasias trazem dentro de si que fazem com que o ato de buscar ajuda para um problema de ordem psíquica se transforme em algo tão aterrorizante? Não é difícil para a maioria das pessoas procurar um médico por causa de uma dor de barriga, porém quando se trata da mente, a conversa é bem diferente.

Psicanálise e o processo criativo


Sempre que vemos alguém a quem muito admiramos pronunciar-se de forma visceralmente discordante de nós, isso nos causa alguma estranheza, desconcerto, desconforto mesmo. Aconteceu comigo, ao ler em Kafka: “Não é um prazer ocuparmo-nos com a psicanálise e mantenho-me tão afastado dela quanto possível...” (Meditações, Guimarães Ed., 1997). E em José Saramago: “A última coisa que faria neste mundo seria psicanalisar-me.” (As palavras de Saramago, Companhia das Letras, 2010).
         Dois gênios da literatura – por quem nutro sentimento de quase  veneração –, o mesmo ponto de vista sobre a psicanálise, exposto de forma enfática e definitiva, e a minha mais profunda discordância deles, nesse aspecto. Quem sou eu para discordar destes gigantes?, é a interrogação que de imediato me vem à mente. Mas outras ideias afloram em seguida, outras possibilidades, resultado não de conhecimento teórico ou de leituras e especulações filosóficas, e sim de aprendizado adquirido a partir da experiência pessoal de ser analisado.
Gosto de pensar que aquilo que o processo de análise pode nos proporcionar de melhor é uma vida mais confortável. Podemos supor que o escritor retire de seu mais profundo desconforto perante a vida a matéria bruta para sua escrita criativa. Remover, portanto, este desconforto seria o mesmo que secar a fonte da criatividade? Tal receio, por hipótese (mesmo que de origem inconsciente), não pode ser afastado; esta ideia há muito tem sido ventilada por analistas e não analistas, ao discutirem a conveniência ou não conveniência de escritores criativos, ou artistas de um modo geral, submeterem-se à psicanálise.
Eis a questão apresentada de outra maneira: é preciso viver desconfortavelmente para que se possa manter vivo o processo criativo? (A esta altura, o leitor há de ter percebido que evito as palavras “felicidade” e “infelicidade”, demasiadamente gastas para exprimir certos estados de espírito, substituindo-as por “conforto” e “desconforto”, estas mais modestas, mais comedidas, mais realistas.) Este é o preço que se tem de pagar para preservar a capacidade criativa? Não será um preço alto demais? Bem, cada um sabe de si, do ônus e do bônus, dos custos e dos benefícios.
No entanto, podemos perguntar ainda: se removido, pelo menos em parte, o desconforto de que estamos tratando, por intermédio de uma análise bem sucedida, será possível manter e até mesmo desenvolver, aprimorar mesmo, a capacidade de criar? Por que não? De que tem medo o escritor criativo? De que tem medo até mesmo o analista que se deixa contaminar por tais idéias? O que haveria de tão poderoso na psicanálise que poderia apagar o que de melhor tem uma pessoa? De fato, há aqueles que pensam que não vale a pena correr riscos, como se o risco de algo melhor também não fosse uma possibilidade. Risco, para eles, significa sempre e apenas o pior, o negativo, a ameaça, o perigo de morte. É verdade que corremos riscos desde que nascemos. Nossas mães não nos deixaram aprisionados em um quarto escuro para que não corrêssemos qualquer tipo de perigo. Pois, em um sentido mais amplo no modo de pensar a vida, risco apresenta também a possibilidade de uma experiência nova, criativa, positiva, que proporcione  crescimento psíquico, algo, portanto, inerente ao processo de se estar vivo.
Não faltam exemplos como o de Georges Bataille (1897-1962), que de aspirante a escritor passou à condição de autor consagrado, após ter sido aconselhado por seu analista a registrar suas fantasias sexuais e obsessões de infância. Ao se referir ao papel libertador da análise, Bataille afirma: “O primeiro livro que escrevi só pude escrevê-lo depois da psicanálise, sim, ao sair dela. E julgo poder dizer que só liberto dessa maneira pude começar a escrever.” (História do olho, Cosac & Naify, 2003).
Não penso que esta seja uma visão exageradamente otimista, mas a ótica de quem deseja viver plenamente suas possibilidades e desenvolver seu potencial como ser humano. Uma análise bem sucedida pode nos proporcionar tal experiência, e com ela o risco de vivermos mais confortavelmente, sem perdermos nossa capacidade de criar. A existência de incontáveis psicanalistas bons escritores, sobretudo aqueles que se dedicam à escrita ficcional, pode ser considerada uma evidência do que aqui exponho.
Pura ficção: que tal pensarmos Kafka e Saramago, ainda vivos, mais felizes e de bem com a vida, e escrevendo ainda melhor! Para nosso deleite, é claro.

Quatro pedras lascadas (Museu Britânico)


As 4 pedras lascadas datam de 100.000 anos AC, provenientes de Tebas. E também emocionam o viajante!

Foto: A. Vianna, 2012, Londres.

Pedra da Roseta


Quantas vezes o viajante se depara com a Pedra da Roseta, tantas ele se emociona. Ela é a Mona Lisa do Museu Britânico: sempre uma pequena multidão ao redor.

"A Pedra de Roseta é um fragmento de uma estela de granodiorito do Egito Antigo, cujo texto foi crucial para a compreensão moderna doshieróglifos egípcios. Sua inscrição registra um decreto promulgado em 196 a.C., na cidade de Mênfis, em nome do rei Ptolomeu V, registrado em três parágrafos com o mesmo texto: o superior está na forma hieroglífica do egípcio antigo, o trecho do meio em demótico, variante escrita do egípcio tardio, e o inferior em grego antigo.[1]"




Ref.:  http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedra_de_Roseta




Foto:, A. Vianna, 2012, Londres.

de corpo e alma


quando se tem 
mais de 60 anos
a idade
ora pesa
ora não pesa

pesa quando
o corpo fala
não pesa quando
a alma sorri

nessa idade
é preciso aprender
a conviver
com o corpo que dói
com a alma que ri

até o dia
em que não haja mais
motivo para dor
motivo para riso

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Outono em Praga


Há quem diga que o outono é mais bela estação do ano. As folhas, mesmo no chão, compõem a paisagem.

Foto: A. Vianna, 2007, Praga.

Matisse e o irmão



Paulo, diante de O torso de gesso.
O quadro, óleo sobre tela, de 1919, pertence ao acervo do MASP, São Paulo!

"Henri-Émile-Benoît Matisse (Le Cateau-Cambrésis31 de dezembro de 1869 — Cimiez3 de novembro de 1954) foi um artista francês, conhecido por seu uso da cor e sua arte de desenhar fluida e original. Foi um desenhistagravurista e escultor, mas é principalmente conhecido como um pintor. Matisse é considerado, juntamente com Picasso e Marcel Duchamp, como um dos três artistas seminais do século XX, responsável por uma evolução significativa na pintura e na escultura.[1][2][3] Embora fosse inicialmente rotulado de fauvista(besta selvagem), na década de 1920, ele foi cada vez mais aclamado como um defensor da tradição clássica na pintura francesa.[4]Seu domínio da linguagem expressiva da cor e do desenho, exibido em um conjunto de obras ao longo de mais de meio século, valeram-lhe o reconhecimento como uma figura de liderança na arte moderna."

Ref.:  http://pt.wikipedia.org/wiki/Henri_Matisse

Foto: A. Vianna, 2009, São Paulo.

Matisse (O torso de gesso, 1919)


O viajante, ao visitar a exposição sobre Matisse na Pinacoteca do Estado de SP, em 2009, depara-se com o grupo de crianças diante o quadro famoso, ouvindo as explicações de um instrutor.
Um bom exemplo de Educação pela arte.

Foto: Paulo Sergio Viana, 2009, São Paulo.

Praga (vista do Castelo)


Impossível não pensar em Kafka!

Foto: A. Vianna, 207, Praga.

Praga (Ponte Carlos)


Vista parcial da Ponte Carlos num dia frio.


"A Ponte Carlos (em tcheco Karlův most) é a ponte mais velha de Praga, e atravessa o rio Moldava da Cidade Velha até a Cidade Pequena. É a segunda ponte mais antiga existente na República Tcheca.
Sua construção começou em 1357 a pedido do rei Carlos IV, e foi finalizada a princípios do século XV. Sendo ela a única forma de atravessar o rio, a Ponte Carlos se transformou na via de comunicação mais importante entre a Cidade Velha, oCastelo de Praga e as zonas adjacentes até 1841."

Ref.: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ponte_Carlos


Foto: A. Vianna, 2007, Praga.