sexta-feira, 6 de maio de 2022

Dilema

Charge do dia

 


Aroeira


Realejo

Mais 47 cenas do Romance Familiar

 



 

Foi preciso que deparasse com a fotografia no Twitter para que toda a cena, tantos anos guardada na memória, surgisse cristalina, inteira, vívida em meu espírito. Ah! a nossa memória!

            Aos 10 anos de idade passei duas semanas em São Paulo, em companhia de meu pai. O motivo, um certo tratamento (?) para meu estrabismo através da ortóptica; em português raso, exercícios para botar o passarinho dentro da gaiola. Foi um tempo mágico! O pai exclusivo para uso meu, atenção total, dedicação exclusiva, passeios pela cidade onde ele havia morado quando solteiro e que conhecia com intimidade, hospedagem na pensão de Dona Cinhaninha, muito simples e asseada, onde o pai havia morado anos atrás. Com muito orgulho, fiquei conhecendo alguns de seus amigos, que continuavam morando no mesmo lugar.

            Além da felicidade reinante, me lembro bem de um fenômeno por mim experimentado, sem que me tivesse dado conta à época, naturalmente. Eu regredi! Voltei alguns anos em meu comportamento, parecia um menino com a metade da idade real. E, portanto, cheio de vontades.

            Antes de passar ao centro da história, uma advertência: Seu Ofir não era homem de gastar dinheiro à toa, nunca foi, tanto que os filhos nunca souberam o que era ter dinheiro no bolso, até a emancipação e saída de casa, adultos jovens. Fazia isso por princípio, herança familiar cultivada ao extremo.

            Em um dos passeios pelo centro da cidade, findo o trabalho inútil de guardar o passarinho, vi pela primeira vez um homem tocando realejo, encimado por pequena gaiola contendo um periquito. Se o passante solicitava a leitura da sorte, o homem abria a portinha da gaiola, o bichinho saía e com o bico puxava pequeno bilhete contendo o vaticínio! Para mim, uma cena indescritível, para a qual não tinha palavras adequadas: uma obra de arte, poesia em estado puro, verdadeira mágica!

            Pedi para meu pai a leitura da sorte, e ele, depois de muito relutar, conversar paciente comigo, Isso é bobagem, meu filho, mas o menino fincou o pé, queria-porque-queria, até que o pai consentiu. Tremenda emoção pela deferência do periquito para com a minha pessoa! O que havia escrito no papelinho, disso não faço a menor ideia.

            A fotografia do Instituto Moreira Salles me trouxe lágrimas aos olhos já cansados nesta manhã suave de maio e céu azul.




Foto: Realejo na Praça do Patriarca, SP, em 1953. Alice Brill #SPFotos.

 

terça-feira, 3 de maio de 2022

É isto um juiz? 2


Este blog publicou recentemente (24 abr 2022) É isto um juiz?, comentando as atitudes do Sr. André Mendonça frente ao Supremo Tribunal Federal, no caso da condenação de Daniel Silveira.

http://loucoporcachorros.blogspot.com/2022/04/e-isto-um-juiz.html

 

            Hoje, a bem da verdade, se faz necessária a complementação do funesto episódio. Aqui vai:

 

“Mendonça explicou a Bolsonaro razões para seu voto pela prisão de Daniel Silveira: notícia publicada hoje na Folha.Uol (2.mai.2022).” 

 

“O presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, tiveram uma conversa telefônica após o julgamento do deputado Daniel Silveira (PTB-RJ), que foi condenado à prisão por 10 votos a 1.”

 

“Mendonça foi um dos ministros que votaram pela condenação, embora propondo uma pena menor do que seus colegas.”

 

“Segundo o Painel apurou, Mendonça explicou ao presidente os motivos de ter dado uma pena menor ao parlamentar e foi elogiado por Bolsonaro, que depois o defendeu em público das críticas da base conservadora em um evento.”

 

            Ou seja, houve desdobramentos...

 

 

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2022/05/mendonca-explicou-a-bolsonaro-razoes-para-seu-voto-pela-prisao-de-daniel-silveira.shtml?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=twfolha

 

 

segunda-feira, 2 de maio de 2022

Ato falho

Charge do dia 


Amarildo

O ateliê vermelho



O MoMA, de Nova York, reuniu pela primeira vez a maioria das obras que aparecem no Ateliê Vermelho, quadro de Matisse: seis pinturas, duas esculturas, uma peça de argila e um prato de cerâmica (AFP, Redação, 29 abr 2022). Ou seja, uma exposição a partir de um único quadro. 

Todas as obras foram feitas por Matisse entre 1898 - quando tinha 28 anos e acabara de concluir a Escola de Belas Artes de Paris - e 1911, quando o magnata e colecionador russo Serguei Shchukin fez uma encomenda a ele.



Das dez obras expostas, duas são propriedade do MoMA, entre elas o próprio Ateliê Vermelho, três da Galeria Nacional da Dinamarca e as outras foram emprestadas por outros museus e colecionadores privados.




De todas as obras que o artista apresenta no Ateliê Vermelho, falta o grande nu com fundo rosa. Matisse pediu que o destruíssem após sua morte. 

 



Para a composição de O Ateliê Vermelho, Matisse usou como modelo seu próprio ateliê – anteriormente branco – situado em Issy-les-Moulineaux, subúrbio de Paris. Uma grande área de cor vermelha contém a arquitetura e a mobília do ambiente, demarcadas por finas linhas, ou arranhaduras na superfície vermelha. Ele achava que o vermelho seria capaz de suprimir a ilusão de espaço. 

Na pintura são apresentados quadros, cerâmicas e pequenas esculturas feitas pelo artista. No meio da parede frontal encontra-se um relógio circular – eixo central da composição – sem os ponteiros, como se o tempo ali não importasse. 

 

 

https://cultura.estadao.com.br/noticias/artes,a-nova-vida-do-atelie-vermelho-de-matisse-no-moma-de-nova-york,70004052170

sexta-feira, 29 de abril de 2022

O gesto

Imagem & Microconto


Ela esperou, esperou, aquela conversinha mole, e nada; ele não tomava a iniciativa. Foi preciso um pequeno grande gesto!



Foto de autor desconhecido.

quarta-feira, 27 de abril de 2022

Da amizade



 

Tempos atrás, antes da pandemia, recebi com enorme alegria a visita de um grande amigo. Conversamos muito, este era mesmo o objetivo do encontro, um assunto puxava outro, a conversa fluía regada a um razoável vinho francês, até que cai a noite. Nos sentamos na varanda, a temperatura amena, o coração em paz. Eis que surgem os vagalumes, uma porção deles, a piscar no jardim. Meu amigo revelou então grande surpresa com o espetáculo, pois nunca tinha visto um vagalume! Ele demonstrou nada menos que entusiasmo com o show dos vagalumes. Esta imagem tão singela há de permanecer em mim como rara manifestação de amizade e amor.



Foto de autor desconhecido.