quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Non-sense-photography



 

A fotografia postada anteriormente nesse blog http://loucoporcachorros.blogspot.com/2020/12/insolita-cena.html deu ensejo a um novo marcador: Non-sense-photography. (O título permanece em inglês porque não conheço tradução para a expressão non sense.)

            A utilização de pratos, talheres e respectivos comestíveis revela rico simbolismo. É prato cheio!

            Segue a série, que se presta à criação de microcontos, aforismos, associação de ideias, etc.




Ele nem abriu a lata de comida e já queria comer o almoço.

 


 


Ele não era propriamente um leitor; era um comedor de livros.

 


 


Antropofagia.


terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Versinhos de Bem-Querer

A foto do dia 


Bordadeiras do Cutume / Divulgação


 

A reportagem é de Deborah Bresser, para a Folha de S. Paulo.

 

“Distribuir afeto e delicadeza é forma de combater os impactos da pandemia.

Foi a estratégia do Versinhos de Bem-Querer, iniciativa da Associação Jenipapense de Assistência à Infância (Ajenai), ao mobilizar “jogadoras de versos” em rodas de cantigas no Vale do Jequitinhonha.

O resgate da tradição cultural da região com menores índices de desenvolvimento de Minas Gerais virou renda, com a venda de versinhos sob encomenda “cantados” por mulheres da comunidade em plataforma online.

Ao acessar o site ou o Instagram, o comprador manda breve descrição da pessoa a ser presenteada para que os versinhos sejam compostos de forma personalizada, ao custo de R$ 26 cada.”

 

 

https://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/2020/12/mulheres-do-vale-do-jequitinhonha-vendem-versos-para-ter-renda.shtml

 

Fotoabstração N. 73

Fotoabstração





Foto: AVianna, dez 2020.

 

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Insólita cena

 


 

            Estou atento aos mínimos sinais. Até quando, até quando?

            Uma de minhas funções cotidianas é botar a mesa para o almoço, o que faço sem dificuldade, seguindo as regras da boa etiqueta. Ontem, uma surpresa: me deparo com a intrigante imagem de um prato e duas facas dispostos em meu lugar à mesa. Como assim? Assim não posso comer...

 

            Alinhavo de pronto algumas hipóteses para justificar a cena.

            – Uma piada?

            – Simples distração?

            – Pura falta de atenção?

            A última hipótese me atrai, provavelmente devido a repetição do fato em refeições anteriores, não muitas.

 

            Gosto da palavra lunático, que segundo o Houaiss significa “aquele que vive fora da realidade”. Aquele que vive mais na Lua que na Terra. Se estou na Lua, como posso dispor corretamente os talheres na mesa de minha terráquea casa?

            Talvez esta distração possa ser uma das primeiras manifestações do processo de demenciação, a falta de atenção. 

            Alienação também é uma boa palavra para exprimir tais ideias. Voltemos ao dicionário: afastamento,alheamentodistração, são significados registrados e pertinentes. A mente divaga e o corpo vai junto, naturalmente. 

            Já não sou eu quem bota a mesa? Que outro será este? Permaneço atento aos mínimos detalhes, na tentativa de manter o Eu no lugar onde sempre esteve.

            Ou se trata apenas de uma piada?

            

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Flores e insetos

Meus quadros favoritos 



Jan van Kessel, the Elder

Antuérpia, Bélgica, 1626 - 1679
Pintor flamenco especialista em naturezas mortas

Função da Literatura


A empresária Adriana Ferreira
Foto: Ana Cândida Tofeti

 

A reportagem de Bruna Martinelli  (14 dez 2020) para Revide chama nossa atenção desde o título: Empresa de São Carlos motiva funcionários a ler e escrever em meio à pandemia.

            Adriana Ferreira, 48, formada em jornalismo, é uma grande leitora, mas “seguiu o ramo de negócios para manter a empresa familiar, uma concessionária de veículos de São Carlos”. Sempre com um livro na mão, Adriana despertou a curiosidade dos funcionários; o desejo de compartilhar o hábito da leitura contaminou seu ambiente de trabalho. Criou-se assim uma roda de conversa literária com a participação de mecânicos, estagiários e pessoas de diferentes profissões, com livros financiados pela empresa.

“Tem gente que nunca tinha lido um livro, só resumo para vestibular e faculdade. Eles estão lendo e tendo boas discussões sobre livros que eu leio e que os outros vão indicando. Desse grupo já surgiu um outro, pois os funcionários tinham interesse em incluir parentes, amigos, então acabei montando um outro grupo aberto para não ter muitas pessoas e dar espaço para todos falarem. Hoje temos dois grupos: um de pessoas da empresa e outro de pessoas de fora”, conta Adriana.

Adriana notou mudanças positivas tanto no ambiente de trabalho quanto no lado pessoal dos funcionários, que afirmam: “eu não sabia que ler é tão bom”. 

Em seguida foi inaugurada uma oficina de escrita criativa, promovida pela funcionária Andressa Leonardo, formada em linguística, e que reúne dez pessoas para aprimorar a escrita através de textos e poesias. 

São palavras da própria Adriana: “Meu sonho era sempre levar para mais alguém tudo que a literatura fez de bom para mim. A gente percebe pelos relatos que isso amplia a vida delas. É um novo espaço dentro da gente, um espaço de sonho e compreensão que você não volta mais para trás. Em vez de fazer uma rodada de cerveja para os funcionários em um fim de tarde, compra um livro e faz uma roda de leitura que você terá muito mais resultado. O investimento é muito baixo, é só comprar um livro e abrir um espaço para as pessoas se reunirem em roda. Não interessa que no começo serão 5, amanhã serão 7, e assim vai”.

 

Sem dúvida um belo exemplo, a ser seguido em todo lugar que haja um determinado grupo de pessoas, juntas por qualquer razão.

Relembro aqui a afirmação de Antonio Candido: 

 

“A literatura é, ou ao menos deveria ser, um direito básico do ser humano, pois a ficção/fabulação atua no caráter e na formação dos sujeitos”.

 

            É isso que Adriana Ferreira vem promovendo.

 

 

http://www.revide.com.br/blog/ana-candida-tofeti/empresa-de-sao-carlos-motiva-funcionarios-ler-e-es/

 

Depois da chuva

Fotominimalismo 






Foto: AVianna, dez 2020

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Bicho

“O bicho é o homem que nós não somos.”

 

 

                        Nélida Piñon
                        Um dia chegarei a Sagres, Record 2020