sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Banksy ataca novamente




Mural atribuído a artista Banksy em Marsh Lane, Bristol. Rebecca Naden/Reuters


O artista de rua britânico Banksy revela mural para o Dia dos Namorados em Bristol, no oeste da Inglaterra, visto na manhã desta quinta-feira (14), segundo Elizabeth Howcroft, para a Reuters.
“O grafite mostra uma menina de echarpe estampada na lateral de uma casa da área de Barton Hill, em Bristol, com tinta preta e branca. Ela segura um estilingue em uma mão e a outra atrás de si, como se tivesse acabado de lançar um projétil. No final da trajetória do estilingue aparece uma forma vermelha brilhante como uma mancha de sangue feita de flores e folhas vermelhas de plástico.
O mural foi, véspera do Dia dos Namorados no país.”
            Banksy surpreende sempre.


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Debora Diniz ganha o prêmio Dan David



“A antropóloga e colunista do EL PAÍS Debora Diniz venceu nesta quarta-feira (12 fev 2020) o prêmio Dan David na categoria igualdade de gênero. A iniciativa, que existe desde 2001, reconhece pesquisas interdisciplinares que “quebram paradigmas e fronteiras” em sua área, promovendo “impacto social e cultural”. 
“Estou emocionada com esta honra. Sou a segunda mulher da América Latina a receber este importante prêmio acadêmico”, escreveu a antropóloga no twitter. “Agradeço a todas as mulheres que eu conheci ao longo da minha carreira de pesquisadora. É alentador saber que a luta pelo aborto no Brasil é central à igualdade no mundo”. Diniz dividiu a honraria de um milhão de dólares (ou 4,7 milhões de reais) com a professora indiana Gita Sen, que atua na área de empoderamento econômico da mulher.”
“Diniz, que é professora da Universidade de Brasília e também pesquisadora da organização Anis Instituto de Bioética, precisou deixar o país em 2018 após sofrer uma série de ameaças de morte nas redes sociais devido à sua posição com relação aos direitos reprodutivos das mulheres. Ao longo de sua carreira acadêmica, antropóloga sempre buscou qualificar o debate sobre o aborto, procedimento que, segundo levantamento do Anis, foi realizado por uma a cada cinco mulheres de até 40 anos. Entre 2016 e 2017 ela se tornou figura central nas discussões sobre interrupção da gravidez em um momento no qual o Supremo Tribunal Federal discutia o assunto: Diniz defende o aborto até a 12ª semana de gestação.”



quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Mais 3 do Moisés


Desejo

Acorde! A paixão é por si mesmo. É ventania. Destrói casas.



Não tenha pressa

– Neto querido, terás muito tempo para a castidade e a clausura monástica quando te tornares um velho como eu.



Maldita web

Jornais, revistas e TVs se tornaram meras fontes de informação sobre suas próprias linhas editoriais.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Parasita ganha todos os prêmios




O diretor sul-coreano Bong Joon-ho fez um filme brilhante, original, espetacular mesmo, chamado Parasita, título que chama atenção, intriga, provoca e leva o expectador ao cinema, e ele não se decepciona, aplaude.
            (Tenho dificuldade para escrever sobre o filme sem contar a história, aquilo que modernamente se chama de spoiler; prefiro a nossa expressão ‘contar a história’, bem mais afetuosa.) 
Enumero apenas 10 fatos que me pareceram marcantes, numa síntese esquemática, com a pretensão de descrever, mais do que revelar. Destaco a dualidade, a simetria e a assimetria constantes. (O que faço mesmo é organizar minhas ideias através da escrita, para pensar melhor o filme.)
            
1.  2 famílias: 2 maridos, 2 mulheres, cada uma com 2 filhos, 1 menino e 1menina em cada família, de modo a perfazer 2 meninos e 2 meninas. 

2.  2 condições sócio-econômicas opostas, pobreza e riqueza extremas.

3.  2 casas ou moradias distintas, tão marcantes, elaboradas com tantos detalhes, que poderiam ser consideradas também protagonistas.




4. A casa da família rica, na ficção, foi criada pelo famoso arquiteto Namgoong Hyeonja. Tem linhas retas, é contemporânea, a sala com imensa janela de vidro ao fundo. O projeto é do cenógrafo Lee Ha Jun, construído em terreno baldio da Coreia do Sul, com calculada incidência de luz solar sobre o jardim, por exigência do diretor. A casa é tão real que é possível que alguém, mesmo durante o filme, tenha buscado no Google informações sobre sua origem e localização. 


(Divulgação)

5. Os pobres vivem em um buraco fétido, subterrâneo sem iluminação, onde nunca chega a luz solar, onde abundam insetos e todo tipo de quinquilharias; e eles são acumuladores de pobreza. A única pequena janela do buraco se abre para o rés da rua, onde vizinhos mijam à vontade. (Há quem viva ainda hoje em tais habitações na Coreia do Sul.)




7.  A família pobre, sem qualquer caráter, à sua maneira está bastante viva para praticar falcatruas, contar mentiras, espoliar (origem da gíria spoiler) o próximo, em busca de uma vida melhor, pois o buraco onde habita cheira mal. Eles têm esperança, representada por uma pedra mágica que ganharam de presente (portanto, sem qualquer esforço).

8.  A família rica é disfuncional, pobre de ideias, atolada na superabundância material, tudo de ótima qualidade porque vem dos Estados Unidos. Não sabem o que significa ter esperança porque têm tudo, não precisam de mais nada. (Mesmo assim, há uma cena em que o motorista despeja na mesa uma dezena de quinquilharias ou eletrônicos.) Eles toleram os pobres, só não suportam o cheiro deles, o que no filme não é um mero detalhe.

9.  2 famílias parasitas; pensando bem, quando o filme termina, percebemos que todos são parasitas.

10.  Ao final, sobram 2 de cada lado. (Ops!, quase conto a história.)

            Há muito mais para ser pensado, apenas não posso contar aqui. Mas é um grande filme, para entrar para a história do cinema.

Foto e microconto




Ao entrar no quarto de dormir, surpresa, perguntou, Ainda tem lugar pra mim aí nessa cama?



Foto: Cecília Vianna, fev 2020.

Sagres refaz epopéia



Navio-escola português Sagres refaz a primeira viagem de circunavegação no séc. XVI. 
Foto: Infoglobo


Em jornada de 371 dias, o navio-escola Sagres zarpou de Lisboa no dia 5 de janeiro, para passar por 22 portos de 19 países diferentes, repetindo o episódio que marcou para sempre a história da navegação, grande feito da humanidade. A reportagem é de Filipe Barini para O Globo (10 fev 2020).
“A jornada do navio-escola Sagres busca o caminho feito há 500 anos pela esquadra comandada por Fernão de Magalhães. Sem os recursos de navegação, de comunicação ou mesmo de saúde disponíveis hoje, os cinco navios com 250 tripulantes a bordo se lançaram rumo ao Oceano Atlântico em 20 de setembro de 1519. Foram 1.081 dias a bordo, cruzando três oceanos e mudando a perspectiva sobre o planeta, destroçando mitos medievais e traçando novas rotas comerciais.
O custo humano, porém, foi colossal: dos 250 tripulantes que começaram a viagem, apenas 18 retornaram ao porto de Sanlúcar, na Espanha, em 6 de setembro de 1522. Fernão de Magalhães não estava entre eles: o navegador foi morto durante uma batalha nas Filipinas, em abril de 1521, sendo o restante da viagem comandado pelo espanhol Juan Sebastián Elcano.”




segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Com o passar do tempo 2...


Conservador

Lia, relia, voltava a ler, anos a fio, Machado de Assis. Tornou-se monarquista.


Convivência

Especialista de renome, passou a vida tratando de adolescentes. Ela mesma nunca chegou à idade adulta.


Ilusão desfeita

Inteligentíssima, memória elefantina, a certa altura da vida pensou que sabia tudo. Amarga ilusão...

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Mozart no céu


No dia 5 de dezembro de 1791 Wolfgang Amadeus
                               [Mozart entrou no céu, como
                               [um artista de circo, fazendo
                               [piruetas extraordinárias sobre
                               [um mirabolante cavalo branco.

Os anjinhos atônitos diziam:    Que foi?   Que foi?
Melodias jamais ouvidas voavam nas linhas
                               [suplementares superiores da
                               [pauta.
Um momento se suspendeu a contemplação inefável.
A Virgem beijou-o na testa
E desde então Wolfgang Amadeus Mozart foi o mais
                               [moço dos anjos.


                                Manuel Bandeira

Mártir



Médico Li Wenliang foi infectado pelo coronavírus e morreu
Foto: Reprodução/Redes Sociais



 Li Wenliang, médico oftalmologista de 34 anos, no final de dezembro tentou alertar as autoridades sobre um vírus misterioso. Parece que a polícia chinesa não concordou em divulgar a notícia, retardando o diagnóstico, tratamento e prognóstico da epidemia que se desenvolveu. Há três dias Li Wenliang morreu, e até sua morte encontrou dificuldade para ser divulgada.
            E há quem peça a volta da ditadura.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Com o passar do tempo...


Homem pássaro

Uma vida a fotografar pássaros: gestos delicados em silêncio, passos lentos, fiapo de voz. Até que aprendeu a voar.


Mulher peixe

Não fazia outra coisa senão mergulhar. Com o passar do tempo, desaprendeu a falar. Apenas borbulhava. 


Gosto de sangue

Depois de longa vida como cirurgião, aposentou-se. Inconformado, comprou um açougue.