Política sem palavras
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
quarta-feira, 19 de outubro de 2016
Vingança
Ao chegar em casa, depois de uma noite
de trabalho nas ruas, o policial encontrou sua família assassinada.
Fechamento dos zoológicos no Brasil
Patrocinada pela NewPangea, está aberto
o abaixo assinado pedindo o fechamento dos zoológicos do Brasil.
Dizem os autores do site:
“Existem mais de cinco milhões de
animais selvagens aprisionados em zoológicos no mundo todo. Mais de um milhão
morrem anualmente, já que não resistem ao ambiente em que
vivem enjaulados.
Se desejamos que os Animais
Não Sofram Crueldade, devemos começar por erradicar os zoológicos como eles
existem hoje, para divertimento e lazer da população. É uma mesquinharia da
raça humana sacrificar milhões de vidas inocentes para agradar seus iguais.”
O
Louco assinou e sugere que assinem os que estão a favor desta humanitária
causa.
Clique
no endereço abaixo:
terça-feira, 18 de outubro de 2016
Mordomia carioca
Os cariocas estão sempre
nos surpreendendo com suas novidades, algumas curiosas e bastante inventivas.
Da última vez que fui a Ipanema, encontrei da orla do mar a tal altinha, um
jogo de bola novo e criativo, bem democrático, ao incluir todos os gêneros.
Desta vez, ao chegar à praia de Copacabana lá
pelas 10 da manhã, o sol já queimando os banhistas, temperatura perto dos 35
graus, notamos vários rastros na areia, que iam do calçadão até onde estavam
armadas as barracas, próximas à água do mar.
Olhando
de perto, vimos que se tratavam de trilhas de areia molhada, obtidas com
irrigação através daqueles tubos de borracha contendo pequenos orifícios, como
os utilizados na irrigação de hortas, gramados e jardins. E a coisa funcionava
mesmo! Areia fresquinha, boa de se pisar descalços, sem o perigo de queimar a delicada
sola dos pés de turistas como nós.
Que
beleza! Mas assim de graça?! Sem mais nem menos?!
Bem,
agora vem a esperteza do carioca, que não dá ponto sem nó. O rapaz que ficava
esperando pelos banhistas no calçadão, nos conduziu pela trilha molhada até a
barraca para a qual ele trabalhava: O senhor quer duas cadeiras, duas barracas,
água, cerveja, caipirinhas, água de coco, é só pedir, estou à sua disposição,
basta me chamar...
Sentamos,
pedimos, bebemos, estava mesmo ótima a praia de Copacabana, com mais uma
“mordomia” carioca.
Foto: A.Vianna, out 2016, Rio de Janeiro.
Quarenta dias
Maria Valéria Rezende já havia publicado Vasto mundo, O voo da guará vermelha e Modo
de apanhar pássaros à mão. Com Quarenta
dias ganhou o Prêmio Jabuti, na categoria de melhor romance de 2015.
A
experiência de vida da autora é extraordinária. Nasceu em Santos, SP, e em 1965
entrou para a Congregação de Nossa Senhora, Cônegas de Santo Agostinho, freira
portanto aos 24 anos.
Sempre
envolvida com educação popular e alfabetização, primeiro em São Paulo, depois
no Nordeste, exilou-se por conta da ditadura militar. Formou-se em Literatura
Francesa pela Universidade de Nancy.
Quarenta dias é um romance envolvente,
intenso, perturbador. Dona de uma linguagem originalíssima, Valéria Rezende
descreve as privações de Alice, uma nordestina perdida nas ruas de Porto
Alegre, levada à loucura pela busca incessante de um rapaz desaparecido que nem
ela conhece. Porém, o que Alice perdera era a ela mesma.
Vejamos
um trecho da escritura de Maria Valéria:
“Entrei
neste apartamento – ainda não consigo dizer “em casa”, tento, mas não há jeito
– agora há pouco, exausta, carregando um furdunço no peito, sem saber onde
despejar esta balbúrdia de imagens, impressões, sentimentos acumulados por
quarenta dias, dei com o olho na Barbie e soube logo em quem vou descarregar
tudo isso. Por sorte o caderno estava ali mesmo, perto da porta de entrada, na
mesinha do telefone onde eu deixei desde que desfiz as malas sem ter o que
fazer com ele, nem tranquei a porta, nem fui ao banheiro, nem bebi um copo
d’água, muito menos pensei em telefonar a Norinha, a Elizete ou a quem quer que
seja, aquela sensação de existir solta, no meio do mundo, sem nenhuma
determinação alheia, mas exposta a tudo, uma conquista dura, persistindo como
se eu ainda estivesse na rua, peguei o caderno, procurei uma caneta, joguei a
bolsa e os sapatos por aí, desabei no sofá branco que eu detesto com você,
Barbie, no colo, apoiada numa almofada roxa de babados que eu também detesto,
mas Norinha adorou, comprou e até combina com você, “my dear friend”.
Alice, a personagem central do romance,
confessa desde o início que escrever tem mesmo uma função terapêutica. E o
Louco gostou disso.
A Jangada e o Mar
A JANGADA E O MAR
Sobre a areia, deitada,
diante das ondas do mar,
cisma, quieta, a jangada,
cansada de navegar.
E o mar chamava a jangada,
saudoso de sua vela.
O mar, sem barco, é nada,
o vento é nada, sem ela.
E a jangada respondia:
“Quanto mar já naveguei,
quanto vento e maresia!
Ai de mim, que me cansei...
Deixa que eu fique aqui mesmo,
aqui também se passeia,
deixa que eu navegue a esmo
sobre as ondas da areia...”
Do mar soou um lamento
e do vento um triste canto,
ficou sem vela o vento
e o mar sem seu encanto.
Inspirado na foto já publicada neste blog (http://loucoporcachorros.blogspot.com.br/2016/10/jangadas.html)
o poeta Paulo Sergio acrescentou à primeira quadra os
demais versos do lindo poema!
Também publicado no Blog do Paulo Sergio Viana.
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