quarta-feira, 2 de março de 2016

Aleluia! Maluf condenado!

Aleluia! O que o Brasil nunca foi capaz de fazer, os franceses fizeram: “Justiça da França condena Maluf a três anos de prisão por lavagem”. A notícia foi publicada por Mariana Oliveira, de O Globo.
A 11ª Câmara do Tribunal Criminal de Paris condenou o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) a 3 anos de prisão pelo crime de lavagem de dinheiro na França (fruto de corrupção e desvio de dinheiro público no Brasil), de 1996 a 2005.
Pelo mesmo crime foram condenados Sylvia Lutfalla Maluf e o filho Flávio Maluf.
“A Justiça francesa confiscou 1,8 milhão de euros que estavam em contas da família e valores em espécie, além de impor multas aos três que somam 500 mil euros”, afirma Mariana Oliveira.
A justiça francesa trabalhou em conjunto com a Procuradoria Geral da República e o Ministério Público do Estado de São Paulo.




Chagall: Flores e frutos



Marc Chagall (1887-19 85): Flores e frutas (1949).

a pintura e a aldravia

Aldravia n. 27



inspiração
talento
criatividade
trabalho:
tudo
azul



Henri Matisse (1869-1954): Interior com goldfish.
Impressionismo, Modernismo, Fauvismo, Neoimpressionismo.


Pissarro



Lucien Pissarro (20 February 1863 – 10 July 1944)


terça-feira, 1 de março de 2016

a pintura e o haicai



atenta leitora
sobre a perfumada relva
momento de paz


Das la Prairie (1876), de Claude Monet (1840-d1926).





Sohlberg


    Harald Oskar Sohlberg

    Nascimento29 de setembro de 1869, Oslo, Noruega
    Falecimento19 de junho de 1935
    PeríodoNeorromantismo

    (Clique para ampliar)

Ainda sobre o "Spotlight"



A manchete do editor do The Boston Globe, logo após o resultado do Oscar, é bastante sugestiva:

“Vitória de 'Spotlight' injeta ânimo no jornalismo”.

A reportagem de Guilherme Genestreti e Rodrigo Salem, para a Folha de S. Paulo (29/02/2016), descreve a reação do jornal americano que anuncia: "O Oscar veio para casa", pois o filme é inspirado no trabalho dos repórteres investigativos do jornal.
Os jornalistas que participaram das reportagens sobre pedofilia na Igreja foram efusivos. Matt Carroll, ao comparecer à cerimônia, exclamou: "Estamos literalmente na última fileira... mas estamos aqui e orgulhosos". Marty Baron, ex- editor-executivo do Globe, escreveu longo artigo no Washington Post, destacando as recompensas que uma estatueta traria ao jornalismo como um todo. A produtora Blye Pagon Faust falou com a imprensa, exaltando o "impacto global" que uma notícia bem apurada pode ter. Já o diretor Tom McCarthy foi bem claro: "Fizemos esse filme para todos jornalistas que fazem ou fizeram os poderosos assumirem suas responsabilidades". Walter Robinson, da Redação do Boston Globe, disse que o filme era "uma injeção de ânimo" para quem ainda permanece no jornal.
O Globe abriu bolsa de US$ 100 mil para a formação de jornalistas investigativos.
O artigo da Folha enaltece o mesmo fato: “Um dos pontos mais importantes na vitória de Spotlight é a exaltação do jornalismo investigativo feito com paciência – técnica oposta à rapidez exigida pela internet.”
            O que incomoda o Louco é que o tema principal, a pedofilia na Igreja, foi praticamente ignorado, vencido pelo orgulho (até justo) de editores, jornalistas, produtores de filmes, etc. Até mesmo na própria cerimônia do Oscar o tema recebeu mínima atenção. O grande mérito coube ao jornalismo!
            A força desses meios de comunicação, imprensa, cinema, é incomparavelmente superior ao poder dos humilhados – as crianças submetidas ao abuso sexual e seus familiares. E o poder da Igreja Católica, superior a todos eles.
            O que se espera, de fato, é que a pedofilia seja duramente reprimida dentro da Igreja, e não apenas que o jornalismo investigativo seja estimulado. Nada contra este último: foi graças a ele que os fatos foram revelados em Boston; nada contra o filme Spotlight, que é realmente ótimo e merecedor do prêmio, em minha opinião. Porém, eles não constituem um fim em si mesmos, mas um meio. O combate à pedofilia deveria ocupar o centro das atenções.
            Não vejo reação proporcional do Vaticano diante da gravidade dos fatos revelados em todo o mundo. Não cabe, portanto, à imprensa, contar vantagem antes da hora.


segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Ainda O Filho de Saul



Ilana Feldman, ao publicar a crítica sobre “O irrepresentável no filme "Filho de Saul” (Folha de S. Paulo, 28/02/2016), ainda não sabia que ele foi mesmo o ganhador de melhor filme estrangeiro no Oscar de 2016. A moça (37, doutora em cinema pela ECA-USP), inicia sua belíssima crônica do jeito que o Louco gosta, superlativa: “Não seria exagero afirmar que "Filho de Saul", filme de estreia do húngaro László Nemes, é um dos maiores acontecimentos cinematográficos das últimas décadas.”
Prossegue Ilana: “É da guerra das imagens que se trata: é possível e moralmente aceitável representar um evento-limite, terrível e singular como o Holocausto? É possível e tolerável espetacularizar aquilo que há de mais extremo e obsceno na vida humana, o momento de sua morte?”
Este blog havia já se ocupado deste grande filme: http://loucoporcachorros.blogspot.com.br/2016/02/o-filho-de-saul.html
Repito aqui um trecho da postagem anterior, que coincide com a crítica de Ilana: “Porque a câmera está permanentemente grudada em Saul, a profundidade de campo torna-se limitadíssima, pois só importa o que ele vive em cada momento. O segundo plano é mostrado quase sempre fora de foco, o que haverá de gerar grande desconforto em alguns expectadores, especialmente naqueles que desconhecem certos detalhes do que foi a vida num campo de concentração como o de Auschwitz. Parece que o desejo do diretor foi mesmo este, de indicar que é impossível construir uma visão total e completa daquilo que foi um desses campos. Primo Levi (1919-1987), autor do monumental É isso um homem?, haveria de concordar.”
Afirma Ilana: “Recusando a banalidade realista e a indecência do melodrama no contexto do extermínio, Nemes opta por uma linguagem rigorosa, de uma parcialidade radical: assim como o protagonista, não vemos "o" campo, não temos acesso a nenhuma forma de totalidade do que se passa. ... Para o espectador, ainda pior do que estar lá, é imaginar.”
A tese de Ilana Feldman é a de não aceitar a “banalidade realista”, e que um “evento-limite” como o Holocausto é irrepresentável, sob pena de transformá-lo em “indecente melodrama”.
Aqui, o Louco discorda frontalmente. O filme de László Nemes só existe, só foi possível concebê-lo, porque houve uma série de filmes anteriores a ele, revelando aquela realidade impossível de ser revelada completamente. "Kapò", de Gillo Pontecorvo (1961), "Shoah", de Claude Lanzmann (1985), "A Lista de Schindler", de Steven Spielberg (1993), e tantos outros são exemplos de tratamento realista do tema. A denúncia daqueles crimes exigia que fossem mostrados cruamente, como Primo Levi fez em seus livros, sem que estes fossem rotulados de melodramáticos.
Ao sairmos do cinema, minha mulher ouviu a conversa de três mulheres e uma delas dizia, em alto e bom som: “Alguém pode me explicar este filme?” Suponho que ela desconhecia a realidade de um campo de extermínio como o de Auschwitz-Birkenau. O filme de László Nemes, com toda a sua arte, não foi capaz de revelar a ela a extensão da insanidade nazista.
Por isso, afirmo que O filho de Saul, ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2016, repito, é mesmo “um dos maiores acontecimentos cinematográficos das últimas décadas”, como escreve Ilana Feldman, porém como a maioria dos feitos humanos, “vem montado nos ombros de gigantes”!



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016