terça-feira, 30 de julho de 2013

Équidna-de-bico-curto

A foto do dia.



A foto é de um filhote de équidna-de-bico-curto (Tachyglossus aculeatus), espécie nativa da Austrália e Nova Guiné.


Equidna (do grego Ἔχιδνα, a víbora), criatura da mitologia grega, com tronco de uma bela mulher (ou ninfa) e cauda de serpente em lugar dos membros. Era gigante, como um titã. Por isso era a única capaz de se unir ao horrendo Tifão. Vivia numa caverna no Peloponeso ou na Síria.
Segundo Hesíodo era filha de Fórcis e Ceto, e portanto neta de Ponto e Gaia. Em outras versões seria descendente de Tártaro e Gaia ou ainda de Crisaor e Calírroe.
Equidna, em função da própria monstruosidade, casou-se com o horrendo gigante Tifão, tornando-se a "mãe de todos os monstros".
Seus filhos com Tifão foram: Cérbero, o cão de três cabeças, que guardava o Hades; Ortros, o cão de guarda de Gerião, de duas cabeças; a Hidra de Lerna; a Quimera, morta por Belerofonte; Ladão, o dragão de cem cabeças; Cila, monstro da lenda de Odisseu, também considerada sua filha com Tifão.
Do seu filho Ortros, Equidna concebeu: o Leão da Nemeia; Fix (ou Sfix), a Esfinge de Tebas, derrotada por Édipo.
Segundo uma lenda do Ponto Euxino, ela se uniu a Héracles numa passagem do herói pela Cítia, concebendo desta união: Agatirso, Gélon, Cites, que deu origem aos Citas.
A descendência de Equidna ainda incluía: o dragão da Cólquida, que guardava o velocino de ouro; o dragão que guardava o jardim das Hespérides; Ethon, a águia que comia o fígado de Prometeu.
Equidna, assim como suas crias, possuía uma natureza terrível e adorava devorar viajantes inocentes. Veio finalmente a ser morta por Argos Panoptes, o monstro de cem olhos, que a surpreendeu adormecida.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Equidna

19. O que dizer aos pais que perderam seus filhos?


Para começar a conversa, devo dizer que não sei o que dizer aos pais que perderam seus filhos. É sempre uma conversa muito difícil, quanto a isso não resta dúvida.
Nas ocasiões em que me vi em tal situação, a primeira coisa que me ocorreu dizer foi que, não tendo vivido aquela experiência, a de perder um filho, tinha muito mais a aprender do que ensinar. Isso parecia imprimir um tom de realidade, porque verdadeiro, à conversa que se iniciava, e trazer alguma segurança a ambos os interlocutores. Como se eu dissesse, Você sabe mais do que eu e está em melhores condições para se ajudar a si mesmo. Porém, deixava claro que, mesmo em desvantagem, minha disponibilidade para ajudar era total.
Num momento como esse, a pergunta “o que é ajudar?” ganha enorme dimensão! Sei que “solucionar o problema para o outro” não significa ajudar, mesmo porque constitui missão impossível. Então, cabe uma outra pergunta, aparentemente singela mas de difícil resposta, Como posso ajudar? Quem ouve esta pergunta atentamente e pode pensar sobre ela inicia um processo de autoajuda, com o auxílio do interlocutor/terapeuta. É como se perguntasse a si mesmo, O que posso fazer por mim?
Voltemos à questão inicial, o que dizer aos pais que perderam seus filhos? Embora tenha já confessado que não sei o que dizer, talvez possa ajudar o fato de que sei o que NÃO dizer.

1. Jamais digo Sei o que você está sentindo. Pela simples razão, exposta acima, de que não posso saber o que nunca experimentei. Esta mentira “sei o que você está sentindo” é ofensiva àquele que sofre. Em nada conforta. Demonstra apenas que o interlocutor/terapeuta não dispõe de empatia para aquele com quem conversa. Em outras palavras, Ele não sabe o que está dizendo. Talvez esteja apenas tentando aplacar seu próprio sofrimento, diante da enorme impotência por não saber.

2. Nunca digo Deus sabe o que faz. Ou Deus escreve certo por linhas tortas. Ou Devemos aceitar os insondáveis desígnios de Deus. Ou Tenha fé em Deus. Isso é tudo que um pai ou uma mãe não precisa ouvir nesse momento, pois, dirão, É esta a infinita bondade de Deus!?  Talvez eu possa explicar que, nessas circunstâncias, blasfêmia não é pecado. (O que é o pecado?) O ódio, bem como o amor, são sentimentos humanos, e é com eles que devemos trabalhar, depois de reconhecê-los em nós.

3. Não posso dizer Tenha paciência, isso vai passar. Mas quando?, haverão de perguntar os pais imersos em insuportável sofrimento. Eles desejam o alívio imediato, pois aquela dor é mesmo insuportável. Como então ter paciência?
Talvez possam admitir que o tempo, que passa, ajuda, mas a questão é o que fazer enquanto o tempo passa!

4. Não digo Você precisa consultar um psiquiatra, que lhe prescreverá um antidepressivo e um ansiolítico. Luto não é depressão. Por mais impiedoso que possa parecer, viver e sofrer a tristeza do luto são necessários para a superação do próprio luto. Tristeza não é depressão, portanto não precisa ser medicada.
Porém, luto pode transformar-se em depressão. Então, é possível que seja necessária a ajuda do psiquiatra.

5. Se os pais apegam-se fervorosamente a uma religião ou seita num momento como este, não me cabe condená-los, por mais que aquela seita ou religião contrariem minhas próprias convicções. A ilusão, muitas vezes, é o recurso possível, e fazemos isso desde que nascemos, diante das dificuldades que vamos encontrando.

6. Não faço promessas que não poderei cumprir, como garantir a eficácia de qualquer forma de tratamento ou terapia. Não pode haver qualquer garantia com relação ao que o outro vai pensar, sentir ou fazer.

7. Se não sei o que dizer, permaneço em silêncio. Talvez seja esta a regra fundamental, e a mais difícil de ser praticada. Ouvir não é pouco.

Há muitas outras coisas que posso ou devo dizer, e que não posso nem devo dizer aos pais que perderam seus filhos. Sempre digo que se trata de algo antinatural, pois o natural é que os pais morram antes dos filhos. 

Sansevieria trifasciata




em sua dureza afiada
a espada-de-são-jorge
floresce delicada

Foto: Mercêdes Fabiana, Brasília, 2013.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

unha-e-carne


por ciúme ou paixão
Nina não larga o dono
será que pensa que é mais que um cão?

na cozinha

À Mercêdes.

almoço de domingo
prazer de cozinhar
mais uma forma de amar

estética

de
cor
ação

no livro da vida

li
da
dor

puro prazer

flor
i
cultura

Palavratrix, criação de Pedro Cardoso


Palavratrix é mais uma derivação do Poetrix, que ora apresento para que possa ser avaliado e criticado por aqueles que gostam de desafios poéticos. Esta nova modalidade consiste em encontrar palavras, do nosso idioma, que apresentem duplo sentido quando fracionadas em três versos. É preciso que se dê um título ao poema para que ele não perca uma das características fundamentais do Poetrix.

Esses poemas oferecerão uma provocação ímpar aos que gostam das fórmulas múltiplas, tal a complexidade que a parceria trará ao segundo autor, que deverá se ater ao Poetrix base. Nosso idioma, um dos mais belos do Planeta, haverá de nos oferecer instrumentos para a composição desta obra de arte, provavelmente será uma pintura em versos compartilhados.

Para ilustrar o Palavratrix apresento alguns exemplos.

1 - Político

Ser
tão
zinho

A palavra chave é Sertãozinho, nome de uma cidade do interior de São Paulo. Foi a partir dela que me veio a idéia do Palavratrix. Veja que o vocábulo foi dividido em três partes, permitindo ao leitor a construção de uma nova idéia à medida que vai desenvolvendo a leitura dos versos, chegando ao fim, com a imagem de um “ser” zinho incrustrada na memória. É interessante ressaltar a riqueza do nosso idioma que permite que a palavra “Ser” tenha, neste caso, duplo sentido.

2 – Vou

a
mar
te

Neste poema o título é fundamental para o entendimento do texto. Sem ele a compreensão ficaria comprometida e não se perceberia o duplo sentido que a composição oferece: vou a Marte ou vou amar-te.

3 – Moleque

pára!
lê: le...
pí-pe-do

Neste caso recorri à Licença Poética para acentuar a palavra paralelepípedo de modo que a leitura ficasse mais acessível ao leitor e para que o poema tivesse sentido. Recorri também à divisão das sílabas no último verso para que o leitor percebesse que era o aluno lendo pausadamente. Como se ele estivesse mesmo sendo alfabetizado.

4 - Morada dos Deuses

vi
o
lar

Amplidão no mínimo... ambiguidade que instiga... partes independentes... integralidade (in)completa... poesia sintética... sem medo de ficar apenas na essência... que é tudo... que basta... Carlos Eugenio - Vila
Enviado por vila em 01/10/2008 18:19
para o texto: Morada dos Deuses (T1205475)
 
Outros exemplos...

5 – Doce menino

de
moleque

6 – Velocidade máxima

civic
civic
civic

7 - Capricho

pausa
da
mente

8 - Andarilho

Tatu
a

9 - Pintando a Vida

a
cor
dar

          Pedro Cardoso