segunda-feira, 28 de março de 2022

Amsterdã

Cidades

 


Uma das cidades mais charmosas de todo o mundo. O povo é alegre e gentilíssimo.  As pessoas comuns falam várias línguas, incluindo o inglês, o que facilita a comunicação. Respira-se liberdade e respeito em Amsterdã. Sem falar no Museu van Gogh...

Cabeça de uma jovem com cabelo despenteado (Leda)

Meus quadros favoritos 



Leonardo da Vinci, 1508

Uma paisagem contemporânea

Meus quadros favoritos 



Antoon de Clerck


Pintor belga, 2023-2001. Estou em busca de maiores informações. Porém gostei da pintura, desconcertante ao primeiro olhar. Lembrou-me René Magritte, mas observando bem, não se trata de surrealismo. Há um quê minimalista, penso eu. O vermelho no quadro inferior da janela lembrou-me o Quarto de van Gogh. Matisse abusou de reflexos nas janelas. De Clerck juntou todos eles numa visão contemporânea.

Vendilhões do Templo segundo Saramago

 100 anos de José Saramago

 

O trecho a seguir, de autoria de José Saramago, está em O Evangelho segundo Jesus Cristo (Companhia das Letras, 1991, p. 425-426):

 

“Chegados às portas da cidade, logo se viu que maiores diferenças de variedade e número na multidão não as havia, e que, como de costume, iam ser precisos muito tempo e muita paciência para abrir caminho e chegar ao Templo. Não foi assim, contudo. O aspecto dos treze homens, quase todos descalços, com os seus grandes cajados, as barbas soltas, os pesados e escuros mantos sobre túnicas que pareciam terem visto o princípio do mundo, fazia afastar a gente amedrontada, perguntando uns aos outros, Quem são estes, quem é o que vai à frente, e não sabiam responder, até que um que tinha descido da Galileia disse, É Jesus de Nazaré, o que diz ser filho de Deus e faz milagres, E aonde vão, perguntava-se, e como a única maneira de o saberem era seguiram-nos, foram muitos atrás deles, de modo que ao chegarem à entrada do Templo, da parte de fora, não eram treze, mas mil, mas estes ficaram-se por ali, à espera de que os outros lhes satisfizessem a curiosidade. Foi Jesus para o lado onde estavam os cambistas e disse aos discípulos, Eis o que viemos fazer, acto contínuo começou a derrubar as mesas, empurrando e batendo a eito nos que compravam e vendiam, com o que se levantou ali um tumulto tal que não teria deixado ouvir as palavras que proferia se não se desse o estranho caso de soar a sua voz natural como um estentor de bronze, assim, Desta casa que deveria ser de oração para todos os povos, fizestes vós um covil de ladrões, e continuava a deitar as mesas abaixo, fazendo espalhar e saltar as moedas, com enorme gáudio de uns quantos dos mil que correram a colher aquele maná. Andavam os discípulos no mesmo trabalho, e por fim já os bancos de vendedores de pombas eram também atirados ao chão, e as pombas livres, voavam por sobre o Templo, rodopiando doidas, além, em redor do fumo do altar, onde não iriam ser queimadas porque havia chegado o seu salvador.” 

 

            O estilo é inconfundível, a agilidade com que as falas se sucedem é impressionante, isso é o melhor de Saramago. O tema, conhecidíssimo, é apropriado ao momento político que vivemos. Que eu saiba, este é o único momento em todo o Novo Testamento em que Jesus perde as estribeiras, deita fumo pelas orelhas, solta fogo pelas ventas, destrambelha, ensandece, descarrilha e desce o sarrafo nos que vendem e nos que compram, isso é muito importante!

            Vou desenhar, expressão em voga: O Templo é o nosso vilipendiado Ministério da Educação – casa destinada ao Ensino e à Cultura. Templo, porque de lá poderiam sair regras e normas capazes de salvar o Brasil – só a Educação salva um povo. 

            Os lobistas tomaram conta do Templo; barracas onde variados produtos de compra e venda se espalham por todo o ministério; negocia-se a peso de ouro, literalmente; os “pastores” exibem a sanha dos insaciáveis intermediários; o sumo sacerdote se esquiva de qualquer responsabilidade, diz que age a mando do presidente; desmente-se a si próprio no dia seguinte, estratégia para confundir, um tal de disse-não-disse que atordoa os de ouvidos moucos; são muitos os testemunhos de velhacaria; processos são abertos...

            

Deixemos a conclusão para José Saramago. Com a chegada de grande número de guardas do Templo, sob comando do sumo sacerdote, armados de espadas e lanças, os Treze ficaram em evidente desvantagem. Jesus adverte com sabedoria:

 

“Disse André para Jesus, que a seu lado brigava, Bem é que digas que vieste trazer a espada e não a paz, agora já sabemos que cajados não são espadas, e Jesus disse, No braço que brande o cajado e maneja a espada é que se vê a diferença, Que fazemos então, perguntou André, Tornemos a Betânia, respondeu Jesus, não é a espada que ainda nos falta, mas o braço.”

 

            Ao povo, falta-nos braço para brigar com os canalhas.

domingo, 27 de março de 2022

Ofir tocava piano!

10 anos do Louco 



Qual das netas sabia que o Vô Ofir tocava piano?! A música preferida dele, e nossa, minha e do Paulo, era La cumparsita
        - Toca pai, toca pai, mais uma vez... ainda me lembro.
        A casa, em Guaratinguetá, era de nossos avós, Breno e Cici, de nome Lucila. O quarto em que está o piano não era aberto às crianças. Visitas de gente importante ou conversas reservadas ocorriam naquele cômodo, que se abria para uma linda varanda, cercada de plantas.
        Havia uma estante localizada na parede oposta ao piano, com muitos livros do avô, incluindo o Tesouro da Juventude. Esta "enciclopédia" foi a fonte de informação e prazer durante toda nossa infância. Duas cadeiras de palhinha e uma escrivaninha pesada, de madeira escura, completavam o ambiente.
       Não posso identificar a figura no medalhão acima do piano, infelizmente.
           A Galeria de Família, espero eu, sirva de memória de um tempo muito distante, mas que vale a pena conhecer.   
       Minha homenagem aos meus avós e meu querido pai.


Aniversário do Louco (#6)

10 anos do Louco
 


 

Há precisos 10 anos, no dia 27 de março de 2012, tinha início este Louco por cachorros, o blog que late, rosna, mas não morde. O blogueiro – está na capa do blog –, é um Vira-latas que apanha da vida mas não desiste. Está feita assim a sucinta apresentação.

            Deu-me enorme prazer e alegria trabalhar no Louco, como passou a ser conhecido pelos pouquíssimos seguidores. E ainda dá! Dez anos não é pouco. Posso garantir que nos últimos tempos as publicações foram diárias, ocupando boa parte de minhas manhãs.

            Aprendi muito com ele. Me diverti muito com ele. Através dele mantive contato com algumas pessoas, generosos leitores, a quem expresso aqui minha gratidão. Agradecimentos especiais ao meu irmão Paulo, além de leitor assíduo, crítico sagaz; e Mercêdes, paciente revisora.

            De início, a motivação era a escrita. Acabei por revelar quem sou, um generalista dispersivo. (Talvez isso possa explicar aquilo que incomoda a alguns: um cirurgião que se formou psicanalista.) 

            Publiquei nesse mês de março, com o marcador 10 anos de Louco, cinco postagens sobre o próprio blog, suas origens, o desenvolvimento, a expansão progressiva dos temas, minhas preferências e idiossincrasias; quase tudo a desaguar em um mote central: Educação. 

A inspiração, a paideia dos gregos. No meu modo rústico de dizer as coisas, reduzi o conceito a uma frase simplória, que não canso de repetir: Tudo é uma questão de educação!

Manterei este blog em funcionamento até quando puder. Grande abraço a todos!

 

 

https://loucoporcachorros.blogspot.com/2012/03/mulher-e-mulher-cachorro-e-cachorro.html

 

Washingtônia

10 anos de Louco 

Galeria de Família



Nessa manhã ensolarada de outubro, o céu muito azul, plantamos uma washingtônia em nosso jardim, sabendo que a planta é de crescimento lento. Que importa, se o momento é de plena felicidade? 



Foto: Vanderlei, nosso jardineiro!

sábado, 26 de março de 2022

Ouremos!

 


Ilustração de Fê, para a crônica de José Simão 

na Folha de hoje


"Pastor pediu um quilo de ouro por verba do ministério, segurou na mão do prefeito e disse 'ouremos!"


                      José Simão



Mistura nefasta

 Charge do dia



Jean Galvão

O labrador de Bruges




Em outubro de 2008 foi lançado no Brasil o ótimo filme In Bruges, com a estúpida tradução para o português, Na mira do chefe, sob direção e roteiro de Martin McDonagh. Todo o mundo viu, só eu que não fiquei sabendo. 

            Vi o filme muito tempo depois e fiquei ensandecido! A história era boa, uma comédia, os dois protagonistas ótimos atores, e Bruges, a oitava maravilha do mundo! Na viagem seguinte que minha mulher e eu fizemos a Paris, pedimos ao agente de viagem, nosso amigo, reserva para quatro dias em Bruges.

            – Vocês estão loucos! Tomem o trem em Paris bem cedo, almocem em Bruges, deem uma volta pela cidade e tudo estará visto. Regressem à tardinha.

            Passamos quatro dias em Bruges, e passaríamos oito dias em Bruges. Chegamos no dia do aniversário de Mercêdes; não foi difícil, mesmo debaixo de chuva, encontrar restaurante com ótima carne e deliciosas batatas fritas, a especialidade da cidade (do país?). 

            Tudo muito lindo! A história da cidade, de origem medieval, é interessantíssima. Tudo muito bem preservado. Mas o ponto alto (expressão muito usada por minhas filhas, quando pequenas, para expressar o melhor de um lugar, de qualquer boa experiência) do passeio era uma volta pelos canais que cortam toda a cidade. Lá pelas tantas, vejo no batente de uma janela um lindo labrador bege, a apreciar a paisagem. Era uma cena do filme, e lá estava eu, ao vivo, diante do cachorro! Me recordo da minha forte emoção. 

            Recomendei com entusiasmo ao meu irmão, com viagem marcada para a Europa, que não deixasse de visitar Bruges. Ele foi, e lá estava o cachorro. Hoje, muitos anos depois desses alegres acontecimentos, encontro no Twitter a fotografia do labrador (eu o havia fotografado, mas perdi a imagem). Fidel, era seu nome, morreu em 2016. 

       Fica a doce lembrança, expressa na fotografia. Hoje ele encima esta pequena crônica.