Oito meses depois da última florescência,
a açucena-do-brejo volta a encantar o jardim.
Oito meses depois da última florescência,
a açucena-do-brejo volta a encantar o jardim.
Youtubers brasileiros influenciam vocabulário de crianças portuguesas, segundo mídia local (Da Redação, Cultura.uol.com.br, 10 nov 2021).
O jornal português Diário de Notícias relatou que crianças portuguesas estão começando a falar em “brasileiro”. “A causa seria o consumo de vídeos feitos por youtubers do Brasil, que afeta o vocabulário dos pequenos.”
Com o título "Há crianças portuguesas que só falam 'brasileiro", o texto afirma que as crianças “dizem grama em vez de relva, autocarro é ônibus, rebuçado é bala, riscas são listras e leite está na geladeira em vez de no frigorífico.”
Luccas Neto, irmão de Felipe Neto, faz vídeos voltados ao público jovem, e reúne uma grande parcela de fãs portugueses. As crianças mais afetadas estão na faixa dos três anos, já que é nesta idade que elas começam a falar.
Colônia e colonizador: um dia é da caça, outro do caçador...
Livro alerta para o surgimento de uma 'cultura do vitimismo' - Esquerda identitária estaria passando por processo de infantilização ao exigir 'espaços seguros' sem ofensas: é o título do artigo de Antonio Risério, especial para o Estadão (6 nov 2021).
Afirma Risério: “Camille Paglia fala de uma espantosa infantilização das mulheres na esfera do neofeminismo puritano hoje reinante, como se as moças precisassem de tutores e babás. O avesso do feminismo libertário e “pro-sex” da década de 1960, quando as mulheres resolveram falar e agir por si mesmas, assumindo as consequências de seus atos e desejos. Mas a verdade é que uma incrível infantilização das pessoas tomou conta de toda a movimentação identitária norte-americana. Bradley Campbell e Jason Manning começam por aqui o livro The Rise of Victimhood Culture (A Ascensão da Cultura do Vitimismo), sobre a onda neurótico-vitimária estadunidense, hoje se espalhando por outros países e continentes.”
Após a vitória de Trump, em 2016, “estudantes entraram em desespero “existencial” com a notícia, enxergando no horizonte verdadeiros pogroms contra “progressistas”. Universidades forneceram assistência psicológica aos mais abalados. “A Universidade do Kansas ofereceu terapia com cachorros, a de Cornell criou um espaço onde serviam chocolate e a de Michigan reservou uma área onde estudantes passassem o tempo com livros para colorir.”
(Tenho dificuldade para acreditar nisso!!!)
Surgiu “uma geração de bebês chorões pedindo proteção aos mais velhos, recolhendo-se nos chamados “safe spaces”, com salinhas de brincar ao modo do jardim de infância. “Quando a feminista Wendy McElroy foi à Brown University discutir o sentido da “cultura do estupro”, estudantes montaram um “safe space” (espaço seguro) para quem precisasse “se recuperar” de seus argumentos. Infantilização e imbecilização. E psicólogos já denunciam que a “cultura do vitimismo” forma pessoas mais vulneráveis ao pânico, à melancolia e à depressão.”
Campbell e Manning lembram que “os identitários fantasiam que palavras atingem fisicamente as pessoas. A diferença entre violência verbal e violência física é abolida. E aqui emerge a novidade: ser vítima eleva o status moral das pessoas, que agora se funda na dor. É a sacralização dos ofendidos. Pessoas de tal forma feridas ou supostamente feridas pela vida que necessitam de “trigger warnings” (avisos de gatilho) e “safe spaces” protegendo-as de sensações de desamparo ou desespero.
“Ativistas estudantis reivindicam “trigger warnings” a respeito do conteúdo de certos cursos e aulas que podem abrir a tampa do trauma, requerendo inclusive que professores antecipem por escrito se vão falar de coisas como estupro ou sequestro em suas exposições.”
A onda assumiu dimensão absurda. “Em fevereiro de 2014, um estudante da Rutgers University escreveu um artigo reivindicando que gatilhos de advertência fossem anexados a romances e contos comumente adotados em cursos de literatura, como O Grande Gatsby de Scott Fitzgerald e Mrs. Dalloway de Virginia Wolf, que conteria ‘uma narrativa perturbadora, examinando inclinações suicidas e experiências pós-traumáticas de um veterano de guerra’.” Discussões sobre racismo, desigualdade e intolerância poderiam também ser “deflagradoras”. A própria mitologia grega e as Metamorfoses de Ovídio foram condenadas, na Columbia University, em defesa de pessoas de cor e estudantes pobres em geral. Tudo com a maior seriedade do mundo, como se dessa idiotice cósmica dependesse a salvação da humanidade.”
Risério descreve os “safe spaces”, onde o grupo “oprimido” possa ficar a salvo de preconceito ou “microagressões”. “Pretos que vociferam contra a segregação racial parecem não perceber que um espaço só para si, proibido a brancos, também é segregação – expressão física de um apartheid. Só que não como imposição de fora, mas como reivindicação de dentro: autoapartheid.”
Jeannie Suk, professora de Direito de Harvard, alertou que ela estava impedida de falar sobre estupro. “Recentemente, um estudante pediu a um professor meu conhecido que não usasse a palavra ‘violar’ na sala de aula – como na pergunta ‘esta conduta viola a lei?’ –, porque a palavra era triggering”.
“Se quisermos atender as vítimas e o vitimismo, teremos de deletar a liberdade de pensamento e expressão. As vítimas e seus ideólogos querem silenciar toda manifestação que questione a cartilha identitária ou não teça loas às vítimas”, alerta Risério.
E Risério conclui: “Como disse Pascal Bruckner, ao se exibir como vítima, a pessoa adquire uma espécie de imunidade simbólica. E carrega suas opressões reais ou imaginárias como se fossem crachás de nobreza. É por isso que muito do que vemos por aí é indignação pré-fabricada e, não raro, lucrativa. Além de um mundo de infantilização e teatralização da condição de vítima, o que se está ensaiando diante de nós é o projeto de sociedade ideal do multicultural-identitarismo: uma sociedade segregacionista e ditatorial.”
Digo eu: surge um novo tipo de fundamentalismo, o fundamentalismo identitário.
Para minha querida Gabriela
o jardim de sempre
ao passeio matinal
só silêncio e paz
o olhar mais atento
é capaz de revelar
a grande surpresa
em silêncio e paz
ela choca seus ovinhos
mamãe sabiá
Fotos: AVianna, nov 2021
iPhone 11Pro Max
Este blog não se cansa de defender a vacinação, a única maneira de vencermos a trágica pandemia. As postagens abaixo continuam disponíveis.
Do fanatismo
https://loucoporcachorros.blogspot.com/2021/08/do-fanatismo.html
Vacinação em descrédito
https://loucoporcachorros.blogspot.com/2020/10/vacinacao-em-descredito.html
Vacina e autismo
https://loucoporcachorros.blogspot.com/2019/03/vacina-e-autismo.html
A Darwin o que é de Darwin
https://loucoporcachorros.blogspot.com/2021/09/a-darwin-o-que-e-de-darwin.html
Vacinação pública ou privada?
https://loucoporcachorros.blogspot.com/2021/01/vacinacao-publica-ou-privada.html
Porém, o tema permanece em debate, os negacionistas mais ativos do que nunca. Então, quando surge a imagem avassaladora, é preciso voltar ao assunto!
“Algum tempo atrás, fiz um passeio por uma rica paisagem num dia de verão, em companhia de um amigo taciturno e de um poeta jovem, mas já famoso. O poeta admirava a beleza do cenário que nos rodeava, porém não se alegrava com ela. Perturbava-o o pensamento de que toda aquela beleza estava condenada à extinção, pois desapareceria no inverno, e assim também toda a beleza humana e tudo de belo e nobre que os homens criaram ou poderiam criar. Tudo o mais que, de outro modo, ele teria amado e admirado, lhe parecia despojado de valor, pela transitoriedade que era o destino de tudo.
Sabemos que tal preocupação com a fragilidade do que é belo e perfeito pode dar origem a duas diferentes tendências na psique. Uma conduz ao doloroso cansaço do mundo mostrado pelo jovem poeta; a outra, à rebelião contra o fato constatado. Não, não é possível que todas essas maravilhas da natureza e da arte, do nosso mundo de sentimentos e do mundo lá fora, venham realmente a se desfazer em nada. Seria uma insensatez e uma blasfêmia acreditar nisso. Essas coisas têm de poder subsistir de alguma forma, subtraídas as influências destruidoras.
Ocorre que essa exigência de imortalidade é tão claramente um produto de nossos desejos que não pode reivindicar valor de realidade. Também o que é doloroso pode ser verdadeiro. Eu não pude me decidir a refutar a transitoriedade universal, nem obter uma exceção para o belo e o perfeito. Mas contestei a visão do poeta pessimista, de que a transitoriedade do belo implica sua desvalorização.
Pelo contrário, significa maior valorização!”
Sigmund Freud
A transitoriedade (1916)
Obras completas, volume 12, p 248
Companhia das Letras, 2010
Tradução de Paulo César Lima de Souza
O texto prossegue por mais quatro páginas, sempre belo, elegante, claro e profundo. E Freud conclui:
“Superado o luto, perceberemos que a nossa elevada estima dos bens culturais não sofreu com a descoberta da sua precariedade. Reconstruiremos tudo o que a guerra destruiu, e talvez em terreno mais firme e de modo mais duradouro do que antes.”
O pequeno texto mostra um Freud otimista, apesar da guerra, corajoso, a valorizar a arte ao extremo. Um filósofo que escreve com clareza absoluta, acessível a um grande número de leitores que talvez desconheçam essa sua característica. E que elegância!
Fotografia
Meu amigo Dr. Sergio Pripas curte suas férias na praia. Pedi que me enviasse uma fotografia do mar. Ele caprichou, mandou a foto perfeita!
Merece ser enfeitada por C.D.A.
Palavras no mar
Escrita nas ondas
a palavra Encanto
balança os náufragos,
embala os suicidas.
Lá dentro, os navios
são algas e pedras
em total olvido.
Há também tesouros
que se derramaram
e cartas de amor
circulando frias
por entre medusas.
Verdes solidões,
merencórios prantos,
queixumes de outrora,
tudo passa rápido
e os peixes devoram
e a memória apaga
e somente um palor
de lua embruxada
fica pervagando
no mar condenado.
O último hipocampo
deixa-se prender
num receptáculo
de coral e lágrimas
— do Oceano Atlântico
ou de tua boca,
triste por acaso,
por demais amarga.
A palavra Encanto
recolhe-se ao livro,
entre mil palavras
inertes à espera.
Carlos Drummond de Andrade
In José (1942)
Poesia Completa, Ed. Nova Aguilar, 2002