segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Ensinamento precioso


Da crônica dominical de Leandro Karnal, Ouro, incenso e mirra, em O Estado de S. Paulo (23 dez 2018).

“A crença em Deus também amparou minha mãe até o fim. Dentre os muitos erros da minha vida e que me assombram como os espíritos a Lord Macbeth, em noite de angústia dela em meio a uma crise de tosse e temor pela morte, discorri no quarto sobre filosofia e postura racional diante do medo. Eu deveria ter rezado com ela, apenas, abraçado e compartilhado a angústia da nossa finitude. Decidi ser professor em um momento em que ela só desejava um filho e ofereci a objetividade de um cérebro à mãe que suspirava pelo calor de um coração. Aprendi muito, mas, como sempre, depois de ter errado. Amar é pedir e conceder perdão. Arrependo-me, amargamente, da minha insensibilidade.”

Texto irretocável!


Paula debaixo d'água em Papua




















Fotos submarinas em Papua-Nova-Guiné, em dez 2018.
Paula cada vez melhor!


sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Herança do trauma


A reportagem é de Benedict Carey, para The New York Times (21 dez 2018), com o chamativo título Cientistas debatem se é possível herdar geneticamente um trauma – Estudos recentes sugerem que o trauma pode alterar os genes de uma pessoa.
Pesquisadores da Califórnia publicaram estudo sobre prisioneiros da Guerra Civil americana e chegaram a uma conclusão notável: filhos do sexo masculino de prisioneiros de guerra que sofreram abusos tinham cerca de 10% mais propensão a morrer do que seus semelhantes, a partir da meia-idade. 
O resultado sugeria uma “explicação epigenética”. “A ideia é que o trauma pode deixar uma marca química nos genes de uma pessoa, a qual é transmitida para as gerações seguintes. A marca não danifica o gene; não há mutação. Mas altera o mecanismo pelo qual o gene se manifesta ou é convertido em proteínas funcionais.”  
O campo da epigenética ganhou força há cerca de uma década. Estudos sobre os descendentes de sobreviventes do Holocausto, por exemplo, sugerem que “herdamos alguns traços da experiência de nossos pais e avós, particularmente o sofrimento deles, o que, por sua vez, modifica nossa própria saúde – e talvez a de nossos filhos também.” 
Afirma Carey: “Uma das teorias se baseia em pesquisas com animais. Em estudos recentes, cientistas da Escola de Medicina da Universidade de Maryland, liderados por Tracy Bale, criaram camundongos machos em ambientes difíceis, balançando periodicamente suas gaiolas ou deixando as luzes acesas durante a noite. Isso altera o comportamento subsequente dos genes desses ratos de tal modo que eles mudam a forma como gerenciam os surtos de hormônios do estresse. E essa mudança está associada a alterações na maneira como seus filhos lidam com o estresse: de modo geral, esses camundongos jovens são menos reativos aos hormônios, em comparação aos animais que não passaram pela experiência, disse Bale. “São resultados claros e consistentes”, disse ela. “O campo avançou muito nos últimos cinco anos”.
Assunto interessantíssimo, ainda por ser mais bem esclarecido pela Biologia e Genética. 



Salve Oeiras!

A foto do dia


Estudantes do curso de bandolim se apresentam
em frente a Igreja Matriz, em Oeiras
Foto: Reginaldo de Oliveira


“Oeiras, a cidade do sertão do Piauí que em sete anos conseguiu saltar nos indicadores de educação, passou por um processo que os próprios educadores chamam de "intervenção de educação", em que várias práticas inovadoras foram implementadas para melhorar a qualidade do ensino, considerado como um "doente na UTI", de forma rápida e eficaz. 

Se a alfabetização é a base de todo o trabalho em Oeiras, é a arte que faz a ponte entre os saberes. “A arte é transversal em todas as nossas atividades”, afirma Tiana Tapety. As escolas têm núcleos de cultura onde estão disponíveis diversas aulas, como os cursos de bandolim, um saber tradicional da região, que foi resgatado pela rede de educação. A aposta de Oeiras está em linha com pesquisas internacionais que mostram que a arte é o caminho para o desenvolvimento da criatividade e pensamento crítico – habilidades consideradas essenciais para garantir empregabilidade no futuro.”


quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Cecília em Pirenópolis









Vale a pena conhecer Pirenópolis!


Fotos: Cecília Vianna, dez 2018

Suzete deseja Feliz Natal


Meu querido André,

escrevo para lhe desejar um feliz Natal e muita saúde em 2019.
            Tenho escrito pouco, nem mesmo respondi sua última carta, com duas ótimas recomendações. Não é desculpa não, mas tenho trabalhado demais. Você não sabe da novidade: abri um salão de beleza! Acredita? Eu dona de meu próprio salão? 
            Tinha gente pensando que eu estava juntando dinheiro para ir a Nova Iorque; que nada, fui juntando meu dinheirinho na surdina, aprendi como aplicar no tal tesouro direto, para o que faltava, fiz um pequeno empréstimo no banco, e pronto, cá estou eu proprietária. 

SALÃO DA SUZETE

            O nome não poderia ser outro porque Suzete com zê é a minha marca de sorte desde que me conheço por gente e sempre que alguém se espanta e pergunta se Susete não é com esse respondo que meu nome é com zê desde o nascimento. Meu pai fez questão de registrá-lo assim e assim há de ficar até o dia de minha morte e depois.
            Eu queria estampar no letreiro que o salão é misto, corta cabelo de homem e de mulher. Mas a coisa hoje está complicada, André, não estamos mais divididos em homens e mulheres. São tantas as variações que é difícil enumerá-las; além dos clássicos masculino e feminino, há o trans-homem, transmulher, travesti, transgênero, homem transsexual, mulher transsexual, pessoa transexual, mulher trans, homem trans, neutro, sem gênero, cross gender, pessoas trans, pessoas MTF, pessoas FTM, e não sei quantos tipos mais. 
            Resolvi a questão:

SALÃO DA SUZETE
– cortamos cabelo sem discriminação –

            É claro que contratei três ajudantes para cortar do resto, porque eu só corto cabelo de homem (e similares). 
            Vai bem o negócio (assim acabo conhecendo NY!), gostaria muito que você visitasse o salão algum dia. Já pensou, se abro uma filial em NY? Daí não volto para o Brasil, só de férias, pra passar o verão na Bahia. Que a coisa aqui tá preta, André, você sabe. Os eleven do supremo não se entendem, tem gente vendo Jesus em pé-de-goiaba, o atual presidente indiciado novamente, o antigo continua preso, o novo alarmando, a Polícia Federal trabalhando freneticamente desde as 6 da matina e não dá conta de prender tanto corrupto vagabundo, o foragido italiano disfarçado de político mineiro, e o pior de tudo, a sofrência comendo solta. 
            (Disso tenho verdadeiro desgosto. Um país que já teve um João Gilberto, um Tom Jobim, um Vinícius de Moraes, a mpb cantada no mundo inteiro, hoje canta sertanejo, sertanejo universitário, e agora, sofrência. Puta-que-o-pariu. Ups!, escapou.)
            Estou providenciando a compra do tal Anthony Marra que você recomendou no blog, que não paro de ler por nada desse mundo. Também por sua orientação comprei Haicais Tropicais, e me encantei com um haicai de Alberto Marsicano:

caem folhas do salgueiro
desejaria varrer o jardim
antes de partir

          Fiquei fã do haicai, que não conhecia, confesso. Mas também gosto muito das quadras no blog de seu irmão Paulo. Ele é mesmo um poeta!
            Fico por aqui, é a última cartinha do ano. Não deixe de me responder o quanto antes. 

Beijo da sempre sua,

                                                           Suzete.
            
            

No aeroporto


O voo estava atrasado. Então puxou conversa com a velhinha ao lado, que parecia uma boa ouvinte. Falou falou falou, falou muito. Às tantas a velhinha puxou de um bloco de papel e escreveu, Desculpe, sou surda.

Hat-trick



Bale comemora seu segundo gol na semifinal.
Andrew Boyers / Reuters

Com hat-trick de Bale, Real Madrid despacha o Kashima e vai à final do Mundial de Clubes.
            Aficionado por futebol, este blogueiro está sempre publicando sobre o vastíssimo vocabulário do esporte, e não pode deixar passar o hat-trick conseguido por Bale, jogador do Real Madrid, contra o Kashima Antlers, no dia de ontem (19 dez 2018).
            Comecemos pela origem do termo: “Na Era Vitoriana, o termo hat-trick referia-se a um truque de magia no qual o mágico aparecia envergando uma cartola. O truque consistia em colocar a cartola, com a abertura virada para cima, sobre uma mesa próxima. Depois, o mágico retiraria três coelhos, um depois do outro, de dentro da cartola. Nos tempos modernos, esta expressão é muito utilizada como referência à marcação de três pontos num só encontro, tanto em futebol como em outras modalidades.”
As variações do hat-trick no futebol são interessantíssimas: basicamente ele ocorre quando um jogador faz, no mesmo jogo, três gols. São computados os gols feitos no tempo regulamentar, acréscimos ou prorrogação. Os gols na disputa por pênaltis após o término da partida não são válidos.
Existe também o hat-trick "sem falhas", em que os gols teriam de ser marcados consecutivamente em apenas um tempo de partida. 
Há ainda o “hat-trick perfeito” (também chamado de "hat-trick de ouro" ou "hat-trick clássico"), em que os gols são marcados em uma mesma partida, um com cada pé e o outro com a cabeça. 
Quando ocorre um hat-trick, o jogador leva a bola do jogo, como recordação da partida.
Parece não haver tradução para o português deste termo inglês.