quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Olha eu aqui!

Charge do dia


O cão humaniza a família.

Padres predadores da Pensilvânia

A BBC News Brasil traz hoje (16.ago.2018) na Folha de S. Paulo notícia mais detalhada sobre “Os chocantes casos de abuso cometidos por 'padres predadores' contra centenas de menores nos EUA”.
O documento divulgado pela Suprema Corte da Pensilvânia afirma: "Nós, membros deste grande júri, precisamos que vocês ouçam isso. Talvez alguns de vocês tenham escutado algo parecido antes... Mas nunca nesta escala". "Para muitos de nós, esse tipo de histórias ocorreram em outro lugar, em algum lugar distante. Agora sabemos a verdade: ocorreram em todas as partes".
Trata-se de mais de mil menores de idade ou mais, que foram abusados sexualmente ao longo de 70 anos por cerca de 300 padres de seis dioceses do estado da Pensilvânia.
O documento de 900 páginas revela em detalhes os mais diferentes tipos de abuso, "enquanto funcionários eclesiásticos tomavam medidas para encobri-los".
O artigo da BBC apresenta em seguida detalhes de seis casos exemplares, com os seguintes títulos:um abuso disfarçado de 'exame de câncer'; 'por favor, ajude-me, abusei sexualmente de uma criança'; o padre que engravidou uma jovem de 17 anos; uma criança nua na casa do pároco; vítimas identificadas por cruzes de ouro; o padre que providenciou um aborto para sua vítima.
O procurador conclui: "O padrão foi de abuso, negação e ocultação". “E o pior, destacou ele, é que ainda que a lista de padres que cometeram abusos seja longa, "não acreditamos que o relatório abrange todos". "Temos certeza de que muitas vítimas nunca se apresentaram para testemunhar”.
            A mídia tem dado pouco destaque a esta tragédia. (O artigo em questão nem ao menos é assinado.) O Vaticano permanece em silêncio. O governo dos Estados Unidos não se pronuncia. Dizem que os crimes são antigos e estão prescritos.
            Se as vítimas continuam sofrendo os efeitos dos traumas, como é possível falar em prescrição dos crimes?
            Que religião é essa?



quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Homenagem aos 100 anos de nascimento de Irving Penn


Marlene Dietrich, 1948
Foto: Irving Penn



A retrospectiva em homenagem aos 100 anos de nascimento do fotógrafo norte-americano Irving Penn apresentará, no IMS Paulista, mais de 230 fotografias concebidas ao longo de quase 70 anos de carreira, além de cerca de 20 periódicos. Serão exibidas suas em Nova York, América do Sul e México, retratos de povos indígenas de Cuzco, no Peru, e retratos de figuras como Truman Capote, Picasso e Joan Didion. 

A exposição, que ficará em cartaz de 21 de agosto a 18 de novembro de 2018 no IMS Paulista, é organizada pelo The Metropolitan Museum of Art, em colaboração com a Fundação Irving Penn. A itinerância internacional foi possível graças ao apoio da Terra Foundation for American Art.





Tradição em Paris

A foto do dia


Mictórios a céu aberto
causam polêmica em Paris

Foto: Thomas Samson / AFP

É tradição em Paris a existência de mictórios públicos, abertos, digamos "no meio da rua e de todos"! O que é comprovado pela interessantíssima, até histórica, foto abaixo, datada de 1875.



Pode ser de mau gosto, mas que alivia, alivia...

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Jogadores de cartas

Meus quadros favoritos


Paul Cézanne


Dez chamamentos ao amigo 2



II

Ama-me. É tempo ainda. Interroga-me.
E eu te direi que o nosso tempo é agora.
Esplêndida avidez, vasta ventura
Porque é mais vasto o sonho que elabora

Há tanto tempo sua própria tessitura.

Ama-me. Embora eu te pareça
Demasiado intensa. E de aspereza.
E transitória se tu me repensas.


Júbilo, memória, noviciado da paixão
In Da poesia, Hilda Hilst, Comp. das Letras, 2017

Mata um homem e come


Da série
Mais 47 cenas do romance familiar


Menino bem pequeno, duas falas de minha mãe soavam-me incompreensíveis, enigmáticas mesmo, não faziam qualquer sentido, com a agravante de que eu não dispunha do vocabulário de hoje para enfrentá-las, o que me causava indiscutível angústia e irritação maior ainda. O que será que ela quer dizer com isso, perguntava-se o menino pequeno.
            – Mãe, tô com fome.
            – Mata um homem e come!
            Como assim, mata um homem e come? Se eu repetia Tô com fome, lá vinha ela com a mesma absurda resposta. Já podia compreender que a ordem não era para ser obedecida literalmente. Então, o quê?
            Hoje eu sei, era apenas uma rima.
            A segunda fala, não menos misteriosa, causava-me ainda maior irritação, pois trazia um quê de obscenidade, o que era imperdoável, vinda de minha mãe. Quando o menino pequeno era contrariado em sua vontade de reizinho, reagia com ostensiva raiva, inconformado. Ao que a mãe retrucava:
            – Tá com raiva? Tira a cueca e pisa em cima.
            Não me lembro se naquele tempo eu já usava cuecas – palavra carregada de sensualidade! –, mas como seria possível que minha raiva passasse ao pisar numa cueca? A raiva escoaria pelo chão qual raio vindo do céu em dia de tempestade? 
            Incrível mesmo era o efeito de tais palavras: de início a raiva aumentava, para em seguida diminuir, até desaparecer. A mãe não conhecia a expressão, mas já sabia como “desmoralizar o sintoma”.
            

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Acidente

Da série
Mais 47 cenas de um romance familiar


Sentávamos à mesa alguns minutos antes das onze porque às onze em ponto o almoço era servido, o pai na cabeceira, a mãe no lugar mais próximo da cozinha, os filhos em silêncio. A panela de arroz era destampada e o perfume inundava a sala de jantar.
            Falava-se pouco durante a refeição. Vez ou outra um filho distraído batia com a mão num copo com água ou refrigerante, e o líquido despejado na toalha acarretava no pai reação violenta, que exclamava aos berros: 
– Ôôô lerdeza! 
O responsável pelo desastre tremia de pavor, o almoço estragado.
A partir de certa época, o pai passou a colocar água ou refrigerante apenas até a metade dos copos.


sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Partituras inéditas de Villa-Lobos


Partituras inéditas de Heitor Villa-Lobos 
Foto: Dida Sampaio/Estadão


A reportagem é de João Luiz Sampaio, para o Estado de S. Paulo (10 Ago 2018): encontrado em Brasília manuscrito considerado perdido do compositor Heitor Villa-Lobos.  Trata-se da parte de piano do Concerto Brasileiro para Dois Pianos e Coro, estreado no Rio de Janeiro em 1934 pelo próprio compositor e pelo pianista José Vieira Brandão. O achadofoi realizado pelo pesquisador Alexandre Dias, criador e diretor do Instituto Piano Brasileiro. 
Informa Sampaio que a partitura referente às intervenções do coro já pertencia ao acervo do Museu Villa-Lobos, mas, sem o restante da música. “Na verdade, sem a parte do piano, não dava para entender exatamente o que o compositor buscava alcançar com a partitura. Agora, é possível enxergar com mais clareza o que ele propunha”, explica Dias. 
A história da descoberta começou há alguns meses, quando Márcio Brandão, filho de José Vieira Brandão, procurou o Instituto Piano Brasileiro, criado em 2015 com o objetivo de reunir, digitalizar e editar acervos de compositores e pianistas brasileiros. “José Vieira foi grande amigo, o braço direito de Villa-Lobos, estreou obras como suas Bachianas Brasileiras n.º 3 e o Ciclo Brasileiro”, lembra Dias. “O Márcio tinha 145 pastas grandes com manuscritos, fotos, cartazes, programas, gravações. Para se ter uma ideia, já digitalizamos cerca de 8 mil páginas, e isso corresponde a 10% do material que estava disponível.”
Entre esse material, Diasencontrou uma partitura com a anotação Atrevido, escrita para dois pianos. “Ali o sinal de alerta acendeu, porque o Concerto Brasileiro foi uma homenagem a Ernesto Nazareth, e sabíamos que nele o Villa evocava duas obras dele, Atrevido e Odeon. Comparamos então com a parte do coro e elas se sobrepunham, encaixavam.”
O Instituto Piano Brasileiro é uma iniciativa de Dias, que, ao lado de alguns parceiros, já descobriu peças inéditas de Nazareth, João Pernambuco e Fructuoso Viana, entre outros autores. Em três anos, mais de 200 mil documentos já foram digitalizados, além de centenas de gravações, muitas delas inéditas. 
“No IPB, Dias conta com a ajuda de alguns pesquisadores parceiros, mas, sem patrocínio, depende de uma campanha de crowdfunding para bancar o trabalho, além de investir do próprio bolso no projeto. “Cada material é importante. Quando a última edição de uma obra desaparece, é como um animal que entra em extinção. Mas, mais do que isso, no momento em que tudo é catalogado e digitalizado, é possível cruzar informações, entender a história do piano no Brasil, descobrir novos repertórios, oferecê-los a artistas”, explica ainda.”
 A obra de Villa-Lobos é monumental em qualidade e extensão. Resta muita coisa a ser descoberta, catalogada, editada e principalmente gravada, para alegria de seus admiradores. 



Corujando Ipanema

A foto do dia


Coruja passa temporada na praia de Ipanema

Foto: Heloisa Seixas / Folhapress



Para mais informações, leiam a crônica de Ruy Castro, marido de Heloisa Seixas.