terça-feira, 31 de julho de 2018

Retrato de Vincent van Gogh

Meus quadros favoritos


Henri de Toulouse-Lautrec

Escravidão negada


Representação de Mercado de Escravos


Um certo candidato à presidência da república, ao ser indagado em programa de televisão a respeito das cotas para negros, afirmou ser contrário a elas. Ele acredita no mérito das pessoas, e não em privilégios.
            Até aí, tudo bem. O assunto é mesmo polêmico; há os que são a favor e os que são contra as cotas para negros nas universidades. Eu mesmo tive muita dúvida, até firmar opinião a favor das cotas, mesmo assim reconhecendo as dificuldades e inconvenientes do processo.
            Discutir prós e contras é a maneira inteligente e civilizada de abordar a questão. Em vez de buscar tal caminho, o citado candidato resolve entornar de vez o caldo, radicalizar para valer, com esta antológica afirmação:

"...se for ver a história realmente, os portugueses nem pisavam na África, eram os próprios negros que entregavam os escravos". 

            Ou seja, o homem negou a existência da escravatura em nossa História! Logo agora em que o país faz um grande esforço para rever este período que tanto nos envergonha, perante nós mesmos e o mundo, ele declara que a responsabilidade é dos próprios negros.
            Penso que isso é muito grave. 
            Um candidato à presidência que desconhece fatos elementares de nossa História não pode estar habilitado a conhecer o presente e enfrentar os problemas atuais. Para isso serve a História.
            A total falta de sensibilidade para tratar um tema difícil é outro aspecto que chama atenção. Se olharmos a nossa volta, vamos ver que a escravidão ainda não terminou. A desigualdade social, especialmente aquela em desfavor do negro, é gritante, resultado de um passado que ainda não se resolveu. 
            Estimular e favorecer a educação me parece a melhor alternativa para mudar tal condição, mas se ela é negada de antemão, onde buscar a solução?
            Há outra resposta do candidato que merece um último comentário. Quando ele se declarou contrário à política de cotas, foi indagado se esta não seria uma “resposta à dívida histórica do Brasil para com os afrodescendentes”, em consequência do período de escravidão. Ao que ele respondeu:

“Que dívida? Eu nunca escravizei ninguém na minha vida?”

            Agora chegamos ao nível do absurdo! O candidato confunde a “dívida histórica do país” com algo pessoal, como se ele fosse maior que o próprio país. O narcisismo patológico torna-se evidente: “eu nunca escravizei ninguém”. A resposta é de uma infantilidade monumental.
            Hannah Arendt, em seu famoso livro Eichmann em Jerusalém, denuncia o trabalho dos próprios judeus nos campos de concentração nazistas (fatos mostrados cruamente no filme O filho de Saul). Nem por isso ela deixa de reconhecer o Holocausto.
            Este blogueiro muito raramente publica textos sobre política partidária ou posições deste ou daquele político. A mídia está repleta deles, e nada tenho a acrescentar. Porém, não posso permanecer em silêncio diante de tamanho descalabro, como o desta entrevista de um certo candidato à presidência da república.

Noite estrelada

Meus quadros favoritos


Edvard Munch

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Poema no. 5: homenagem a Hilda Hilst

Nesta quarta-feira, 25, teve início a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).  EL PAÍS publica o último poema da corrente lírica Hilda Hilst, homenageada do evento literário. “Indicada pela curadora da Flip, Joselia Aguiar, Josely Vianna Baptistacomeçou a corrente que passou para Antonio RisérioRicardo AleixoEliane Marques e agora fecha com Ronald Augusto. O poema selecionado, a voz do morro, faz parte do livro no assoalho duro (2007), publicado originalmente pela editora Ébilis, mas que já tem uma publicação ampliada pela Bestiário. Além de poeta, o escritor gaúcho também é músico, editor e crítico literário.”

a voz do morro

rasgacéu e mausoléu de nuvens
lá vai o morro: visto que parece meio
sem jeito mas paira quando nada
um passo perene e ainda outro
sobre a cerviz viridente quase
escura dele quando toda essa brancura
em desmesura escarnece
demora-se romeira um debruar-se
opressivo de bruços

em fila gigantas velhuscas
monjas lontanas nesta variedade
de formatura solar
mancheias de velofinos grisalhos
em carícias contra o verde crestado
a cabeleira cabocla desfeita
sobre a testa do morro que se
acrioula achando a coisa toda
sem serventia e nem unzinho
cachorro latia e vaca nenhuma
mu

“Ronald Augusto, nascido em 1961, em Rio Grande, cidade litorânea ao sul de Porto Alegre. Augusto é uma das referências da publicação de poesia contemporânea hoje no Rio Grande do Sul, autor de mais de uma dezena de obras como Homem ao Rubro, Confissões Aplicadas e Cair de Costas. Estudioso da poesia negra no país, esteve ligado à poesia marginal durante a ditadura militar e hoje, além de poeta, é músico, letrista, editor e crítico literário. De 2009 a 2013 foi editor associado do site Sibila. É colunista do site Sul 21.”


Casa de presuntos

A foto do dia


Visita a uma casa de presuntos em Lisboa


Foto: Paulo Sergio Viana, jul 2018.

terça-feira, 24 de julho de 2018

Abelha e flor

fotominimalismo




Foto: AVianna, jun 2018

Lovers in the red sky

Meus quadros favoritos


Marc Chagall

Dahmer

Charge do dia


André Dahmer

Foto com iPhone, Grande prêmio 2018



iPhone Photography Awards 2018.

Grande Prêmio, Fotógrafo do Ano: JASHIM SALAM (IPPAWARDS)



Um grupo de rohingyas assiste a um filme sobre a importância da saúde e da higiene perto do campo de refugiados Tangkhali em Ukhiya (Bangladesh).

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Desolação

Décima edição do iPhone Photography Awards 2017.

Grande Prêmio, Fotógrafo do Ano: Sebastiano Tomada.



Niños de Qayyarah

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