Tinha
pena de morrer. Algumas pessoas sentiriam muito sua morte. Seus cães.
terça-feira, 5 de agosto de 2014
Falta de inspiração
Queria
muito escrever um microconto. Como faltasse inspiração, resolveu plagiar os
depoentes sabidamente culpados:
– Nada
a declarar.
Ótima notícia
A foto do dia.
Israel inicia retida da Faixa de Gaza!
http://internacional.estadao.com.br/noticias/oriente-medio,israel-retira-tropas-de-gaza-e-cessar-fogo-de-72-horas-e-iniciado,1538983
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
Expressões inadequadas que pegam
Há certas
expressões que surgem na mídia, sabe-se lá de onde, e que grudam como chiclete.
Passam a ser utilizadas por todos os meios de comunicação, incorporadas até ao
vocabulário popular, sem que ninguém discuta seus significados e propriedades,
alguns deles bastante inadequados. Vou me ater a duas dessas expressões.
A primeira é a tal “precisão cirúrgica”, largamente usada
na invasão do Iraque pelos Estados Unidos. A televisão mostrava, ao vivo,
determinados alvos, geralmente construções baixas, casas, depósitos, serem
atingidos por misseis teleguiados, disparados por aviões de caça, e
pulverizados diante do olhar admirado e atônito do telespectador. E como o alvo
fosse atingido com extrema acurácia, surgiu a adjetivação “cirúrgica”.
Ora, a Cirurgia, embora exija
precisão em sua técnica, jamais foi utilizada com a finalidade de destruir. Ao
contrário, a precisão é necessária para que se evitem danos colaterais, ou
seja, que estruturas nobres ou tecidos sadios sejam lesados durante a operação
cirúrgica. Os militares podem alegar que também suas operações visam evitar
danos colaterais, porém o dano central ainda mais eficaz constitui o objetivo
do ataque.
Tendo praticado a Cirurgia por
longos anos, repudio a expressão “precisão cirúrgica”, ciente de que este
protesto cai no mais absoluto vazio. A expressão já pegou.
O segundo caso, atualíssimo e também
ligado à guerra, diz respeito à expressão “trégua
humanitária”.
Humanitária o caralho!
(O meu eventual leitor há de me perdoar este ato destemperado.
Justifica-se pela indignação de que este blogueiro está tomado no momento,
diante do massacre que vem sendo perpetrado em Gaza pelas tropas israelenses.)
Trégua sim, humanitária não. Humanitarismo
significa praticar ações por amor ao semelhante, e até mesmo aos animais de
outras espécies, sem esperar nada em troca. O que não há nas guerras é
exatamente amor ao semelhante. Há ódio, muito ódio.
Este tipo de trégua dita humanitária
tem outros interesses. Um deles é o de reagrupar forças, reavaliar estratégias,
reposicionar os instrumentos de destruição, recompor a munição, tratar dos
feridos, para atacar em seguida, com maior eficiência e ódio, e às vezes com
hora marcada para o reinício do ataque!
Caso prevalecesse o senso de
humanidade, as tréguas seriam definitivas. Ou as guerras nunca teriam iniciado.
Ainda no segundo exemplo, sei que de
nada vale minha indignação. A expressão também já pegou, é manchete de primeira
página em todos os jornais nos últimos dias. (Tréguas anunciadas, para logo em
seguida serem desrespeitadas.) Porém, como diz o subtítulo deste Louco por
cachorros – late, rosna, mas não morde –,
o autor dá-se ao direito de latir e rosnar, como fazem meus cães diante
de qualquer ameaça. Indignar-se ainda é preciso.
Kucinski outra vez
Em outra ocasião tive oportunidade de escrever neste blog sobre B. Kucinski, jornalista, cientista político e premiado escritor de ficção.
Em 2011 Bernardo Kucinski
lança seu primeiro romance com o intrigante e sugestivo título K., assim mesmo,
a letra maiúscula seguida de um ponto. A segunda edição sai no ano seguinte
pela Expressão Popular, e agora é reeditado pela Cosac Naify. O tema, os
meandros da ditadura militar por volta de 1974, é desenvolvido de forma
magistral, em particular pelo clima de angustiante terror criado pelo autor.
Então, surge a dúvida no leitor, se K. vem de Kucinski ou de Kafka. (Há
quem diga que depois de Kafka, tudo vem de Kafka...) Grande sucesso de
crítica, não sei se de público.
Em 2014, novamente pela Cosac Naify, Kucinski lança Você vai voltar para mim e outros
contos, sobre o mesmo tema. As histórias curtas, com linguagem clara e simples,
devem ser lidas aos poucos, para que não intoxiquem o leitor, tamanho o
realismo com que são contadas. Mais uma vez, ficção e realidade se confundem,
nessa tentativa de revisão histórica dos 50 anos do golpe de 64.
Agora,
acabado de sair do forno, surge Alice, não mais que de repente (Rocco, 2014), um romance policial!
Há quem
torça o nariz para o gênero; não é o meu caso. Não que me considere um especialista
nesse tipo de literatura; minhas leituras resumem-se a Edgar Alan Poe e Luiz Alfredo
Garcia-Roza. Tomei gosto pelo gênero por causa deste último, um intelectual
respeitadíssimo, autor de obras importantes em Psicologia, Filosofia e
Psicanálise, e que depois de maduro publica pelo menos dez títulos tendo como
protagonista o já célebre detetive Espinosa. Trata-se de literatura da melhor
qualidade, e as histórias se passam no bairro do Peixoto, lugar pequeno,
tradicional, encravado em Copacabana.
Não encontramos no delegado Magno, o agente central no
romance de Kucinski, as deliciosas “manias”
de Espinosa, porém o personagem está bem caracterizado, a trama é sofisticada,
desenrola-se na USP (isso mesmo, no campus da Universidade de São Paulo!), o
que dá um toque de realismo ao romance. E o autor não poupa críticas à
Academia, ao que ela tem de pior, pois é constituída por homens. Alice é desses
livros que a gente pega e só larga quando termina a última página!
Torço para
que Kucinski persista no gênero.
quarta-feira, 30 de julho de 2014
vem comigo
vem comigo, fica um ano na
inglaterra
cidade universitária
quarenta minutos de ônibus de
londres
ela o dissera três vezes
inglês precário
brincadeira?
vem comigo
cabelos pintados de azul
como picasso em sua fase azul
uma fase?
óculos de tartaruga
pele branca
pós-graduação em bio-mecânica
bio-próteses
carne e metal
vem
...
na despedida
um abraço morno
recendendo à covardia
Aldo Pereira Neto
terça-feira, 29 de julho de 2014
Recordação
A foto do dia.
Complexo do Alemão, Rio de Janeiro: casa pintada com as cores da bandeira alemã.
Foto: Hassan Ammar/AP
http://www.theguardian.com/news/gallery/2014/may/23/photo-highlights-of-the-day
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Desolação
A foto do dia.
Destruição na Cidade de Gaza.
Foto: Mahmud Hams
http://www.theguardian.com/world/live/2014/jul/28/gaza-israel-fatal-strikes-shaky-ceasefire-live
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