segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Nobel de Medicina, 2013

A foto do dia.


Os vencedores do Nobel de Medicina deste ano, Randy Schekman, James Rothman (americanos) e Thomas Südhof (alemão).

Dolorosa verdade


– Me ajude, meu amigo, me diga alguma coisa para que eu possa esquecer essa mulher!
– Tenho um encontro com ela hoje à noite...

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Vale do Rio Douro

A foto do dia.


Registro do belo vale do Douro, por Paulo Sérgio Viana, em passeio por Portugal.

30 x bienal


Convenhamos, 30 bienais consecutivas (desde 1951), sem uma interrupção sequer, num país que não prima pela tradição, especialmente em se tratando de arte, é mesmo motivo para comemoração. Este é o tema desta 31a exposição, uma retrospectiva da arte moderna e contemporânea brasileira nos últimos 60 e poucos anos.
            O curador Paulo Venancio Filho registra no catálogo desta Bienal: “A história das exposições de arte é um instrumento imprescindível para a compreensão da história da arte. Nela se tornam visíveis as forças sociais, culturais, políticas e econômicas que determinam a produção e consumo das obras de arte; as pressões exercidas pelos artistas, críticos, público e instituições na formação de  um contexto artístico determinado.”
            Portanto, a oportunidade é única. Vale a pena uma visita!
            Registro aqui algumas obras de minha preferência.


Cartazes das 30 exposições.

 O impossível (1945), Maria Martins.


Natureza-morta (1951), Maria Leontina. 



 Relevo espelhado (1979), Ubi Bava.


 Detalhe, mostrando os espectadores...


Agora é hora de fazer nana (1990),  Beatriz Milhazes.


 Bolha amarela (1967-68), Marcello Nitsche.


O corpo da janela (2001), Ernesto Neto.

Fotos: A.Vianna e Mercêdes, São Paulo, set. 2013.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Jardim de bombas

A foto do dia.



“Mulher palestina rega flores em seu "jardim de bombas", em uma vila na cidade de Ramallah, na Cisjordânia; as flores estão plantadas em cápsulas de bombas de gás lacrimogêneo coletadas nos inúmeros confrontos com as forças de segurança israelenses.”

Maria e seu legado


Há um mês e meio postei neste blog algum comentário sobre o novo livro de Colm Tóibín, autor irlandês, intitulado O testamento de Maria (Companhia das Letras, 2012), com uma bela tradução de Jório Dauster. Chamei-o de espetacular. (1)
            Poucos dias depois, mais precisamente na edição de 23 a 25 de agosto do ótimo suplemento EU & Fim de Semana, do Valor Econômico, o senhor Rodrigo Petrônio publicou resenha do citado livro, desancando-o (é o mínimo que posso dizer...). Não restou pedra sobre pedra, na forma e no conteúdo: o livro foi sumariamente desqualificado.
            Confesso a minha perplexidade, que só não foi maior porque pude ler nas entrelinhas o forte sentimento religioso do resenhista, a influenciar de forma decisiva a leitura do livro e, em consequência, seu juízo crítico de valor: uma verdadeira heresia! Cheguei a pensar em escrever para o jornal, ao menos para registrar um ponto de vista diferente, mas desisti: heresia não se discute. Para os heréticos, a morte na fogueira e o fogo eterno do Inferno.
            Ouvi opiniões de amigos que reputo abalizadas, esperei que alguns deles lessem o livro, e todos foram unânimes em elogiá-lo. Até que a edição de 21 de setembro último da Folha de São Paulo traz a resenha de Luiz Felipe Pondé, com o título “Crítica: ficção mostra Jesus como jovem ousado, inteligente e vaidoso”.
            Vejamos o que diz Pondé:

“O livro é uma pérola de ficção, tendo Maria como narradora das origens do cristianismo. Realiza de modo pleno tudo o que os títulos ruins sobre Jesus tentam, mas não conseguem. Escandaliza, de certa forma, mas com a classe de quem de fato surpreende pela criação dramática. A Maria que emerge das páginas é interessantíssima, não a santa "mater misericordiae", mas uma mulher que se bate contra a "criação" de uma seita ao redor da trágica história de seu filho.”

Avaliação final do livro pelo resenhista: Ótimo. (2)

Foi então que me lembrei de Caravaggio!

A morte da Virgem

Um quadro do pintor sobre a Virgem Maria foi-lhe encomendado para a capela do advogado Cherubini, em Santa Maria della Scala, em Trastevere. Depois de pronto, poucos puderam ver a Morte da Virgem, rapidamente retirado da capela pelos “santos” padres. Por sorte, segundo a opinião respeitabilíssima de Roberto Longhi (1890-1970), autor do célebre Caravaggio (Cosac Naify, 2012), o quadro foi colocado a salvo na galeria do Duque de Mântua, graças à sugestão de ninguém menos que Peter Paul Rubens.
Por que razão uma obra prima de tão grande originalidade e beleza do já célebre Caravaggio seria rejeitada?
Por razões religiosas e doutrinárias. Caravaggio pintou Maria morta. Definitivamente morta. Mortíssima. Para alguns, ainda segundo Longhi, o retrato era o de uma cortesã das relações do pintor; para outros, o artista faltou com o decoro ao retratar Maria inchada e com as pernas descobertas. O próprio Longhi afirma: “O quadro parece mostrar os lamentos pela morte de uma plebeia da periferia, no quartinho de aluguel, separado no máximo pelo toldo sanguíneo que pende das traves do teto, e sem outras peças além de uma cama, uma cadeira e a bacia para os lenços molhados. Quase uma cena de albergue noturno.”
Penso que a heresia de Caravaggio foi pintar Maria definitivamente morta, e portanto, humana e mortal.
E acontece até hoje, com Saramago, em O evangelho segundo Jesus Cristo, com Tóibín, em O testamento de Maria. O viés religioso não é uma boa maneira de se olhar uma obra de arte.