quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Jane Matisse

Meus quadros favoritos


H. Matisse 


“O pintor francês Henri Matisse (1869-1954) viu-se afetado pela doença e foi submetido a várias cirurgias no início da década de 1940. Isso não o impediu de produzir. Dessa época, uma parte de sua produção reflete esse momento de sua vida e está voltada para a atmosfera doméstica que o cercava enquanto esteve em recuperação. De fato, há um certo mistério em torno do espaço doméstico representado em La Porte Noite (1942) e Les Silence Habité des Maison (1947). Para Lawrence Gowing (1979, p. 176), algumas das obras deste período são tão difusas que desafiam a análise e a interpretação: a esfera doméstica era vista por Matisse como um “cubículo de cor, um volume habitável infundido de presença pictórica – repleto de padrões, listras e nuances concentradas” (1979, p. 176).” 

 

In Narrar a vida prosaica em Histórias com Matisse de A. S. Byatt , por Erika Viviane Costa Vieira.


Em tempo, a doença de Matisse era a artrite reumatoide.


Mentira mesmo!

Charge do dia


Amarildo 

O voo da arara

Fotografia


A arara pousa, descansa, observa e levanta voo. São registros felizes de Mercêdes Fabiana, fotógrafa atenta aos movimentos do jardim nesse início de primavera!



 






Nikon D7200
Lente Nikkor DX 18-300 mm

Peixe corneta

 Fotografia

Paula Vianna

  Ilha de Âncora - @buziosdivers

Búzios - Rio de Janeiro

terça-feira, 12 de outubro de 2021

O Silêncio da Chuva , o filme



 

O Silêncio da Chuva é o primeiro de longa série de romances policiais de autoria de Luiz Alfredo Garcia-Roza, publicado em 1996. Com este livro surge o personagem que ganhou fama nacional e internacional (o livro foi publicado em diversos países), o Inspetor Espinosa, protagonista de quase todas as histórias do autor. O romance ganhou o Prêmio Nestlé de Literatura Brasileira e o Prêmio Jabuti, duas das mais prestigiosas premiações da literatura brasileira.

Garcia-Roza, ex-professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro, autor de oito livros sobre psicanálise e filosofia, deixou perplexa a comunidade acadêmica ao abandoná-la e se tornar autor de ficção, mais precisamente do gênero romance policial. Sua morte, em abril de 2020, foi chorada nesse blog. Sou fã!  https://loucoporcachorros.blogspot.com/2020/04/morre-garcia-rosa.html

Surge agora o filme, uma adaptação da obra de Roza, com o mesmo título e direção de Daniel Filho, roteiro de Lusa Silvestre, cuja estreia ocorreu em setembro último.

Eu estava enganado. Lázaro Ramos dá um show. Relato aqui duas cenas curtas, logo no início do filme, que tratam do preconceito. Em rápido diálogo com um suspeito – é claro que houve um crime! –, o interlocutor pergunta a Espinosa, Por que você tem esse nome? Em outra conversa, uma mulher afirma irônica, Até que você fala direitinho! São duas manifestações de racismo, bem humoradas, pois o detetive se espanta mas não se ofende, suficientes para reafirmar definitivamente a escolha correta de Lázaro Ramos para o papel principal.

Nada pretencioso, o filme é muito bom! O elenco é de primeiríssima: além do Lázaro, Thalita Carauta, Cláudia Abreu, Mayana Neiva, Otávio Muller, Pedro Nercessian, Bruno Gissoni, Peter Brandão, Raquel Fabbri, Theresa Amayo, Késia Estácio, com participações especiais de Guilherme Fontes e Anselmo Vasconcellos.

            A fotografia de Felipe Reinhemmer é excelente, cenas do Rio de Janeiro. 

            Como assinalei, trata-se de adaptação do livro de Roza. O melhor da história não poderia mesmo ser transposto para um filme, dada a sua complexidade e amplitude: a personalidade do inspetor Espinosa. O filme se torna apenas um bom policial, com crime de difícil solução, trama bem contada, caça implacável ao assassino. 

            Sugiro que o leitor não deixe de ler o livro, editado pela Companhia da Letras.

            

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

O companheiro

Ao meu amigo Márcio 


 

– Vida de caminhoneiro não é fácil!

A frase favorita de Fábio era repetida a torto e a direito, qualquer que fosse a circunstância, em dias ruins e nos melhores dias. Até mesmo na solidão de uma longa viagem pelo interiorzão do país, na companhia apenas do ronco rouco do motor, Fábio repetia em voz alta, para ele mesmo ouvir, como se fora um mantra – vida de caminhoneiro não é fácil!

Ele não podia negar, gostava daquela vida. Com o passar dos anos aprendera a cultivar a solidão, suportar a exaustão física durante as intermináveis horas de trabalho, o desconforto dos banheiros-de-estrada sujos fedorentos, o sono intranquilo na boleia, a comida dos restaurantes-de-posto-de-gasolina.

Fábio gostava mesmo era de ser dono da própria vida. Se um capataz desejava contratar serviço dele, que não viesse com exigências descabidas ou recusasse o frete devido; mandava-o à merda, subia no caminhão, buscava outro destino. Desaforo, isso não levava pra casa!

Sim, porque depois de duas ou três viagens seguidas voltava para casa, onde lhe aguardavam mulher, dois filhos pequenos e Sansão, o enorme dócil rottweiler que recebia o dono com generosas lambidas de efusiva alegria. Dia de chegada era dia de festa e banquete: feijão bem temperado, arroz cozido em banha de porco, bife acebolado e farofa de ovo; de sobremesa, o indefectível doce de banana. Passados poucos dias, Fábio ganhava a estrada, trabalho não faltava.

Dessa vez a viagem seria longa, rumo a Floriano, no Piauí. No terceiro dia ele parou para o pernoite em posto-de-beira-de-estrada; cansado e faminto, lavou-se no precário banheiro, sentou-se na varanda do pequeno restaurante, esperou pelo atendimento. Foi quando percebeu a poucos metros um sujeito gritando e chutando um cachorro, para que o animal se afastasse das mesas e não incomodasse os clientes.

– Sai fora cão sarnento dos diabos!

O cão gania a cada pontapé, movia-se com dificuldade pela paralisia das pernas traseiras, quase não saia do lugar. Ao perceber a presença de Fábio, o homem achegou-se pressuroso, cumprimentou educado e lhe entregou pequena folha plastificada, com as três opções do cardápio. Era o garçom. Fábio, a cara amarrada, pediu cerveja bem gelada e o prato mais caro.

A demora foi pouca, o prato bem servido: arroz, feijão, couve cortada fininha, costela-de-porco assada, um ovo estrelado com gema mole. 

– Traz um desse também para meu companheiro, Fábio pediu entredentes, a voz abafada.

Ao trazer o segundo prato, o garçom ouviu um terceiro pedido.

– Por favor, retire o espeto da carne.

O homem obedeceu com misto de espanto e curiosidade, e perguntou.

– Seu companheiro, onde está?

– Bem alí..., e Fábio apontou para o cão que se mantinha sentado sobre as patas traseiras, atento ao desenrolar dos acontecimentos, com fome, esperando pelo melhor, o instinto de sobrevivência preservado.

Em seguida, ele mesmo fez questão de colocar o prato no chão, frente ao animal. Atônito, o garçom nem teve tempo de se retirar antes que a comida fosse completamente devorada pelo cachorro.

Fábio terminou sossegado a refeição, elogiou apenas para si mesmo a qualidade do jantar, pediu a conta, pagou e exclamou:

– Vida de caminhoneiro não é fácil!

Não esperou o dia amanhecer, tocou para Floriano, barriga cheia e alma lavada.


Brasil no espaço

Charge do dia 


Augusto Bier

domingo, 10 de outubro de 2021

Lady in blue

Meus quadros favoritos


 Paul Cézane

Amazônia: nova exposição de Sebastião Salgado



Anavilhanas 

Foto: Sebastião SALGADO / Divulgação

 


Floresta Amazônica 

Foto: Sebastião SALGADO / Divulgação

 


Monte Roraima 

Foto: Sebastião SALGADO / Divulgação

 


Floresta Amazônica 

Foto: Sebastião SALGADO / Divulgação

 


Exposição "Amazônia", de Sebastião Salgado 

Foto: © Sebastião SALGADO / Agência O Globo

 


Exposição Amazônia, de Sebastião Salgado 

Foto: Sebastião SALGADO / Divulgação

 

 

‘Amazônia’: nova exposição de Sebastião Salgado mostra uma floresta ainda intocada e seus guardiões. O trabalho está exposto no mês de outubro simultaneamente em Paris, Roma e Londres. Reportagem de Ruth de Aquino para O Globo (10 out 2021).

“É como entrar na floresta, pela terra e pelo céu. Se você pensa que esta é mais uma exposição do fotógrafo Sebastião Salgado, engana-se. “Amazônia” — exposta agora em outubro simultaneamente em Paris, Roma e Londres — é um tributo a nossa maior riqueza ambiental. Intocada. É também uma descoberta, jamais vista antes, de montanhas e “rios voadores” amazônicos, duplicados por reflexos. Vi na Filarmônica de Paris e aguardo rever no Brasil, em 2022.

Na penumbra, 200 fotos, em todas as nuances de preto e branco, nos transportam para uma terra feita de vegetação e água, de nuvens e umidade. Muitas fotos parecem flutuar no espaço, penduradas no teto por fios transparentes. Os sons amazônicos das aves, dos animais, das folhas e dos temporais foram obtidos no Museu de Etnografia de Genebra para inspirar e enriquecer a sinfonia original composta por Jean-Michel Jarre. A trilha da floresta ajuda a transformar “Amazônia” numa experiência quase mística e religiosa.”

 

 

https://oglobo.globo.com/cultura/artes-visuais/amazonia-nova-exposicao-de-sebastiao-salgado-mostra-uma-floresta-ainda-intocada-seus-guardioes-1-25230706

 

Chuva de ouro

 Fotografia


Foto: Cecília Vianna, out 2021, jardim próprio

A espécie Oncidium sphacelatum é originária do México e diversos países da América Central, como Nicarágua, Costa Rica, Honduras e El Salvador, entre outros, ocorrendo também na Venezuela. Trata-se de uma orquídea de hábito predominantemente epífito, podendo ocasionalmente ser encontrada como rupícola, vegetando sobre rochas. Em seu habitat, o Oncidium sphacelatum encontra-se exposto a uma luminosidade abundante, porém indireta, com os raios solares filtrados pelas copas das árvores de úmidas e quentes florestas tropicais.

Também conhecida com Pingo de Ouro.

 

https://www.orquideasnoape.com.br/2021/01/orquidea-oncidium-sphacelatum.html