terça-feira, 13 de julho de 2021

Inverno

Fotominimalismo 



Foto: Maria Helena Viana


Petrópolis, RJ, julho 2021

(Mais uma fotógrafa na família!)

segunda-feira, 12 de julho de 2021

O Pintor de girassóis




O Pintor de Girassóis  (Le Peintre de Tournesols) é o retrato de Vincent van Gogh pintado por Paul Gauguin em dezembro de 1888.

            A primeira mirada de quem observa o quadro há de se dirigir para o pintor, logo identificado com a figura de van Gogh. Mas a imagem se parece muito mais com as figuras humanas pintadas por Gauguin do que com o próprio van Gogh. A barba e o bigode têm forte tonalidade laranja/ocre, na tentativa de reproduzir a barba ruiva do artista. O paletó é feio, tosco, grosseiro mesmo.

O artista, com o braço direito estendido e segurando o pincel com mão delicada, trabalha em um de seus temas proferidos, os girassóis. A mão esquerda segura a paleta. 

Pode surgir daí uma primeira ilusão, a de que o homem retratado está a pintar exatamente as flores que tanto aprecia! O pincel parece tocar mesmo uma pétala amarela do girassol. A observação mais atenta revela que se trata de um vaso azul, onde estão dispostos (ou plantados?) os girassóis, e que este mesmo vaso está posto sobre uma cadeira de palhinha, motivo de outro quadro famoso do holandês, A cadeira de van Gogh e seu cachimbo (1888). Apenas a flor que o pincel toca tem as pétalas desenhadas; as três flores inferiores estão incompletas, o seu miolo com a mesma cor da barba de van Gogh, o que indica que a pintura está em andamento.

O observador, tomado pela beleza do quadro, só agora percebe na sua extremidade superior esquerda, uma tela sobre um cavalete, pintada exatamente de perfil, de modo a revelar apenas a estreita face lateral da tela – o suporte da obra de arte. Na realidade, as flores que aparecem no quadro não são pintadas por van Gogh, nem mesmo é certo que van Gogh esteja pintando girassóis; o que ele pinta, Gauguin não revela! E nem poderia revelar: a arte de van Gogh é única, inimitável, os girassóis de van Gogh, só ele poderia pintar. 

(Cabe aqui uma divagação: teria sido esta uma manifestação de humildade do Paul Gauguin, amigo e admirador do holandês? É possível, embora a ideia não seja muito condizente com o que conhecemos do caráter de Gauguin.)

Por fim, vale a pena que o observador aprecie o último plano, ou o fundo da pintura. De baixo para cima destaca-se um belíssimo azul delicado, azul-água – a segunda possível ilusão, a de que se trate de um pequeno lago –, a quebrar os tons fortes do modelo e das flores; uma observação mais atenta sugere que se trata da parede do aposento onde estão o pintor e seu modelo; no lado esquerdo da tela, de cima até quase sua parte inferior, vê-se pintura esmaecida, azul-amarelada, a completar a parede do interior; parece tratar-se de espécie de janela, por onde se pode observar três faixas de cores diferentes. (Quem me alertou para a existência dessa parede foi meu irmão Paulo, arguto observador!) Logo acima, um amarelo também mais suave, semelhante ao do acento da cadeira, possivelmente correspondendo a uma faixa de terra; segue-se a faixa verde-escuro vegetal, com três troncos de árvores cinzentos; por fim, o que parece ser um muro pintado de violeta desbotado. Acima do muro, casas e seus telhados.

 

O retrato foi pintado quando Gauguin visitou van Gogh em Arles. Vincent solicitava com insistência a visita do amigo. Gauguin viajou depois que o irmão de Van Gogh, Theo, dispôs-se a pagar seu transporte e demais despesas, permanecendo em Arles por apenas dois meses; os dois pintores brigavam muito, Vincent acabando por mutilar sua orelha esquerda depois de uma discussão entre eles. 

Em carta a Theo, irmão de Van Gogh, em 1888, Paul Gauguin escreveu:

 

"Sou obrigado a voltar para Paris. Vincent e eu não podemos de modo algum continuar vivendo lado a lado sem atritos, devido à incompatibilidade de nossos temperamentos e porque nós dois precisamos de tranquilidade para nosso trabalho. Ele é um homem de inteligência admirável que tenho em grande estima e deixo com pesar, mas, repito, é necessário que eu parta."

 

A impressão que van Gogh teve de O pintor de girassóis  foi a de que havia sido retratado como um louco. 

 

 

http://lounge.obviousmag.org/cafe_amargo/2012/12/a-tragica-relacao-de-van-gogh-e-gauguin.html

 

 

Paula espetacular!

Fotografia 


Mais uma foto espetacular de Paula Vianna

Ilha de Âncora, Búzios, RJ

Arco-íris em casa 2

Fotominimalismo


 
Foto: Cecília Vianna, jul 2021.

quinta-feira, 8 de julho de 2021

João teimoso

Charge do dia 


Laerte Coutinho

Jardim ensolarado

Meus quadros favoritos 


Joaquin Sorolla

Espumante russo vira champanhe por decreto


 

O presidente russo Vladimir Putin segura taça 

durante cerimônia no Kremlin

Pool New / Reuters

 

 

“Vladimir Putin estourou a batalha do champanhe. O presidente russo sancionou uma nova lei decretando que apenas os champanskoe, os populares e acessíveis espumantes criados na época soviética como fórmula para democratizar o luxo, podem ser etiquetados como champanhe a partir de agora na Rússia. Os borbulhantes vinhos estrangeiros — inclusive os da região da Champanha, nordeste da França –, protegidos por uma denominação de origem controlada e fabricado apenas com certas variedades de uvas e um processo de maturação específico— serão rotulados e classificados como “vinhos espumantes” no mercado russo.”

 

A ilusão do ditador é pensar que pode governar indefinidamente por decreto.

 

 

https://brasil.elpais.com/internacional/2021-07-06/putin-decreta-que-so-espumante-russo-e-champanhe.html

Dryas iulia

 



Dryas iulia ou Borboleta-júlia é uma borboleta neotropical da família Nymphalidae e subfamília Heliconiinae, nativa do sul dos Estados Unidos até o norte do Uruguai e Argentina. É a única espécie do seu gênero. Foi classificada por Johan Christian Fabricius, com a denominação de Papilio iulia, em 1775.




Foto: AVianna, jun 2021.

quarta-feira, 7 de julho de 2021

Servir a dois senhores

 

Desde a campanha eleitoral que Jair Bolsonaro sonha em  aumentar o número de vagas no Superior Tribunal Federal para aumentar seu poder sobre a corte. Kassio Nunes Marques foi indicado por ele na vaga de Celso de Mello e tem se mostrado fiel ao presidente, pois autorizou a realização de cultos durante a pandemia, suspendeu quebras de sigilos na CPI da Covid e se alinhou ao governo em pelo menos 20 casos. Agora surge a oportunidade de indicação de um segundo ministro, e será André Mendonça. 

            Até aí, nada demais – em termos. Outros governos fizeram o mesmo; o PT indicou Dias Toffoli, que andou pintando e bordando quando o partido estava no poder.       

            Agora, nesse governo onde tudo pode acontecer, e acontece, o que surpreende é o critério para a escolha do novo ministro: Ele Precisa Ser Terrivelmente Evangélico!

            O Pequeno Houaiss, instalado em meu computador, da os seguintes significados para a palavra TERRÍVEL: 

 

1 que provoca terror; assustador, temível
2 muito grande; enorme 

3 que produz resultados nefastos
4 muito ruim, de má qualidade 

 

            O Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de Antônio Geraldo da Cunha (Lexikon Ed., 2007) informa que o vocábulo terrível vem de terror (“estado de grande pavor ou apreensão”, “grande medo ou susto”), e é originário do latim terror, - oris.

            O advérbio que da força à escolha do futuro ministro, portanto, da o que pensar. Como interpretar a expressão “terrivelmente evangélico”? Segundo o dicionário, uma interpretação possível será: 

– Tomem cuidado, algo aterrorizante, assustador, pavoroso, muito ruim, nefasto mesmo, um grande susto vem por aí! 

Não sou tão ingênuo a ponto de interpretar ao-pé-da-letra aquele “terrivelmente”, mas esta leitura não é assim tão descabida, pois a estratégia de infundir medo na população sempre foi prática comum nos governos autoritários, desde tempos imemoriais. 

Mas dessa vez o alvo é bem outro, são os apoiadores evangélicos, base eleitoral do presidente; a indicação do pastor licenciado da Igreja Presbiteriana Esperança é para lhes satisfazer e angariar votos em 2022. (Melhor seria chamá-lo de pastor terrivelmente bolsonarista.)

O que todos se esquecem, o presidente, o ministro indicado e os apoiadores evangélicos, é do ensinamento contido na própria Bíblia Sagrada e enunciado por dois evangelistas:

 

“Nenhum servo pode servir dois senhores; porque, ou há de odiar um e amar o outro, ou se há de chegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.” Lucas 16:13.

 

“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.” Mateus 6:24.

            

            O que realmente temo é que o futuro ministro acabe servindo apenas a um senhor, ao senhor errado.