segunda-feira, 5 de julho de 2021

Por que somos o que somos


Crânio do Homo longi e uma reconstituição de sua aparência / C. Zha

 

Por que somos a única espécie humana do planeta? A reportagem de Nuño Domínguez para El País traz ótimo resumo do conhecimento atual sobre a evolução humana (4 jul 2021).

“Três descobertas nos últimos dias acabam de mudar o que sabíamos sobre a origem da raça humana e da nossa própria espécie, Homo sapiens. Talvez − dizem alguns especialistas − precisemos abandonar esse conceito para nos referir a nós mesmos, pois as novas descobertas sugerem que somos uma criatura de Frankenstein com partes de outras espécies humanas com as quais, não muito tempo atrás, compartilhamos planeta, sexo e filhos.

As descobertas da última semana indicam que cerca de 200.000 anos atrás havia até oito espécies ou grupos humanos diferentes. Todos faziam parte do gênero Homo, que nos engloba. Os recém-chegados apresentam uma interessante mistura de traços primitivos − arcos enormes acima das sobrancelhas, cabeça achatada − e modernos. O “homem dragão” da China tinha uma capacidade craniana tão grande quanto a dos humanos atuais, ou até superior. O Homo de Nesher Ramla, encontrado em Israel, pode ter sido o que deu origem aos neandertais e aos denisovanos que ocuparam, respectivamente, a Europa e a Ásia e com quem nossa espécie teve repetidos encontros sexuais, dos quais nasceram filhos mestiços que foram aceitos em suas respectivas tribos como mais um. 

Agora sabemos que devido àqueles cruzamentos todas as pessoas de fora da África têm 3% de DNA neandertal, ou que os habitantes do Tibete têm genes transmitidos pelos denisovanos para poder viver em grandes altitudes. Algo muito mais inquietante foi revelado pela análise genética das populações atuais da Nova Guiné: é possível que os denisovanos − um ramo irmão dos neandertais − tenham vivido até apenas 15.000 anos atrás, uma distância muito pequena em termos evolutivos.

A terceira grande descoberta dos últimos dias é quase detetivesca. Na análise de DNA conservado no solo da caverna de Denisova, na Sibéria, foi encontrado material genético dos humanos autóctones, os denisovanos, de neandertais e de sapiens em períodos tão próximos que poderiam até se sobrepor. Lá foram encontrados há três anos os restos do primeiro híbrido entre espécies humanas que se conhece: uma menina filha de uma neandertal e de um denisovano.

O paleoantropólogo Florent Detroit descobriu para a ciência outra dessas novas espécies humanas: o Homo luzonensis, que viveu em uma ilha das Filipinas há 67.000 anos e que apresenta uma estranha mistura de traços que poderiam ser o resultado de sua longa evolução em isolamento durante mais de um milhão de anos. É um pouco parecido com o que experimentou seu contemporâneo Homo floresiensis, ou “homem de Flores”, um humano de um metro e meio que viveu em uma ilha indonésia. Tinha um cérebro do tamanho do de um chimpanzé, mas se for aplicado a ele o teste de inteligência mais usado pelos paleoantropólogos, podemos dizer que era tão avançado quanto o sapiens, pois suas ferramentas de pedra eram igualmente evoluídas.

A esses dois habitantes insulares se soma o Homo erectus, o primeiro Homo viajante que saiu da África há cerca de dois milhões de anos. Ele conquistou a Ásia e lá viveu até pelo menos 100.000 anos atrás. O oitavo passageiro desta história seria o Homo daliensis, um fóssil encontrado na China com uma mistura de erectus e sapiens, embora seja possível que acabe sendo incluído na nova linhagem do Homo longi. 

Por que nós, os sapiens, somos os únicos sobreviventes? Para Juan Luis Arsuaga, paleoantropólogo do sítio arqueológico de Atapuerca, no norte da Espanha, a resposta é que “somos uma espécie hipersocial, os únicos capazes de construir laços além do parentesco, ao contrário dos demais mamíferos”. “Compartilhamos ficções consensuais como pátria, religião, língua, times de futebol; e chegamos a sacrificar muitas coisas por elas”, assinala. 

María Martinón-Torres, diretora do Centro Nacional de Pesquisa sobre Evolução Humana, com sede em Burgos, acredita que o segredo seja a “hiperadaptabilidade”. “A nossa é uma espécie invasiva, não necessariamente mal-intencionada, mas somos como o cavalo de Átila da evolução”, compara. “Por onde passamos, e com nosso estilo de vida, diminui a diversidade biológica, incluindo a humana. Somos uma das forças ecológicas de maior impacto do planeta e essa história, a nossa, começou a se delinear no Pleistoceno [o período que começou há 2,5 milhões de anos e terminou há cerca de 10.000, quando o sapiens já era a única espécie humana que restava no planeta]”, acrescenta.”

 

As descobertas permanecem em curso. Esta é a beleza da Ciência: não há verdade definitiva, porém os avanços conquistados baseiam-se em fatos, e fatos são verdades. Há muita gente no Brasil precisando pensar sobre isso.

 

https://brasil.elpais.com/ciencia/2021-07-04/por-que-somos-a-unica-especie-humana-do-planeta.html

 

Lavadeira-mascarada



 Foto: Paulo Sergio Viana, Lorena - SP, jul 2021.


 

“A lavadeira (Fluvicola nengeta), também conhecida como lavandeira ou noivinha, é uma espécie de pássaro sul-americana pertencente a família dos tiranídeos. O seu habitat é, preferencialmente, junto a rios ou lagoas. Vem frequentemente ao chão, mesmo barrento, em busca de alimento. É ave de espaços abertos.

Originalmente, ocorria no Brasil somente nos estados do Nordeste, do Maranhão à Bahia. Tem, contudo, ampliado sua distribuição pelo Sudeste do país, aparecendo no Rio de Janeiro já na década de 1950.

Costuma surgir no início da manhã à procura das piscinas, onde acostumou-se a se banhar. Aparece quase sempre em grupos de dois ou três indivíduos. Possui um canto curto e agudo. Seu comportamento indica um grau de confiança em relação ao homem, pois costuma se aventurar no meio da piscina se houver algo boiando e que o sustente. Permite, ao observador, aproximar-se a uma curta distância. 

O nome “mascarada” é em função de uma faixa negra que lhe atravessa os olhos. Costuma andar aos pares (casal). 

O nome "lavadeira" é uma referência à sua predileção por cursos d'água. O nome "noivinha" é uma referência à sua coloração branca predominante.”


Aumenta assim o número de fotógrafos interessados em passarinhos neste blog! Bem-vindos! 

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lavadeira-mascarada


domingo, 4 de julho de 2021

Pareidolia e Apofenia


“A pareidolia é um fenômeno psicológico que envolve um estímulo vago e aleatório, geralmente uma imagem ou som, sendo percebido como algo distinto e com significado. É comum ver imagens que parecem ter significado em nuvens, montanhas, solos rochosos, florestas, líquidos, janelas embaçadas e outros tantos objetos e lugares. Ela também acontece com sons, sendo comum em músicas tocadas ao contrário, como se dissessem algo. A palavra pareidolia vem do grego para, que é junto de ou ao lado de, e eidolon, imagem, figura ou forma. Pareidolia é um tipo de apofenia.

Dependendo das figuras observadas, podem assumir um aspecto muito subjetivo que varia de observador para observador ao passo que outras mais claramente nítidas, possuem uma mesma interpretação ótica em comum entre vários observadores. Portanto, muito tem que ver com a condição psicológica de cada observador, do que se passa em sua mente.”

https://pt.wikipedia.org/wiki/Pareidolia

 


O relógio da imagem parece estar triste. No entanto, isso é apenas uma associação que o cérebro humano faz ao ver uma imagem com dois pontos semelhantes a olhos e uma curva virada para baixo, semelhante a uma boca representando tristeza.

 

 * * *


“Apofenia é um termo proposto em 1959 por Klaus Conrad para o fenômeno cognitivo de percepção de padrões ou conexões em dados aleatórios. É um importante fator na criação de crenças supersticiosas, da crença no paranormal e em ilusão de ótica.

Inicialmente descrita como sintoma de psicose, a apofenia ocorre no entanto em indivíduos perfeitamente saudáveis mentalmente. Do ponto de vista da estatística é um Erro do tipo I, ou seja, tirar conclusões de dados inconclusivos. Em um exame pode levar a um resultado falso positivo. Psicologicamente é um exemplo de viés cognitivo.

Ocorrências de apofenia frequentemente são investidas de significado religioso e/ou paranormal ocasionalmente ganhando atenção da mídia como a impressão de ver Jesus em uma torrada.

No teste projetivo de manchas Rorschach a apofenia é estimulada com o objetivo de identificar padrões significativos na vida do indivíduo que ele projeta sobre a mancha.”

https://pt.wikipedia.org/wiki/Apofenia

 

                         


A percepção de uma face humana em fotografia da superfície de Marte é um exemplo de apofenia.

Ilha de pescadores

Meus quadros favoritos 


Luigi Zago


Pintor italiano, nascido em Villafranca di Verona em 1894, falecido  em Mendoza, Argentina, em 1952.

Na marca do pênalti

 

Quando escreveu a segunda crônica sobre o Pênalti, no intervalo de poucas semanas, compreendeu que estava vivendo o luto antecipado de sua própria morte.


sábado, 3 de julho de 2021

O pênalti




O pênalti, tiro livre cobrado a 11 metros do gol, é o momento supremo de qualquer jogo de futebol, seja convertido em gol ou não. Foi imortalizado por Neném Prancha, com a frase “O pênalti é tão importante que devia ser cobrado pelo presidente do clube.” 
             É proibido perder um pênalti. Se o goleiro defende, torna-se um herói. Se a bola entra, quem a chutou não fez mais que a obrigação. Como pesa a responsabilidade para o batedor! 
             Com o avanço da tecnologia a serviço do esporte, não é raro que o goleiro seja informado das preferências do batedor, em que canto ele chuta com mais frequência, em que altura e com que força, tudo gravado no laptop do treinador de goleiros. Isso deve ser um pesadelo para o cobrador, Será que ele já sabe onde vou chutar, Então vou trocar de lado, Mas se eu errar o chute?
             Foi então que o jogador de pouca técnica, quase sempre um zagueiro, inventou o chute no meio do gol: o goleiro pode cair para qualquer lado, que a bola entra com força no meio do gol. Invariavelmente o goalkeeper, como se dizia antigamente, dá um soco de frustração e raiva no gramado, Por que não fiquei parado!? Porém, como os zagueiros não primam mesmo pela técnica, muita vez a bola passa por cima da trave e vai se perder no estacionamento do estádio.
              Bem me lembro de quando surgiu a paradinha na hora de bater o pênalti. Ela foi criada por Pelé, na década de 1960. Em amistoso contra o River Plate, em 1962, Pelé fez a paradinha, mas o árbitro anulou o gol. A FIFA condenou a atitude do juiz e desde então a manobra passou a valer. Segundo o próprio Pelé, foi o imortal Didi, criador da “folha seca”, quem inventou a jogada.
              Mais recentemente surgiu a cavadinha: o batedor dá um toque sutil por baixo da bola, que encobre o defensor e morre no fundo do gol, chorando na rede, para humilhação do goleiro. Se o cobrador erra e o chute sai fraquinho, a pelota nas mãos do goleiro, a vaia é certa!
              A última invenção em matéria de pênalti é de autoria do português Cristiano Ronaldo. É mesmo um fenômeno a cobrança! Ele corre para a bola e ao calcar o pé de apoio no chão rente ao lado esquerdo da bola, esta se levanta por alguns poucos centímetros, algo imperceptível a olho nu, o suficiente para o artilheiro pegar o chute na cara da bola, com violência espantosa! O replay mostra a incrível manobra!
              A batida de pênalti indefensável é aquela em que a bola é chutada alta, no canto, com força, mas é para quem sabe.
              Para minha tristeza, o meu Palmeiras perdeu dois campeonatos recentemente, em cobranças de pênaltis. E pênalti não se perde, Seu Abel. (O técnico é sempre o culpado.)

Felicidade é isso!

Galeria de família


 Emílio e Olívia na praia!


A praia fica no litoral de São Paulo, entre Ubatuba e Caraguatatuba, praia de Massaguassú, em julho deste ano.

Morremos todos de inveja!

Foto lindíssima, provavelmente tirada pelo André, pai das crianças.

Congresso de Família

 


 

Reuniram-se ontem, 2 de junho de 2021, alguns membros da Família para o chamado Congresso virtual.

            De que falamos? Falamos muita bobagem e eventualmente de algum assunto sério. Conversamos sobre política – todos contra o Bolsonaro –, sobre as próximas eleições, quem vota em Lula, quem não vota. Cada um conta suas novidades, a Paula relata a presença do peixe-pedra em seu último mergulho. Cecília conta as últimas do Adolescentro. Nara, a mais calada de todos, traz notícias da farmácia de Lorena – quando não faz propaganda do Lula. Gabriela está de férias e só pensa na aula equitação; conta que na escola de Búzios os colegas não descem a rampa montados em uma mala, como faziam na Maple Bear! Eu mesmo, vez em quando, solto um palavrão, só para contrariar o irmão. 

            O assunto sério de ontem foi sobre LGBTQIA+, todos aliviados com o +, porque de outro miodo a sigla não teria fim.

Paulo, ponderado e sério, reina absoluto no centro da tela: ele é a nossa referência e dá a última palavra, às vezes em Esperanto, ele que se tornou ícone internacional da língua!

            Mas gostamos mesmo é de falar de comida! Gastronomia, melhor dizendo. Ciça conta que acaba de fazer 21 bolos de tangerina e 32 de batata doce floral, e que todos ficaram ótimos, embora ninguém acredite. Paulo diz que comeu lambari frito com cerveja nessa semana. Durante o papo, Gabi belisca sempre algum petisco. Paula repete que tem preguiça de fazer comida em casa. Digo que mais tarde vou comer ostras e quase todos torcem o nariz. Nara não é de falar muito de comida: na próxima conversa vou perguntar a ela do que gosta.

            O Congresso dura apenas uma hora, mas se tornou um dos momentos mais felizes da semana, pelo menos para mim. Beijo a todos.