sexta-feira, 25 de junho de 2021

Autoengano


“Agora tem corrupção? Já posso escutar o bolsonarista obstinado afirmando que prevaricação não é corrupção.” Este o título da crônica de hoje de Hélio Schwartsman para a Folha de S. Paulo (25 jun 2021); transcrevo aqui pequeno trecho: 

 

“O escândalo da Covaxin complica as racionalizações. Não são mais familiares nem auxiliares que aparecem no turbilhão das suspeitas, mas o próprio presidente. Não estamos mais falando dos “trocados” das rachadinhas, mas de um esquema bilionário, que rivalizaria com os desvios do PT.

Não acredito, porém, que haverá uma debandada nas hostes bolsonaristas. Uma das características mais fascinantes do cérebro humano é sua capacidade para o autoengano. Já posso escutar o bolsonarista obstinado afirmando que prevaricação não é corrupção. Preciosismos jurídicos à parte, num país mais decente, o capitão já teria sido deposto e estaria sendo julgado, com chance de parar na cadeia.” (Os grifos são meus.)

 

            São tantos e tão variados os tópicos levantados por Schwartsman nesse pequeno texto que não resisti à tentação de destacá-los em negrito: são as racionalizações diante dos erros que não queremos ver, a corrupção no tempo do PT, o possível envolvimento do atual presidente também em corrupção, mas se destaca mesmo aquilo que ele chamou de “capacidade para o autoengano”. 

            O fenômeno é complexo. Auto-Engano é o título do interessantíssimo livro escrito por Eduardo Giannetti (Companhia das Letras, 1997), assim resumido pelo próprio autor:

 

“Este é um livro sobre as mentiras que contamos a nós mesmos. Mentimos para nós o tempo todo: adiantamos o despertador para não perder a hora, acreditamos nas juras da pessoa amada, só levamos realmente a sério os argumentos que sustentam nossas crenças. Além disso, temos a nosso próprio respeito uma opinião que quase nunca coincide com a extensão de nossos defeitos e qualidades. Sem o autoengano, a vida seria excessivamente dolorosa e desprovida de encanto. Abandonados a ele, entretanto, perdemos a dimensão que nos reúne às outras pessoas e possibilita a convivência social.

O problema é que as mentiras que nos contamos não trazem seu nome verdadeiro estampado na fronte. É preciso, por isso, analisar os caminhos que nos levam até elas: encontraremos aí a origem de grandes conquistas e alegrias, mas também dos sofrimentos que muitas vezes causamos a nós mesmos e às pessoas que nos cercam.”

 

            O autoengano é uma espécie de mecanismo de defesa, a nos poupar da crueza da vida; é mais que desejável, portanto. O cuidado que precisamos ter é para que ele não nos afaste muito da realidade, e por consequência, das outras pessoas. Autoengano é primo irmão do fanatismo, do fundamentalismo religioso ou político.

            Diante do risco, é preciso pensar.

 

  

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2021/06/agora-tem-corrupcao.shtml

 

 

 

 

 

Papel dos escravizados

 



“Os africanos escravizados não eram apenas commodities, mercadorias como outras quaisquer, cujo valor e preço dependiam somente do vigor físico ou da força dos músculos definidos pelo sexo, pela idade e pelas condições de saúde (como poderia sugerir, por exemplo, a balança de pesar escravos descrita na introdução deste livro). Além de seres humanos acorrentados e marcados a ferro quente, os porões dos navios negreiros transportavam conhecimentos e habilidades tecnológicas desenvolvidas na África que seriam cruciais na ocupação europeia do Novo Mundo.” (p. 83)

 

                        Laurentino Gomes

                        Escravidão, vol.II

quarta-feira, 23 de junho de 2021

Poder de síntese

 

Professor de literatura e oratória, prescrevia a escrita de microcontos para tratamento de prolixidade e verborragia.

domingo, 20 de junho de 2021

500.000 mortos

 

Este Louco por cachorros é um blog que fala de Arte, muito de Literatura, Pintura, Fotografia, alguma coisa sobre Educação, Política, Psicanálise, Humor, e outras coisas mais, com ênfase em microcontos, poesia, romance, evolução das espécies, com a leveza que meus pouquíssimos leitores exigem, se é que exigem alguma coisa – nunca me pediram nada, me aceitam como eu sou. Escrevo, portanto, com liberdade. Escrevo mais para mim mesmo, quase sempre sobre amenidades.

            Impossível permanecer indiferente diante do meio milhão de brasileiros mortos pela Covid-19. Difícil é expressar os sentimentos diante da tragédia.

            Tristeza.

            Abatimento.

            Raiva.

            Perplexidade.

            Frustração.

            Ódio mesmo.

            Inconformismo.

            Indignação.

            Todas as palavras correlatas serão insuficientes, nem é preciso consultar o dicionário analógico. Porém, em branco o fato não pode passar. Sou grato por ter sido vacinado e até agora poupado da doença. Não é medo da morte, é pavor diante do isolamento de uma UTI gelada, distante de todas as pessoas que compõem e sempre compuseram minha vida. Não desejo morrer assim, e sinto muitíssimo pelas famílias que perderam entes queridos dessa trágica maneira. Choramos todos – quase todos –, por eles.

            A outra face da tragédia reside exatamente nesse quase todos. Estamos divididos, radicalmente. Irmãos se desentendem com irmãos, filhos com pais, amigos entre si, o dissídio generalizou-se, apartando as pessoas. Em razão de quê? Todos têm razão e ninguém tem razão, pois o diálogo se perdeu. Foi-se a capacidade de pensar. Ninguém tem razão, mas, penso eu, alguns têm menos razão ainda.

            O mais triste é que ainda não chegamos ao fundo do poço.

Franqueza

 

Habituado com o silêncio da casa, no segundo dia de férias da mulher, perguntou:

– Quando você volta a trabalhar?


Gastronomia

 

1.    Questão de educação

 

Enquanto a chef aguçava o espírito ao criar novos pratos, os comensais apenas enchiam a pança.

 

 

 

2.    Questão de gosto

 

Para K, trabalhar na cozinha era o mesmo que quebrar pedras. Para B, era estar no paraíso, com tantos cheiros e gostos.

 

 

 

3.    Estraga-prazer

 

Para J, não fosse a chef a cozinha seria o paraíso.



       4. Encheu


Cansado de descascar batatas, mudou-se para Piracicaba.

Gabriela

"Essa é a Gabriela, quinta tartaruga de pente identificada pelo @projetoaruana em parceria com a @buziosdivers no Santuário das Tartarugas, na ilha de Âncora, em Búzios/RJ. Linda, né?" 


                                    Paula Vianna





É Campeã!

“Wow, ganhei primeiro lugar em três categorias no concurso de foto subaquática do Nautilus Scuba Club, de Cairns, na Austrália, incluindo a categoria portfólio, pelo conjunto da obra! 

    Muito feliz, obrigada aos juízes, aos patrocinadores @prodiveaustralia, Rum Runner e @tamarabuddle por me representar. 

    Austrália, aqui vamos nós (assim que a pandemia deixar).” 


                                                       Paula Vianna






Parabéns, querida Paula!


sábado, 19 de junho de 2021