quinta-feira, 1 de abril de 2021

Ilustre visita a Brasília

Galeria de Família 



Era o que tínhamos de melhor, antes da pandemia.

Esta vida não presta



Epigrama para Emílio Moura

 

 

Tristeza de ver a tarde cair

como cai uma folha.

(No Brasil não há outono

mas as folhas caem.)

 

Tristeza de comprar um beijo

como quem compra jornal.

Os que amam sem amor

não terão o reino dos céus.

 

Tristeza de guardar um segredo

que todos sabem

e não contar a ninguém

(que esta vida não presta).

 

            Carlos Drummond de Andrade

            In Alguma poesia (1930)

 

Liga pro Paulinho

Charge do dia 


André Dahmer


Giannetti experimenta o anel



 

Ainda no prefácio, o autor adverte: “O corpo vê-se; o coração advinha-se. Silêncios, segredos, manobras, despistes. Que sabem os outros do que nos vai pela alma? O que sabemos, afinal, nós mesmos? Respeito às leis e costumes morais à parte, o que significa ser – não só parecer – ético? Como a certeza da impunidade mexeria com o nosso modo de ser e agir?” O primeiro parágrafo já instiga. Falo de O anel de Giges, de Eduardo Giannetti, Companhia das Letras, 2020.

            Antes de qualquer outro comentário, o livro é tremendamente acessível, a despeito da enorme erudição do autor; a leitura é agradabilíssima, fluente; a escrita, o estilo, são da melhor qualidade literária. Dá gosto ler.

            Bem, o assunto é surpreendente! Giannetti explica ainda no prefácio: “O experimento mental da fábula de Giges permite abordar o comportamento humano e a ética pelo prisma do anel. O que esperar de uma pessoa comum detentora do anel? Como provavelmente reagiria e o que faria com tal poder? Humilde pastor, o Giges da fábula de Gláucon transfigurou-se: foi para a capital do reino, seduziu a rainha, assassinou o rei com a cumplicidade dela, usurpou o trono da Lídia, tentou subornar os deuses e tornou-se fabulosamente rico. A posse do anel atiçou a fera da ambição desmedida e fez visível o sonho de glória e poder adormecido em sua alma. Mas quão representativo ou generalizável é o modelo do Giges-sem-lei?”

            Sugiro que um provável leitor do Anel, antes de iniciar a leitura propriamente dita, se detenha por alguns minutos a estudar o índice do livro, disposto em oito partes, que detalham com minúcia o escopo da obra. Giannetti inicia por Heródoto e Platão e termina por perguntar: “E agora, Giges? Olhemo-nos nos olhos. Sem intermediários. E se o anel que Rousseau preferiu jogar fora viesse parar no dedo de um de nós?”

            O último capítulo, Devaneios do viajante solitário: coração a nu, é mesmo surpreendente! O autor dá um cavalo-de-pau, subverte completamente o estilo, a escrita torna-se fragmentada, são pensamentos esparsos, ideias inacabadas, ousado exercício intelectual sobre os usos e abusos do anel pelo próprio autor.

             Belíssimo livro, em minha modesta opinião.

quarta-feira, 31 de março de 2021

poema moderninho escrito depois do banho dos passarinhos

 

quando a cabeça arruína

fica difícil escrever

vou olhar passarinhos

se banharem 

na fonte do meu jardim

primeiro banha o amarelo

depois os azuis

eles têm suas regras

que seguem à risca

esse o jeito que inventei

de desarruinar a cabeça

quando não consigo escrever








Fotos: AVianna, mar 2021

domingo, 28 de março de 2021

Fotominimalismo




 

Tenho publicado nesse blog com assiduidade o que chamo de fotominimalismo, um tipo ou estilo particular de fotografia. Penso – ou pensava – que se trata de algo não muito popular, até mesmo desconhecido de muita gente, pouco classificável como “arte de verdade”.

            Recebo agora da Paula Vianna o anúncio do concurso anual sobre o tema, com direito a prêmio no valor de 2.000 dólares e publicação de livro anual com as melhores fotografias.

            

https://minimalistphotographyawards.com/?utm_source=Minimalist+Photography+Awards&utm_campaign=f6fce7ccfb-EMAIL_CAMPAIGN_2021_03_23_06_28_COPY_01&utm_medium=email&utm_term=0_d1df96f8f5-f6fce7ccfb-218400877

 

            No site acima é possível encontrar as premiadas de 2019 e 2020, visita interessantíssima, para se ter uma ideia da importância do Fotominimalismo hoje.

            Abaixo, em belo exemplo:

 

 

First Place Winner

Alone by Tim Nevell

 

“This image was shot with my Mavic2 Pro drone on a winter trip to Iceland, we were travelling to Myvatn in the North of the island and this was a scene about 50 miles from the village, I loved the desolate volcanic landscape covered in snow and the distant endless horizon perspective.”

 

Telhados e janelas

 Fotominimalismo




Foto: AVianna

Cavalo marinho

A foto do dia 



“Cavalo marinho macho. Você sabia que são os machos que ficam grávidos e dão à luz aos filhotes? Sabe diferenciar os machos das fêmeas? Vem que a Búzios Divers te mostra!” 

                                                              

                                                                          Paula Vianna