terça-feira, 9 de março de 2021

Palmeiras Tetracampeão


Futebol é coisa séria. A final de uma árdua disputa como a Copa do Brasil ocorrida há dois dias mexe com muita gente e com interesses os mais diversos. (O campeão embolsou 54 milhões de reais, num país em sérias dificuldades econômicas!)

            Aos simples torcedores do time vencedor cabe a alegria infantil do sentimento de vitória. Falo por mim: nada mais infantil que a alegria de ser campeão!

            Não posso imaginar o que rola entre cartolas e suas ocultas transações. Nem me interessa. Guardo comigo a lembrança das tardes de domingo, quando nosso pai nos levava a mim e meu irmão Paulo ao estádio da Esportiva de Guaratinguetá, para assistir aos jogos do campeonato paulista. Foi lá que vimos jogar Bauer, Djalma Santos, e tantos outros craques. Além do Palmeiras, naturalmente, trago comigo a imagem do Bragantino, já na época um grande time, ainda na Segunda Divisão. Da Esportiva, guardo com carinho os nomes de Costa, Bolar e Jorge, o goleiro e a ótima zaga, o último com chute capaz de atirar a pelota para fora do estádio e cairia vizinha Aparecida do Norte. São mais de 60 anos de memórias do esporte!

            Foi com este espírito que vi o Palmeiras vencer com méritos a última Copa do Brasil, batendo o Grêmio no campo do adversário e no “chiqueirinho”: 3 a 0 na contagem geral.

            Por quê o Palmeiras venceu três títulos – Paulistão, Libertadores e Copa do Brasil – na temporada 2020? Por que, dentre outros fatores, o clube teve 13 jogadores da base, durante a temporada, incorporados ao time profissional, alguns de nível de seleção, formando plantel (o jargão não pode faltar) de respeito em número e qualidade, com gastos relativamente modestos. 

            Fundamentais para as conquistas foram o goleiro Weverton (melhor do Brasil), o paraguaio Gustavo Gomez (o melhor zagueiro do país, o veterano Felipe Neto que virou craque na frente da área, os armadores Zé Rafael e Raphael Veiga, este o melhor do time nos últimos jogos, e o português Abel Ferreira, que tem a virtude de não complicar (ainda). E, naturalmente, a sorte – se o Grêmio marca aquele gol com 5 minutos de jogo...

            Futebol é coisa séria, porém mais sério ainda é o que o país vem sofrendo com a peste. Em meio a tantas mortes e tanto sofrimento, não há lugar para comemorações de qualquer espécie.

Purgatorius mckeeveri


 

Reconstrução artística do “Purgatorius” 

Crédito: Andrey Atuchin/Divulgação

 

 

A reportagem de Reinaldo José Lopes para a Folha de S. Paulo traz o título Novos fósseis ajudam a reconstruir avô de todos os primatas (8 mar 2021).

            Trata-se da descoberta de fósseis no estado americano de Montana, do animalzinho de nome esquisito: o Purgatorius mckeeveri, “o mais antigo membro da linhagem dos primatas, a mesma que daria origem a micos-leões-dourados, chimpanzés e, claro, a eu e você.”

Ele é quase tão antigo quanto os dinossauros, tendo vivido há 65,9 milhões de anos, 100 mil anos após a extinção em massa dos dinossauros não-avianos. “Membro do grupo dos plesiadapiformes, o animalejo era onívoro, mas provavelmente tinha especial predileção por frutas.”

 Prosseguem assim as descobertas que comprovam a Evolução das Espécies.

 

https://darwinedeus.blogfolha.uol.com.br/2021/03/08/novos-fosseis-ajudam-a-reconstruir-avo-de-todos-os-primatas/

 

Palmeiras Campeão!

 


Copa do Brasil 2020

domingo, 7 de março de 2021

O ateu

Ele vivia tão bem, era tão feliz, que chegou a considerar a ideia de que Deus existe.


Tardes de sábado

 

Roger comemora o gol pela Inter de Limeira

Foto: Ítalo Gabriel / Inter de Limeira

 

 

Tarde de sábado, o ar lavado pela bátega caída ainda há pouco a rescender o perfume do jardim. Zapeio os canais de esporte em busca de um bom jogo do campeonato paulista e encontro verdadeiro clássico interiorano: Internacional de Limeira versus Novorizontino, prestes a começar. Vejo as escalações e encontro apenas um nome conhecido, Roger, veterano centroavante da Inter, ex-jogador do Corinthians. O gramado se apresenta em bom estado, o jogo promete!

            A Inter vem de duas derrotas, contra a Ferroviária e São Paulo; o time de Novo Horizonte vem de dois empates, contra Ponte Preta e Mirassol; ambos precisam vencer. Daí o jogo disputadíssimo no Limeirão, franco, aberto desde o início, com o máximo empenho dos atletas. No final do primeiro tempo, em contra-ataque mortal, Roger desloca o pesado zagueiro adversário para a esquerda e chuta da entrada da área no canto direito do goleiro, num belo gol: 1 a 0 para a Inter.

            No segundo tempo o Novorizontino reage, pressiona, ganha um escanteio, o atacante coloca a bola na marca do corner, vem o bandeirinha e aponta a posição irregular da pelota: ela precisa tocar a marca de cal (que já não é mais de cal, agora as demarcações do campo são pintadas com tinta branca). Eis que surge a pérola vinda do locutor esportivo, inconformado com o preciosismo do bandeira, dessas que me enchem de alegria as tardes de sábado: 

            – Os senhores sabem, a bola é redonda, então basta que um lado dela toque a linha para que a posição seja considerada regular, afirmou o indignado locutor.

            Matuto comigo mesmo, a casa em silêncio, até os cães dormem: “a bola é redonda” deve ser o pleonasmo do século! E se é redonda, os únicos “lados” que tem são o interno e o externo. O locutor fala demais; no tempo do radinho de pilha colado na orelha o locutor precisava falar muito, para descrever o que se passava em campo e até o que não se passava em campo, verdadeiro artista incumbido de transmitir aos ávidos ouvintes do mundo toda a emoção da partida; nas transmissões pela tevê o expectador precisa no máximo do nome dos jogadores, nada mais; mas o locutor fala fala fala, precisa aparecer, defender seu precioso salário em tempos de peste. Dá nisso: a bola é redonda!

            O escanteio é cobrado sem perigo de gol. O time visitante ataca, o time da casa se defende bem. A Inter volta a marcar, gol invalidado pelo VAR, isso mesmo, o implacável VAR está presente na partida.

Às tantas, falta perigosa para o Novorizontino; quem vai bater é o mesmo beque que levou o drible do Roger, dono de chute potentíssimo; ele tenta se recuperar da falha anterior; a barreira é formada, com a lentidão de sempre, a catimba de quem está ganhando o jogo; vem o chutão, e como diz o grande Milton Leite a bola sai do Limeirão, passa por cima de Araraquara e cai em São Carlos, na chácara do meu amigo Sergio Pripas!

            Ficamos no 1 a 0, um bom jogo. Nada como o futebolzinho nas tardes amenas de sábado.        

quinta-feira, 4 de março de 2021

A sopa

 

Mãe e filha nunca se deram bem. Difícil precisar quando a cisma teve início, mas foi certamente na mais tenra idade de Lúcia, época em que Gertrudes passava por terríveis dificuldades no casamento. O marido, alcoólatra, abandonou-a na miséria, com filha pequena para criar.  

            Gertrudes deu conta do recado, a filha cresceu sadia, vistosa, bonita mesmo, além de inteligente e estudiosa. O preço que ambas tiveram que pagar pela sobrevivência em circunstâncias tão desfavoráveis foi a da amargura perante a vida. Não raro o sofrimento intenso e continuado marca as pessoas com um travo de fel que jamais se apaga. O ressentimento da mãe foi transmitido à filha, que por sua vez não pôde superá-lo ao longo da vida.

            Em idade avançada, Gertrudes restou sob os cuidados de Lúcia. Dava trabalho, padecia de enxaqueca crônica, dizia-se alérgica a todo tipo de alimentos, alegava intolerância às carnes de qualquer espécie, de modo que se tornou vegetariana. Diante de tantas restrições, ainda reclamava da pobreza do sabor das refeições que lhe eram servidas. 

            Lúcia tolerava com dificuldade a rabugice da mãe, a eterna insatisfação para com as relações familiares, as pessoas julgadas sempre com excessiva severidade moral, o imutável ressentimento. Ela, por sua vez, julgava que a mãe não lhe dava o devido valor pelo tratamento dispensado. Gertrudes certa feita chegou mesmo a enunciar a frase definitiva:

            – Não tive sorte com a filha que pari.

            Para Lúcia, aquilo foi a morte. Aflorou todo o ódio que sentia pela mãe, o ressentimento transbordou, a relação entre elas atingiu o ápice do desencontro.

            Um acontecimento inesperado, surpreendente mesmo, revestido de significado apenas aparente, veio modificar o ambiente familiar. Durante um certo jantar, todos à mesa, mãe, filha, genro, dois netos a sair da adolescência, comia-se em silêncio, quando Gertrudes afirmou:

            – Como esta sopa está gostosa!

            Uma fala tão singela causou visível alvoroço, os comensais olhando-se entre si com ar de espanto, nunca se ouviu da boca da velha senhora um mínimo elogio que fosse não só à comida como a qualquer fato da vida cotidiana, e agora aquela frase dita com rara sinceridade, espontânea, acompanhada de um discreto sorriso de prazer! Apenas José, o neto mais velho, notou o ar enigmático no rosto de Lúcia, que teceu curto comentário:

            – Foi feita com carinho, mãe.

            O jantar terminou com a família em paz. No dia seguinte, rapaz curioso, José puxou assunto com a mãe, A senhora viu a satisfação da avó ontem no jantar?, Pois é, coisa rara, não!, O que foi que a senhora colocou naquela sopa? Lúcia se surpreendeu com a pergunta do filho, assim tão direta, como quem sabia das coisas. Não pôde mentir:

            – Coloquei caldo de carne, por isso ficou tão saborosa. 

            – Mas a avó não é vegetariana?

            – É. E daí? Ela não sabe que botei carne.

            Lúcia procurou encerrar a conversa com o filho, e ele a perseverar:

– Mas ela não pode comer carne, mãe!

– Tanto pode que comeu! Fiz por vingança meu filho, vingança. Você não pode entender, ninguém pode entender.

            Fardo pesado, o do ressentimento.

                        

segunda-feira, 1 de março de 2021

Moisés, boa companhia

Má companhia

 

– Por que você não aproveita para conhecer um lugar diferente?

– Porque quem vai estar lá sou eu.

 

 

Má vontade

 

– Queria ser você, para poder conhecer tudo.

– Queria ser você, para ainda querer tanto. 

 

 

Aposentado

 

A quarentena estava lhe atrapalhando. Sentia falta da solidão.

 

 

Avô em pandemia

 

Gostava de sentir a preocupação dos filhos e netos, mas o silêncio do isolamento era ainda melhor. 

 

 

Cirurgia delicada

 

O doutor, assustado, lê no jornal que a economia ficará em circulação extracorpórea durante a pandemia. “Será que o coração volta a bater? ”

 

 

Lockdown

 

Antigas suspeitas afloraram na pandemia. A esposa parou de se perfumar.

 

 

                                           Moisés Lobo Furtado

 

 

Grande notícia! Todos os textos do Moisés agora estão à disposição do leitor no blog dele: 


https://moisestitolf.blogspot.com

 

 

Aniversário do Rio de Janeiro



1º de março, aniversário do Rio de Janeiro!

 

Nesse dia, em de 1565, Estácio de Sá fundou oficialmente a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

O propósito era afastar os invasores oriundos de nações estrangeiras, especialmente franceses.

      Há que se lamentar apenas o que os políticos fizeram com o Rio nos últimos. 

      Morei nessa cidade durante 10 anos e a trago no coração!

 

A foto acima é uma das mais interessantes que conheço da cidade, no primeiro plano o morro do Corcovado.